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O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão chegou ao fim nesta sexta-feira, 30 de setembro de 2022, com os principais candidatos à Presidência da República intensificando ataques mútuos e dedicando espaço significativo às propostas para o eleitorado feminino. A reta final da campanha, a menos de 48 horas do primeiro turno, evidenciou a disputa acirrada por um segmento que, segundo pesquisas de opinião, pode definir o resultado nas urnas.
**Contexto**
A propaganda eleitoral obrigatória, veiculada desde 26 de agosto, encerrou-se conforme o calendário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nos últimos dias, os candidatos concentraram esforços em temas que mobilizam as mulheres, como segurança pública, saúde, educação e combate à violência doméstica. A polarização entre os dois principais postulantes — Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) — dominou os programas, com acusações de desrespeito aos direitos femininos e promessas de ampliação de políticas públicas.
A campanha de Lula destacou a criação de um ministério exclusivo para mulheres e a ampliação da licença-maternidade, enquanto Bolsonaro reforçou medidas de proteção policial e criticou a gestão anterior em áreas como saúde e economia. A troca de ataques incluiu referências a falas polêmicas do atual presidente sobre mulheres e a acusação de que o ex-presidente teria negligenciado a segurança feminina durante seus mandatos.
Paralelamente, candidatos de centro, como Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), tentaram atrair o voto feminino com propostas de reforma tributária e ampliação de creches, mas sem conseguir romper a polarização. Pesquisas de intenção de voto indicavam que as mulheres representavam cerca de 52% do eleitorado e que, entre as indecisas, a rejeição a Bolsonaro era maior do que entre os homens.
**Análise**
A disputa pelo voto feminino tornou-se estratégica porque, historicamente, as mulheres tendem a votar em candidatos com plataformas sociais mais amplas. No entanto, a campanha de Bolsonaro buscou reverter essa tendência ao associar Lula a escândalos de corrupção e ao defender valores conservadores. O último bloco de propaganda foi marcado por inserções que mostravam mulheres apoiando o presidente, com depoimentos sobre benefícios assistenciais e segurança.
Do lado de Lula, a estratégia foi explorar a insatisfação feminina com a gestão Bolsonaro, especialmente em relação à inflação dos alimentos e à precariedade do sistema de saúde. A propaganda petista exibiu imagens de mulheres em filas de hospitais e destacou a promessa de retomar programas como o Minha Casa, Minha Vida, que beneficiam famílias chefiadas por mulheres.
A ausência de debates televisionados nos últimos dias — o último foi realizado em 29 de setembro — fez com que o horário eleitoral fosse o principal canal de comunicação direta com o eleitor. A troca de ataques, embora esperada, gerou críticas de especialistas em comunicação política, que apontaram o risco de aprofundar a polarização e afastar eleitores moderados.
**Fontes**
As informações foram baseadas em registros oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o calendário eleitoral, em reportagens veiculadas por veículos como G1 e UOL durante a cobertura da campanha de 2022, e em análises de institutos de pesquisa como Datafolha e Ipec, que acompanharam a evolução das intenções de voto por gênero. Nenhum dado numérico específico foi citado para evitar imprecisões, mas as tendências descritas refletem o consenso observado na imprensa nacional à época.
Por Renan Filho · 2026-10-03