O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 107 candidatos transgêneros nas eleições de 2026, número recorde na série histórica. Desses, 20 estão filiados a partidos de centro e direita — como Novo, PL, Republicanos e União Brasil —, segundo levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) divulgado em setembro.
Em 2022, o total de candidaturas trans foi de 70, com apenas 5 vinculadas a partidos fora do espectro da esquerda. O salto de 300% nesse segmento revela uma mudança estrutural: a pauta identitária deixou de ser propriedade exclusiva da esquerda. Em publicação nas redes sociais, o presidente do Partido Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que “a liberdade de ser quem você é não tem partido, e o Novo acolhe todos que defendem menos Estado e mais responsabilidade individual”.
O fenômeno não é trivial. A esquerda sempre tratou a identidade de gênero como uma bandeira de luta coletiva, associada a políticas estatais de cotas e subsídios. Mas os números mostram que uma parcela crescente da comunidade trans rejeita esse enquadramento. Em declaração à imprensa, um candidato trans pelo PL, que pediu para não ter o nome divulgado por questões de segurança, disse que “a esquerda quer nos transformar em vítimas eternas; eu quero ser tratado como indivíduo, não como cota”.
Por que isso importa? Porque a política brasileira está saturada de identitarismo estatal. Cada vez que um candidato trans de direita aparece, ele desmonta a narrativa de que a diversidade só existe sob o guarda-chuva do socialismo. O livre mercado de ideias está funcionando: se antes a esquerda tinha o monopólio da pauta, agora a concorrência chegou. E a direita liberal está aprendendo a falar de direitos individuais sem cair no vitimismo.
Análise FORTIS: A esquerda sempre tratou a identidade de gênero como sua propriedade intelectual, mas a realidade mostra que o indivíduo, e não o coletivo, é o centro da liberdade. Candidatos trans em partidos de direita representam a vitória do mérito sobre o vitimismo. Eles não querem cotas; querem concorrer em pé de igualdade. Eles não pedem reparação histórica; pedem que o Estado pare de interferir em suas vidas. É a prova de que a pauta identitária, quando libertada do estatismo, se torna uma pauta liberal. O mercado político está se adaptando: partidos que antes ignoravam o tema agora cortejam esses candidatos porque sabem que o eleitor médio está cansado do discurso de opressão permanente.
Contraponto: setores da esquerda reagiram com críticas. Em nota oficial, a ANTRA afirmou que “a presença de candidatos trans em partidos de direita não representa avanço, mas sim cooptação de uma agenda que historicamente é de resistência”. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), em entrevista à Rádio CBN, classificou o movimento como “oportunismo eleitoral”. No entanto, esses argumentos ignoram o dado concreto: os próprios candidatos trans de direita rejeitam o rótulo de cooptados. Um deles, em postagem no Instagram, escreveu: “Não fui cooptado; escolhi a liberdade. Vocês que acham que só a esquerda pode nos representar é que estão presos ao século passado”.
O fato é que a diversidade de pensamento dentro da comunidade trans está quebrando o monopólio discursivo. E isso é bom para a democracia. Quanto mais opções o eleitor tiver, mais o sistema se aproxima do ideal liberal de escolha individual. O TSE já registrou 107 candidaturas; a expectativa é que, em 2028, esse número dobre. O mercado político está corrigindo uma distorção histórica.
Por Renan Filho · 2026-09-20