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Economia

Tratamento sem cirurgia para câncer de mama ganha espaço e muda perspectivas no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-13

Estudos recentes mostram que, em casos selecionados, é possível tratar o câncer de mama com técnicas menos invasivas, reduzindo sequelas e melhorando a qualidade de vida. Especialistas veem avanço, mas alertam para critérios rígidos de indicação.

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O avanço de terapias sistêmicas e minimamente invasivas tem aberto espaço para que parte das pacientes com câncer de mama no Brasil possa tratar a doença sem passar por cirurgias mutiladoras — uma mudança com impacto direto na vida profissional, emocional e financeira de milhares de mulheres. A tendência, apresentada em congressos internacionais de oncologia ao longo dos últimos anos, chega ao país em um momento em que o sistema de saúde busca equilibrar custos, efetividade e qualidade de vida.

**Contexto**

Historicamente, o tratamento do câncer de mama sempre esteve associado à remoção cirúrgica do tumor, muitas vezes com a retirada completa da mama — a mastectomia. Nas últimas duas décadas, porém, a cirurgia conservadora, que remove apenas a lesão e preserva a maior parte do tecido mamário, tornou-se padrão para muitos casos. Mais recentemente, a chamada terapia neoadjuvante — quimioterapia, hormonioterapia ou imunoterapia aplicadas antes da cirurgia — passou a ser usada com frequência para reduzir tumores e até fazer desaparecer completamente o câncer em exames de imagem.

Quando isso acontece, a paciente atinge o que os médicos chamam de resposta patológica completa. Nesses cenários, estudos internacionais indicam que a cirurgia pode ser dispensada em situações muito específicas, sem comprometer as taxas de cura. A abordagem é mais comum em tumores com perfil biológico agressivo, como o chamado triplo negativo e o HER2 positivo, que respondem bem às terapias alvo disponíveis no Brasil.

A discussão ganhou força com protocolos de acompanhamento rigoroso, nos quais a paciente é monitorada com exames de imagem e biópsias durante o tratamento. Se o tumor desaparece completamente, a equipe médica pode optar por manter a mulher em observação ativa, em vez de operar. A estratégia ainda é considerada experimental em muitos centros, mas já faz parte de ensaios clínicos com resultados promissores.

**Análise**

O impacto econômico dessa mudança não é trivial. A cirurgia oncológica envolve custos hospitalares, anestesia, equipe cirúrgica, internação, materiais e afastamento do trabalho. Para o sistema público de saúde, cada mastectomia evitada representa economia direta. Para a paciente, os ganhos são ainda maiores: menores sequelas físicas, menos dor, retorno mais rápido às atividades profissionais e menor impacto na autoestima.

Do ponto de vista do mercado de trabalho, a possibilidade de evitar uma cirurgia extensa pode significar a diferença entre manter ou perder um emprego. Muitas mulheres relatam dificuldades após o diagnóstico — afastamentos prolongados, preconceito e demissões. Reduzir o tempo de tratamento e as limitações pós-operatórias é, portanto, também uma questão de produtividade e de dignidade no ambiente corporativo.

Em um país com diagnóstico ainda tardio em parcela expressiva dos casos, o acesso a essas terapias é desigual. Hospitais privados e institutos de referência já oferecem protocolos modernos, enquanto a rede pública enfrenta filas e limitações de medicamentos. A incorporação de novas tecnologias ao SUS depende de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS — a Conitec —, que considera evidências científicas, custo-benefício e impacto orçamentário.

A tendência, no entanto, não elimina a cirurgia do mapa. Para a maioria das pacientes, a operação continua sendo etapa essencial. A escolha entre operar ou não depende de uma série de fatores: tipo do tumor, estágio, biologia, resposta ao tratamento, condições de acompanhamento e preferência da paciente. O que se desenha é um cenário mais individualizado, em que a decisão é tomada por um comitê multidisciplinar com base em dados objetivos.

Especialistas ouvidos em eventos científicos defendem que o Brasil avance na padronização de biópsias minimamente invasivas, na ampliação do acesso a testes genéticos e na qualificação de equipes para o acompanhamento de pacientes que optam por não operar. O futuro do tratamento do câncer de mama passa menos pela radicalidade cirúrgica e mais pela precisão de diagnóstico e pela integração de terapias.

**Fontes**

As informações são baseadas em debates apresentados em congressos internacionais de oncologia, como o ASCO Annual Meeting, e em posicionamentos de sociedades médicas, incluindo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), que discutem a atualização de protocolos para o manejo do câncer de mama. Estudos de referência sobre resposta patológica completa e cirurgia de descalonamento foram publicados em periódicos como o New England Journal of Medicine e o Journal of Clinical Oncology, e servem de base para a discussão científica atual.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.