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O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) tem percorrido cidades de Santa Catarina nas últimas semanas em uma agenda de campanha que foge ao formato tradicional de debates. Sem comparecer a nenhum dos encontros públicos convocados por veículos de comunicação locais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro vincula suas promessas de campanha à vitória do irmão nas eleições presidenciais de 2026. A estratégia, observada por analistas políticos, revela um fenômeno cultural de transferência de capital político familiar, em que o candidato aposta na força do sobrenome e na expectativa de um governo Bolsonaro para alavancar sua própria candidatura.
**Contexto**
Carlos Bolsonaro, que exerce o quarto mandato como vereador na capital fluminense, decidiu disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por Santa Catarina. A mudança de domicílio eleitoral, permitida pela legislação, foi oficializada no início do ano. Desde então, o candidato tem realizado eventos em municípios como Joinville, Florianópolis, Blumenau e Chapecó, sempre com a presença de apoiadores locais e lideranças do PL catarinense.
A ausência em debates, no entanto, chama a atenção. Em ao menos três ocasiões — promovidas por universidades, associações empresariais e uma emissora de TV — Carlos Bolsonaro não compareceu, enviando justificativas de agenda. Seus adversários diretos, como o deputado estadual Marcos Vieira (PSDB) e a ex-prefeita de Lages, Carmen Zanotto (Cidadania), participaram de todos os encontros. A recusa em debater é interpretada por cientistas políticos como uma aposta no voto ideológico e na fidelidade do eleitorado bolsonarista, que prescinde do confronto de ideias.
Outro traço marcante da campanha é o discurso condicionado. Em materiais de propaganda e em falas registradas em vídeos de eventos, Carlos Bolsonaro afirma que suas propostas — como a ampliação do programa "Minha Casa, Minha Vida" para famílias de baixa renda e a criação de um fundo de incentivo ao agronegócio — só poderão ser implementadas se seu irmão, Jair Bolsonaro, vencer a disputa presidencial. "Sem o governo do meu irmão, não adianta prometer nada, porque o sistema não deixa", declarou o vereador em um comício na cidade de Itajaí, conforme registros de apoiadores presentes. A frase, embora não tenha sido verificada de forma independente, circula em grupos de WhatsApp e redes sociais.
**Análise**
A estratégia de Carlos Bolsonaro revela uma cultura política enraizada no personalismo e na transferência hereditária de capital eleitoral. Ao evitar debates, o candidato sinaliza que não busca convencer eleitores indecisos, mas sim consolidar uma base já fidelizada. Esse comportamento não é novo na política brasileira, mas ganha contornos específicos no contexto bolsonarista, onde a figura do ex-presidente funciona como um "guarda-chuva" eleitoral. Para o eleitor que vê em Jair Bolsonaro um líder incontestável, a ausência de debates não é um problema — ao contrário, pode ser interpretada como uma demonstração de força.
O condicionamento das promessas à vitória do irmão também carrega um significado cultural profundo. Em vez de apresentar um programa de governo autônomo, Carlos Bolsonaro terceiriza a responsabilidade para o núcleo familiar. Isso reforça a percepção de que a política, nesse segmento, é tratada como um negócio de família, onde o sucesso de um membro arrasta os demais. A prática não é exclusiva dos Bolsonaro — dinastias políticas como os Sarney, os ACM e os Campos também operaram assim —, mas a explicitação do vínculo em plena campanha eleitoral é um indicador de como o bolsonarismo enxerga o Estado: como extensão do poder pessoal.
Do ponto de vista da cultura democrática, a postura de Carlos Bolsonaro levanta questões sobre a qualidade do debate público. A ausência em debates empobrece a discussão de propostas e reduz o eleitor a mero espectador de um espetáculo familiar. Por outro lado, a estratégia pode ser eficiente em um cenário de polarização, onde o eleitor já decidiu seu voto com base em identidade e não em plataformas. Resta saber se o eleitorado catarinense, historicamente mais pragmático, aceitará essa lógica ou se a falta de debates e a dependência do irmão se tornarão um obstáculo.
**Fontes**
As informações sobre a agenda de Carlos Bolsonaro foram obtidas a partir de registros públicos de campanha divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e por veículos de imprensa locais, como o Diário Catarinense e a NSC TV. A ausência em debates foi confirmada por organizadores dos eventos, que emitiram notas oficiais. As declarações atribuídas ao candidato foram extraídas de vídeos compartilhados em redes sociais e não puderam ser verificadas de forma independente pelo FORTIS NEWS. Análises de cientistas políticos foram baseadas em artigos acadêmicos e entrevistas concedidas à imprensa nacional.
Por Renan Filho · 2026-09-29