**Lead**
O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) tem percorrido cidades de Santa Catarina nos últimos dias em uma agenda que mescla campanha para aliados locais e projeção de sua própria imagem política, mas sem comparecer a debates públicos. A estratégia, observada por analistas, vincula diretamente promessas de investimentos e projetos municipais à vitória de seu irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), na eleição presidencial de outubro. A ausência de confronto de ideias e a dependência de um resultado nacional para validar compromissos regionais levantam questionamentos sobre a solidez das propostas apresentadas aos eleitores catarinenses.
**Contexto**
Carlos Bolsonaro, que exerce o quarto mandato consecutivo como vereador na capital fluminense, nunca disputou cargo majoritário, mas sua atuação nas redes sociais e o controle do chamado “gabinete do ódio” durante o governo de seu pai o tornaram uma figura de destaque na direita brasileira. Em Santa Catarina, estado governado por Jorginho Mello (PL) e com forte presença bolsonarista, Carlos foi recebido por prefeitos e candidatos a vereador do partido, especialmente no Vale do Itajaí e na Grande Florianópolis.
A agenda incluiu visitas a obras inacabadas, encontros com comerciantes e discursos em igrejas evangélicas. Em nenhum desses eventos, no entanto, Carlos aceitou convites para debates promovidos por associações de bairro ou pela imprensa local. A justificativa, segundo assessores, é que sua presença no estado tem caráter de “apoio moral e articulação política”, não de candidatura própria. Ainda assim, sua imagem estampa santinhos e materiais de campanha de aliados, que o tratam como “o generalista das redes” e “futuro líder nacional”.
A vinculação das promessas à vitória de Eduardo Bolsonaro é explícita. Em uma fala registrada por apoiadores em Blumenau, Carlos afirmou que “só com Eduardo presidente a gente vai ter condição de trazer recursos de verdade para Santa Catarina”. A declaração ecoa uma estratégia nacional do PL, que tenta transformar a eleição presidencial em um plebiscito sobre o legado de Jair Bolsonaro, inelegível até 2030. Eduardo, deputado federal licenciado, lidera as pesquisas de intenção de voto entre os candidatos da direita, mas ainda enfrenta resistência no centro político.
**Análise**
A recusa de Carlos Bolsonaro a debates não é um fenômeno isolado. Desde 2018, a família Bolsonaro construiu uma comunicação direta com sua base por meio de lives e redes sociais, evitando o filtro da imprensa tradicional e o confronto com adversários. Em Santa Catarina, essa tática se repete em escala local: o vereador carioca fala apenas para plateias selecionadas, onde não há espaço para perguntas incômodas sobre orçamento, transparência ou alianças. O resultado é uma campanha que parece mais um comício permanente do que uma disputa de projetos.
Mais grave, do ponto de vista da democracia representativa, é a subordinação de compromissos municipais a uma vitória nacional. Promessas como “duplicar a BR-470”, “construir creches” ou “ampliar o programa de saúde da família” são apresentadas como dependentes da eleição de Eduardo Bolsonaro. Isso cria uma armadilha política: se Eduardo perder, as promessas de Carlos e de seus aliados catarinenses perdem validade. O eleitor fica refém de um cenário que não controla. A prática, embora legal, revela uma fragilidade programática e uma aposta arriscada no personalismo.
Especialistas em marketing político apontam que a estratégia pode funcionar no curto prazo, pois mobiliza a militância bolsonarista em torno de um nome forte. No entanto, ela também expõe a falta de propostas próprias para os problemas locais. Santa Catarina, por exemplo, enfrenta desafios concretos em mobilidade urbana, saneamento e educação técnica — temas que exigem planejamento plurianual, independentemente de quem esteja no Palácio do Planalto. Ao condicionar tudo a Brasília, Carlos Bolsonaro reduz o debate local a um mero reflexo da polarização nacional.
**Fontes**
As informações sobre a agenda de Carlos Bolsonaro em Santa Catarina foram obtidas por meio de registros públicos de eventos do Partido Liberal (PL) em cidades como Blumenau, Joinville e Florianópolis, divulgados em redes sociais oficiais e sites de campanha de candidatos locais. A ausência em debates foi confirmada por organizadores de eventos políticos na região, que relataram convites recusados pela assessoria do vereador. A declaração sobre a dependência de recursos à vitória de Eduardo Bolsonaro foi captada em vídeo transmitido ao vivo por um apoiador e posteriormente compartilhado em grupos de WhatsApp. A análise de estratégia política baseia-se em artigos de cientistas políticos publicados em veículos como a Revista Piauí e o Observatório da Imprensa, além de entrevistas concedidas à Rádio CBN por analistas de campanha. Nenhum dado numérico de pesquisa foi citado, conforme as regras editoriais do FORTIS NEWS.
Por Renan Filho · 2026-09-29