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Politica

Carlos Bolsonaro faz campanha em SC sem ir a debates e vincula promessas a vitória do irmão para o Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-29

Vereador de São Paulo cumpre agenda em Santa Catarina, evita embates diretos e condiciona pautas locais a um eventual governo de Jair Bolsonaro em 2026.

**Lead**

O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) cumpriu agenda de campanha em Santa Catarina nesta terça-feira, 29 de setembro de 2026, sem participar de debates promovidos por entidades locais e redes de televisão. Em encontros com apoiadores e lideranças municipais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) evitou assumir compromissos concretos para o estado e condicionou a execução de promessas locais a uma eventual vitória de seu irmão, o ex-presidente, na corrida presidencial deste ano.

**Contexto**

A passagem de Carlos por Santa Catarina ocorre em um momento de acirramento da disputa eleitoral. O estado, historicamente um dos principais redutos do bolsonarismo, tem sido alvo de visitas frequentes de candidatos presidenciais e de seus representantes. A estratégia de Carlos, segundo observadores, é reforçar o vínculo emocional do eleitorado catarinense com a figura do pai e, ao mesmo tempo, transferir para o plano nacional a responsabilidade por demandas regionais.

Durante a agenda, Carlos visitou municípios da Grande Florianópolis e do Vale do Itajaí, onde se reuniu com lideranças do PL, empresários e grupos de apoiadores. Em nenhum dos compromissos oficiais houve a presença de debatedores adversários. A assessoria do vereador justificou a ausência nos debates por conflito de agenda, mas aliados locais afirmam que a decisão foi estratégica para evitar exposição a críticas sobre a gestão do ex-presidente e sobre a inelegibilidade de Jair Bolsonaro, decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023.

A vinculação das promessas à vitória do irmão não é novidade na campanha. Em discursos, Carlos tem repetido que “o Brasil só voltará a andar” se Jair Bolsonaro for eleito e que as emendas e recursos para Santa Catarina dependem de um governo federal alinhado às pautas conservadoras. A fala, no entanto, tem gerado reações entre candidatos locais, que cobram propostas objetivas para áreas como infraestrutura portuária, segurança pública e saúde.

**Análise**

A postura de Carlos Bolsonaro em Santa Catarina evidencia uma estratégia de nacionalização da campanha municipal. Ao evitar debates e condicionar promessas a um cenário nacional, o vereador busca blindar o nome da família Bolsonaro de questionamentos pontuais sobre a realidade catarinense. A tática, contudo, pode ter efeito contrário ao desejado, na medida em que eleitores locais passam a enxergar a ausência de propostas concretas para o estado.

Especialistas em ciência política ouvidos pela imprensa regional apontam que a transferência de responsabilidade para a esfera federal é um recurso comum em eleições municipais, mas raramente é feita de forma tão explícita. A declaração de que “promessas só serão cumpridas com a vitória do irmão” transfere para o eleitor catarinense a escolha entre votar em candidatos da base bolsonarista ou arriscar a perda de investimentos federais. Essa lógica, conhecida como “voto útil”, é frequentemente utilizada em cenários de polarização.

Outro ponto relevante é o impacto da ausência nos debates. Em um estado com forte tradição de voto personalista, a presença do sobrenome Bolsonaro pode ser suficiente para mobilizar a base. No entanto, o eleitorado médio, que decide o voto nas semanas finais, tende a valorizar o confronto de ideias. A recusa em debater pode ser explorada por adversários como falta de preparo ou de compromisso com a transparência.

A situação também acende um alerta para o PL catarinense. A legenda, que hoje comanda o governo estadual com Jorginho Mello (PL), tenta equilibrar a máquina pública com a campanha presidencial de Jair Bolsonaro. A presença de Carlos no estado, nesse sentido, é um termômetro do quanto a sigla está disposta a colocar a eleição nacional acima das demandas regionais. A avaliação interna é de que, sem um plano claro para Santa Catarina, o partido pode perder espaço para legendas de centro e de direita moderada que apresentam propostas mais concretas.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de registros oficiais de agenda do vereador Carlos Bolsonaro, notas da assessoria de imprensa do PL de Santa Catarina e relatos de veículos de comunicação locais que acompanharam a visita. A reportagem também se baseou em entrevistas concedidas por lideranças políticas catarinenses durante os eventos, sem identificação, e em análises de cientistas políticos publicadas pela imprensa regional. Não foram utilizados dados de pesquisas eleitorais, uma vez que os números divulgados até o momento não foram confirmados de forma independente por este veículo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.