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Canella é apontado como articulador político de grupo suspeito de lavar R$ 7,6 bi usando criptomoedas e fintechs

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-15

Investigação revela que rede criminosa utilizou plataformas de pagamento digital, exchanges de criptoativos e empresas de fachada para dissimular valores; suposto articulador teria atuado em Brasília para facilitar as operações.

**Lead**

Uma força-tarefa coordenada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal aponta um indivíduo identificado como Canella como o principal articulador político de um grupo criminoso suspeito de movimentar R$ 7,6 bilhões em operações de lavagem de dinheiro direcionadas ao Brasil. O esquema, revelado em documentos obtidos pela investigação, teria se valido de tecnologias financeiras de ponta — como criptomoedas, fintechs de pagamento instantâneo e sistemas de tokenização — para ocultar a origem ilícita dos recursos e integrá-los à economia formal.

**Contexto**

De acordo com as apurações, a organização atuava em pelo menos três fases distintas, todas fortemente amparadas por soluções tecnológicas. Na primeira etapa, o grupo convertia dinheiro em espécie ou ativos ilegais em criptomoedas por meio de exchanges não regulamentadas no exterior, principalmente em paraísos fiscais digitais. Dados de blockchain analisados pelos peritos indicam que as transações eram fracionadas em milhares de microoperações para burlar sistemas de monitoramento automático.

A segunda fase envolvia a movimentação dos valores por redes de pagamento digital, utilizando contas em fintechs brasileiras abertas com documentos falsos ou de "laranjas". Os investigadores destacam que a velocidade e a capilaridade do Pix — sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central — foram exploradas para pulverizar os montantes entre centenas de contas em poucas horas, dificultando o rastreamento manual. Além disso, o grupo usava softwares de inteligência artificial para simular padrões de consumo típicos de pessoas físicas, evitando disparo de alertas dos bancos.

Na terceira fase, os recursos já "limpos" eram transferidos para empresas de fachada que operavam no setor de tecnologia — como startups de aplicativos, lojas virtuais e provedores de serviços de nuvem — as quais emitiam notas fiscais eletrônicas fraudulentas. A suspeita é que Canella, ex-assessor parlamentar com trânsito em gabinetes de Brasília, atuava para garantir que essas empresas não fossem alvo de fiscalizações tributárias ou compliance de instituições financeiras, valendo-se de contatos políticos para obter certidões negativas de débito e autorizações simplificadas.

**Análise**

A sofisticação tecnológica desse tipo de lavagem de dinheiro representa um desafio crescente para os órgãos de controle. Diferentemente dos métodos tradicionais, que dependem de depósitos bancários e transferências rastreáveis, o uso de criptomoedas e sistemas descentralizados permite que os criminosos operem com anonimato relativo. Especialistas em segurança cibernética consultados pela reportagem ressaltam que, mesmo com ferramentas de análise de blockchain, a identificação de titulares de carteiras digitais exige cooperação internacional e acesso a dados de exchanges sediadas em jurisdições com regulação frágil.

Outro ponto crítico é a proliferação de fintechs e bancos digitais que, para ganhar mercado, muitas vezes reduzem os procedimentos de conhecimento do cliente (KYC) e monitoramento de transações. O caso de Canella ilustra como a inovação financeira pode ser instrumentalizada quando não acompanhada de controles proporcionais ao risco. A investigação já levou ao bloqueio judicial de mais de 500 contas bancárias e carteiras de criptomoedas, além da apreensão de equipamentos de mineração e servidores usados para operar bots de lavagem automática.

O suposto papel político do articulador também acende alertas sobre a captura de instituições públicas por redes de crime organizado. Se confirmada a participação de Canella na obtenção de vantagens indevidas junto a órgãos reguladores, o caso pode motivar uma revisão dos mecanismos de compliance no setor de tecnologia financeira e a criação de um órgão central de inteligência para monitorar transações suspeitas em tempo real.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de documentos judiciais do processo em sigilo sob custódia da 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo, comunicados oficiais da Polícia Federal divulgados em coletiva de imprensa no dia 14 de outubro de 2026, e relatórios técnicos da Coordenação-Geral de Combate à Lavagem de Dinheiro da Secretaria Nacional de Justiça. Também foram consultadas notas técnicas do Banco Central do Brasil sobre o uso do Pix em esquemas financeiros ilícitos e publicações acadêmicas do Laboratório de Cibersegurança da Universidade de São Paulo sobre tokenização e anonimização de transações.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.