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Casamento do filho de Moraes terá fala de Gabriel Chalita: um evento que expõe a teatralização da Justiça

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

O casamento do filho do ministro Alexandre de Moraes, marcado para este sábado em São Paulo, contará com um discurso do escritor e ex-pedetista Gabriel Chalita. O evento, que reúne figuras do alto escalão do poder, levanta questões sobre os limites entre a vida privada e a imagem pública de um magistrado que, segundo críticos, já ultrapassou a linha da imparcialidade.

O altar será armado em um salão nobre da capital paulista, mas o palco é a República. O casamento do filho mais velho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, transformou-se em um evento político de primeira grandeza, com direito a discurso programado do escritor e ex-secretário municipal de Educação, Gabriel Chalita.

A informação foi confirmada por fontes próximas à família em conversas com colunistas sociais, e depois repercutida pelo portal Metrópoles. Chalita, que já foi filiado ao PDT e hoje transita com desenvoltura entre os círculos do poder em Brasília, discursará para uma plateia que, segundo a lista de convidados, inclui ministros de Estado, governadores e pelo menos três outros integrantes da corte constitucional.

O que poderia ser um evento privado ganhou contornos de ato público quando se considera o histórico do anfitrião. Alexandre de Moraes não é apenas um ministro do STF; ele é o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o carrasco-mor da liberdade de expressão no Brasil, segundo a avaliação de juristas liberais. A presença de Chalita, um intelectual ligado ao pensamento social-democrata e católico, adiciona uma camada de legitimidade cultural a um evento que, para muitos, simboliza a captura do Estado por uma elite judicial.

Por que isso importa? Porque a vida pessoal de um magistrado não é uma bolha isolada do exercício de seu cargo. Quando um ministro do STF utiliza sua influência para reunir o establishment político e cultural em uma celebração familiar, ele borra a linha entre o público e o privado. A presença de Chalita, que já foi candidato ao governo de São Paulo e mantém relações estreitas com o PT e o PSDB, sugere uma tentativa de pavonear a imagem de Moraes como um homem de diálogo e cultura, quando sua atuação no tribunal tem sido marcada por decisões monocráticas que suspendem direitos fundamentais sem o devido contraditório.

Análise FORTIS: O evento é um microcosmo da nova ordem política brasileira. Enquanto o mercado clama por previsibilidade e respeito aos contratos, o STF opera como um poder moderador extemporâneo, decidindo sobre a vida dos cidadãos sem qualquer controle externo. Moraes, em particular, tornou-se o símbolo de um ativismo judicial que não hesita em censurar veículos de imprensa, bloquear redes sociais e prender investigados sem provas concretas, sempre sob o manto da “defesa da democracia”.

A escolha de Chalita para discursar não é aleatória. O ex-deputado federal e ex-prefeito de São Bernardo do Campo é um nome palatável para a centro-esquerda e para a centro-direita moderada. Sua presença sinaliza que Moraes busca construir uma ponte com setores que ainda o veem como um “mal necessário”. Mas para o liberalismo clássico, não há mal necessário que justifique a suspensão do habeas corpus ou a quebra do sigilo de um cidadão sem decisão colegiada.

Contraponto: Defensores de Moraes argumentam que o casamento é um evento familiar e que a presença de Chalita é uma questão de amizade pessoal, não de agenda política. Afirmam que o ministro tem o direito de celebrar a união do filho com quem quiser, e que críticas ao evento são uma tentativa de politizar a vida privada. O escritor, em nota enviada à imprensa, declarou que aceitou o convite “pela amizade que tenho pela família” e que seu discurso será “sobre amor e união, sem qualquer teor político”.

A ressalva, porém, é que no Brasil de 2026, onde a confiança nas instituições está em frangalhos, cada gesto de um magistrado é interpretado como um sinal de alinhamento político. A plateia do casamento, composta por nomes como Gilmar Mendes, Dias Toffoli e o presidente do Senado, não é uma plateia qualquer. É o núcleo duro do poder que, nas palavras do economista liberal Marcos Lisboa, “transformou o STF em uma câmara de revisão de políticas públicas, algo que a Constituição de 1988 jamais previu”.

O custo desse evento para a imagem do STF é alto. Enquanto a população enfrenta juros reais de dois dígitos e uma carga tributária que consome 34% do PIB, os ministros da corte celebram em salões climatizados. A mensagem que fica é a de que a lei é uma para o cidadão comum e outra para a elite togada. Para o liberalismo, a solução é clara: aprovação de leis que limitem o poder monocrático dos ministros, implementação de mandatos fixos para o STF e, acima de tudo, a defesa intransigente da liberdade de expressão contra qualquer forma de censura judicial.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.