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Opiniao

Candidatos ao Senado se dividem sobre impeachment de ministros do STF; entenda as posições

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-30

Análise das declarações públicas e propostas de candidatos ao Senado em 2026 revela polarização em torno da medida extrema contra a Corte, com reflexos diretos na composição da próxima legislatura.

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A menos de um mês das eleições de 2026, o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) emerge como um dos temas mais divisórios entre os candidatos ao Senado. Enquanto parte da direita defende a medida como instrumento de freio ao ativismo judicial, a esquerda e o centro democrático a rejeitam como ataque à independência do Judiciário. O debate ganhou força após sucessivos embates entre o Congresso e a Corte, especialmente em torno de decisões que afetaram a tramitação de pautas como o marco temporal das terras indígenas e a regulação das redes sociais. A posição de cada candidato pode definir o equilíbrio de forças no Senado para os próximos oito anos.

**Contexto**

O impeachment de ministros do STF é previsto na Constituição, mas nunca foi aplicado desde a redemocratização. A última tentativa relevante ocorreu em 2023, quando um grupo de parlamentares protocolou pedido contra o ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de abuso de autoridade. O processo foi arquivado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que afirmou não haver justa causa. Desde então, o tema voltou à pauta em discursos de campanha, especialmente entre candidatos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que já classificou ministros do STF como “inimigos do povo”.

Entre os candidatos que já manifestaram apoio explícito ao impeachment estão senadores em busca de reeleição, como Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Jorge Kajuru (PSB-GO), este último com ressalvas. Do outro lado, nomes como Randolfe Rodrigues (PT-AP) e Humberto Costa (PT-PE) classificam a proposta como “golpista” e defendem a manutenção da estabilidade institucional. Candidatos de centro, como o ex-ministro Sergio Moro (União Brasil-PR), adotam tom mais moderado: reconhecem a insatisfação com decisões da Corte, mas evitam endossar o impeachment como solução imediata.

A polarização reflete o cenário nacional. Pesquisas de opinião — embora sem números exatos divulgados até o fechamento desta edição — indicam que o eleitorado está dividido: uma parcela significativa acredita que o STF extrapola suas funções, enquanto outra vê a Corte como guardiã da democracia. O tema, portanto, funciona como um termômetro da confiança nas instituições.

**Análise**

A posição de cada candidato ao Senado sobre o impeachment de ministros do STF não é apenas uma questão jurídica, mas um indicador de alinhamento político e de visão sobre o papel do Judiciário. Para os defensores da medida, o impeachment seria uma resposta a decisões que consideram políticas, como a suspensão de trechos da Lei da Estatística ou a anulação de atos do governo anterior. Para os críticos, a abertura de um processo desse tipo representaria um precedente perigoso, capaz de fragilizar a separação dos Poderes e abrir caminho para crises institucionais.

O impacto prático é imediato: o Senado é a casa responsável por processar e julgar ministros do STF em caso de impeachment. Portanto, a composição da próxima legislatura definirá se há ou não viabilidade para qualquer pedido. Atualmente, a maioria dos senadores é contrária à medida, mas a renovação de um terço das cadeiras em 2026 pode alterar esse equilíbrio. Candidatos que fazem campanha com a bandeira do impeachment buscam capitalizar a insatisfação de eleitores que se sentem desamparados pelo sistema judiciário.

Por outro lado, a rejeição ao impeachment também serve como bandeira para candidatos que defendem a autonomia do STF e a manutenção do estado de direito. Em um cenário de alta polarização, o tema pode definir a escolha do eleitor indeciso, especialmente nos estados onde a disputa é acirrada. A tendência observada até agora é de que os candidatos mais radicais — tanto à direita quanto à esquerda — usam o impeachment como linha divisória, enquanto os moderados tentam evitar o assunto ou adotam posições ambíguas.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir de declarações públicas de candidatos ao Senado registradas em debates eleitorais, entrevistas à imprensa nacional e discursos no plenário do Senado Federal. Foram consultados também artigos de análise política publicados por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão, além de registros oficiais da tramitação de pedidos de impeachment na Câmara dos Deputados e no Senado. Nenhuma pesquisa quantitativa foi citada por ausência de dados verificáveis no momento da redação.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.