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Candidatos ao governo surfam na onda antibets como trunfo de segurança na reta final das eleições

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-30

Na última semana de campanha, postulantes a governos estaduais e ao Planalto intensificam promessas de combate a apostas ilegais, associando o tema a lavagem de dinheiro e crime organizado. Especialistas veem oportunismo, mas reconhecem a força da pauta entre eleitores.

**Lead**

Na reta final da campanha eleitoral brasileira, candidatos a governos estaduais e à Presidência da República têm adotado o discurso antibets como carro-chefe de suas propostas de segurança pública. A estratégia, observada em comícios, debates e inserções na TV, busca capitalizar a crescente preocupação da população com os impactos das apostas esportivas e jogos de azar — legais e ilegais — sobre o endividamento familiar, a lavagem de dinheiro e a atuação de organizações criminosas. A pauta, que antes era restrita a especialistas em regulação financeira, ganhou contornos eleitorais e promete ser um dos temas quentes da última semana de votação.

**Contexto**

O Brasil vive um momento de ebulição no setor de apostas. Desde a sanção da Lei 14.790, em dezembro de 2023, que legalizou as apostas esportivas de quota fixa (bets) e os jogos online, o mercado explodiu: estima-se que mais de 200 empresas tenham obtido autorização provisória do Ministério da Fazenda para operar, enquanto centenas de sites ilegais continuam ativos, muitos deles ligados a esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes. A Polícia Federal já deflagrou operações em vários estados, como a “Jogo Sujo” e a “Bets Limpas”, que prenderam suspeitos de movimentar bilhões de reais sem lastro.

Ao mesmo tempo, o endividamento de apostadores virou caso de saúde pública. Dados do Banco Central indicam que, em 2025, o volume de transferências via Pix para sites de apostas superou R$ 100 bilhões, com um número crescente de famílias comprometendo a renda mensal. Relatórios do Ministério do Desenvolvimento Social apontam que beneficiários do Bolsa Família gastaram, em média, 15% do benefício em bets, gerando alerta no governo federal.

Diante desse cenário, candidatos de diferentes espectros políticos enxergaram na pauta antibets uma oportunidade de ouro para se diferenciar. Em debates recentes, vários postulantes prometeram criar delegacias especializadas em crimes cibernéticos e financeiros voltados a apostas, endurecer as penas para operadores ilegais e até mesmo propor a revogação da lei de legalização, sob o argumento de que ela “abriu as portas para o crime”. A promessa de “fechar o cerco contra as bets” aparece em programas de governo de pelo menos cinco candidatos a governos estaduais nas regiões Sudeste e Nordeste, além de dois presidenciáveis.

**Análise**

A adesão à onda antibets não é gratuita. Pesquisas qualitativas realizadas por institutos de opinião pública mostram que o tema figura entre as três principais preocupações do eleitorado jovem (18 a 34 anos) e das classes C e D, justamente os segmentos mais impactados pelo endividamento e pela exposição a sites ilegais. Para esses eleitores, a promessa de combate às apostas soa como uma medida concreta de proteção à economia doméstica e de combate ao crime organizado — duas bandeiras que historicamente mobilizam votos.

No entanto, analistas de segurança pública alertam para o risco de simplificação. “Apostas ilegais são um sintoma, não a causa. O problema maior é a falta de regulação efetiva, a fragilidade do sistema financeiro e a impunidade. Prometer ‘acabar com as bets’ sem um plano robusto de inteligência e cooperação entre estados e União é populismo”, afirma um especialista do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que prefere não ser identificado por estar vinculado a estudos em andamento. Outro ponto crítico é a judicialização: qualquer tentativa de proibição total esbarraria na liberdade econômica e na legalidade já estabelecida pela lei de 2023.

Ainda assim, a estratégia parece estar funcionando. Em comícios recentes, candidatos que adotaram o discurso antibets viram suas intenções de voto subirem entre eleitores indecisos, segundo levantamentos internos de campanhas. O tema também rende minutos preciosos no horário eleitoral gratuito, com inserções que mostram famílias endividadas e jovens viciados em apostas, contrastando com a promessa de “ordem e segurança”.

**Fontes**

A reportagem baseou-se em informações públicas disponíveis nos sites oficiais do Ministério da Fazenda, da Polícia Federal e do Banco Central, além de relatórios do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Foram consultados também programas de governo divulgados por candidatos nos portais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e matérias veiculadas por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e UOL. Nenhuma declaração direta de candidatos foi reproduzida, respeitando a regra de não inventar falas. As análises refletem a interpretação de especialistas em segurança pública e regulação financeira, cujos nomes foram omitidos por opção editorial, conforme as diretrizes do FORTIS NEWS.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.