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Internacional

Painel: Campanha de Lula recorre ao 'voto útil' na reta final – estratégia desesperada ou tática calculada?

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-26

A três dias do primeiro turno, a coordenação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva sinaliza que intensificará o apelo pelo 'voto útil', tentando conter a dispersão de eleitores e consolidar uma vantagem que, segundo pesquisas recentes, não é tão confortável quanto parecia. Para um liberal-conservador, o movimento revela mais: medo de uma virada liberal ou mera engenharia eleitoral?

A menos de uma semana do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma ofensiva de última hora baseada no chamado 'voto útil'. A estratégia, confirmada por fontes da coordenação ao Painel, consiste em pedir que eleitores de candidatos com menor intenção de voto migrem para Lula a fim de evitar uma eventual derrota no primeiro turno ou forçar um segundo turno mais favorável. Para o eleitor liberal-conservador, o movimento é um sinal claro de que a candidatura petista não consegue, por si só, gerar entusiasmo suficiente — e precisa recorrer ao medo para garantir votos.

O conceito de 'voto útil' não é novo no Brasil. Em 2018, foi amplamente utilizado contra o PT, quando eleitores de centro e centro-direita se uniram em torno de Jair Bolsonaro (então PSL) para evitar um segundo turno entre Fernando Haddad (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). Agora, a situação se inverte: Lula tenta capitalizar o mesmo mecanismo, mas sob uma narrativa diferente — a de que a única forma de derrotar o 'risco autoritário' ou o 'ultraliberalismo' é concentrar votos em sua candidatura.

A decisão ocorre em um momento delicado. Pesquisas recentes, como as do Datafolha e do Ipec, mostram Lula entre 36% e 38% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 33% a 35% do principal adversário. Embora a vantagem exista, ela está dentro da margem de erro. Mais preocupante para o PT é a parcela de eleitores que declaram voto em outros candidatos — nomes como Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) ainda detêm cerca de 15% a 18% somados. Se esse bloco não se deslocar, o segundo turno é certo e o placar pode ser revertido.

Do ponto de vista liberal-conservador, a estratégia expõe contradições do discurso lulista. Durante toda a campanha, Lula se apresentou como o candidato da união nacional, do diálogo e da reconstrução institucional. Agora, na reta final, abandona o tom conciliatório e apela para uma lógica que, na prática, anula a pluralidade democrática: 'vote em mim ou jogue seu voto fora'. Não se trata de apresentar propostas, mas de coagir pelo medo. Para quem defende livre mercado e Estado mínimo, esse tipo de manobra é antidemocrática e revela uma candidatura que não acredita em seu próprio projeto.

Além disso, a campanha de Lula tem evitado debates aprofundados sobre economia. As propostas petistas para o setor produtivo são vagas, e a equipe econômica, quando questionada, recorre a frases de efeito como 'retomar o crescimento com inclusão social'. Nenhum plano concreto de ajuste fiscal, reforma tributária ou abertura comercial é apresentado. O 'voto útil', nesse contexto, serve como cortina de fumaça para a ausência de conteúdo.

Do outro lado, candidatos liberais e conservadores — como o próprio atual presidente e outros nomes de centro-direita — têm propostas mais claras de redução do Estado, privatizações e desburocratização. No entanto, a fragmentação do campo liberal os impede de formar uma frente unida. Enquanto isso, Lula se beneficia da polarização e tenta usar o 'voto útil' para transformar a eleição em um plebiscito contra o bolsonarismo, ignorando que muitos eleitores desejam uma terceira via.

Para além do cenário tático, o apelo ao 'voto útil' na última semana traz riscos. Eleitores podem sentir-se manipulados e reagir com rejeição. Históricos mostram que, em eleições passadas, essa estratégia muitas vezes não funcionou — como em 2006, quando Lula, então candidato à reeleição, tentou o mesmo e quase foi para o segundo turno contra Geraldo Alckmin. Se a campanha se mostra nervosa, o eleitor liberal deve questionar: se Lula não confia nem em sua própria base, como confiará na gestão do país?

A análise da FORTIS NEWS é direta: o 'voto útil' pregado por Lula é um sintoma da fragilidade de sua candidatura. Em vez de convencer com ideias, apela-se à conveniência. Para quem defende a liberdade individual e a competição de ideias no mercado político, esse é o oposto do que uma democracia saudável deve incentivar. O eleitor deve votar com base em propostas, não no medo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.