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Ciencia

Canetas de emagrecimento: por que os glúteos perdem volume após a rápida perda de peso?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-28

O uso crescente de análogos de GLP-1 no Brasil trouxe à tona uma queixa estética: o afinamento das nádegas e a flacidez da pele. Especialistas explicam o mecanismo por trás do fenômeno e alertam para a necessidade de acompanhamento médico.

**Lead**

O avanço das chamadas canetas de emagrecimento no Brasil, medicamentos injetáveis à base de análogos do hormônio GLP-1, tem sido acompanhado por um efeito colateral estético cada vez mais relatado por pacientes: a perda de volume dos glúteos. O fenômeno, embora esperado no contexto de redução de peso, ganhou destaque nas redes sociais e em consultórios de dermatologia e cirurgia plástica, à medida que milhares de brasileiros recorrem aos fármacos para tratar obesidade e sobrepeso. A rapidez da perda de peso, combinada à diminuição da gordura corporal e, em alguns casos, à redução de massa muscular, resulta em nádegas menos volumosas, flacidez e, por vezes, um contorno corporal desarmônico.

**Contexto**

Os medicamentos conhecidos como canetas de emagrecimento — como semaglutida e liraglutida — atuam no cérebro regulando o apetite e promovendo a sensação de saciedade. Como consequência, o paciente reduz drasticamente a ingestão calórica e perde peso em um intervalo relativamente curto. A perda de peso, no entanto, não é seletiva: o organismo mobiliza reservas de gordura de diversas regiões do corpo, incluindo os depósitos subcutâneos e viscerais. A região glútea é composta por uma camada significativa de tecido adiposo, que confere volume e contorno. Quando essa gordura é metabolizada de forma acelerada, a pele, que também sofre alterações na elasticidade, pode não acompanhar o novo volume, resultando em flacidez.

Além disso, estudos e observações clínicas indicam que a perda de peso rápida frequentemente está associada à redução de massa magra. O tecido muscular dos glúteos — o glúteo máximo, médio e mínimo — também pode ser afetado, especialmente se o paciente não pratica exercícios de fortalecimento e não ingere proteínas suficientes. A combinação de menos gordura e menos músculo na região leva a um aspecto “achatado” e caído, efeito que surpreende muitos usuários, pois a perda de volume é mais pronunciada no bumbum do que em outras áreas do corpo.

Embora a perda de volume glútea seja mais evidente em pessoas que já tinham pouco acúmulo de gordura na região, ela também ocorre em pacientes com obesidade significativa. A velocidade do emagrecimento é um fator determinante: quanto mais rápido o peso cai, maior a probabilidade de sobra de pele e de diminuição acentuada do contorno das nádegas. Especialistas comparam o efeito ao aspecto de um balão murchando, em que a pele perde sustentação e se ajusta tardiamente ao novo contorno.

**Análise**

O impacto estético da perda de volume glúteo vai além da vaidade. Para muitos pacientes, o resultado pode afetar a autoestima e a satisfação com o tratamento, especialmente quando a expectativa era apenas a redução de medidas. A busca por procedimentos estéticos corretivos, como bioestimuladores de colágeno, preenchimento com ácido hialurônico e até mesmo gluteoplastia, cresceu nos últimos anos, impulsionada pelo fenômeno. No entanto, os médicos alertam que essas intervenções devem ser realizadas somente após o peso ser estabilizado, para que o resultado seja duradouro e seguro.

A perda de massa magra também tem implicações metabólicas e funcionais, já que os glúteos são fundamentais para a postura, locomoção e estabilidade do quadril. Por isso, o acompanhamento nutricional e a prática de exercícios resistidos são recomendados de forma quase unânime por profissionais de saúde. A prescrição de canetas de emagrecimento deve ser feita com critério, e o paciente precisa estar ciente de que o emagrecimento rápido exige cuidados adicionais. A educação sobre os efeitos colaterais e a expectativa realista são parte essencial do tratamento.

Especialistas apontam, ainda, que o fenômeno não é exclusivo dos medicamentos. Cirurgias bariátricas e dietas extremamente restritivas também causam perda de volume glúteo. A novidade é a escala: o uso massivo de canetas de emagrecimento no Brasil e no mundo trouxe o tema para o debate público. A comunidade científica, por sua vez, tem se dedicado a estudar os efeitos dos análogos de GLP-1 na composição corporal, buscando entender como minimizar a perda de massa magra e melhorar a qualidade do emagrecimento.

**Fontes**

Fontes: literatura científica revisada por pares sobre análogos de GLP-1 e composição corporal; relatos de pacientes compartilhados em fóruns públicos e redes sociais; observações de dermatologistas, endocrinologistas e cirurgiões plásticos em entrevistas a veículos de imprensa. Os dados específicos de prevalência ainda são limitados e não foram citados neste texto por falta de consenso científico.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.