FORTIS
← FORTIS
Politica

Campanha de Lula diz que veto às bets pega Flávio no contrapé; análise expõe contradições dos dois lados

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Em painel interno, equipe do presidente afirma que proposta de proibição das apostas online surpreende o senador Flávio Bolsonaro, historicamente ligado ao setor. Medida, no entanto, representa mais um passo do Estado brasileiro na direção do controle excessivo da economia.

A campanha de Lula à reeleição divulgou, na tarde desta quarta-feira, um resumo de seu painel estratégico no qual afirma que o eventual veto presidencial às bets (apostas esportivas online) pega o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) “no contrapé”. A expressão, segundo a nota enviada à imprensa, indica que o parlamentar estaria desprevenido diante de uma medida que atingiria diretamente aliados e supostos financiadores de sua base política.

O documento, obtido pelo FORTIS NEWS, não cita nomes específicos, mas faz referência indireta às investigações que ligam Flávio a empresas de apostas. Em 2020, o senador foi alvo de buscas da Polícia Federal no âmbito da Operação Risco, que apurava suposto recebimento de propina de uma casa de apostas em troca de apoio a projetos de interesse do setor. Flávio sempre negou qualquer irregularidade.

A campanha de Lula afirma que o veto “desmascara a falsa defesa do livre mercado por parte da oposição”, já que Flávio e outros bolsonaristas costumam se apresentar como liberais. A nota, no entanto, não detalha o teor do veto — que, segundo fontes do Planalto, pode ser um decreto presidencial ou um projeto de lei enviado ao Congresso.

Por que isso importa? O debate sobre as bets ganhou força nos últimos meses após denúncias de lavagem de dinheiro e manipulação de resultados. O governo Lula já sinalizou que pretende regulamentar o setor de forma mais rígida, e a possibilidade de veto total assusta o mercado. Estima-se que as apostas online movimentem mais de R$ 15 bilhões por ano no Brasil, gerando arrecadação de impostos e empregos.

Análise FORTIS: A manobra da campanha de Lula é típica de quem tenta usar o Estado para fins eleitorais. Ao mesmo tempo, expõe a hipocrisia de setores da direita que, no discurso, defendem o livre mercado, mas, na prática, se aliam a atividades de alto risco regulatório. O veto às bets, se concretizado, seria um ataque à liberdade econômica e à geração de riqueza. O Estado brasileiro já tributa demais e entrega pouco — proibir um setor que emprega milhares de pessoas e movimenta a economia é mais um erro histórico.

Contraponto: Flávio Bolsonaro, em entrevista à Rádio Bandeirantes, classificou a fala da campanha de Lula como “narrativa barata”. Segundo ele, o senador sempre defendeu a regulamentação responsável das apostas, e não a proibição. “Quem quer vetar as bets é o mesmo governo que não consegue controlar o jogo do bicho e os cassinos clandestinos”, disse. De fato, dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda mostram que, desde a regulamentação parcial em 2023, o número de sites autorizados cresceu 40%, mas a fiscalização ainda é precária.

A verdade factual é que ambos os lados usam o tema para atacar o adversário. A campanha de Lula tenta associar Flávio a supostos crimes, enquanto Flávio tenta se apresentar como vítima de perseguição. O FORTIS NEWS não toma partido de nenhum dos dois, mas aponta: a proposta de veto é um erro de política pública. O livre mercado exige regras claras, não proibições arbitrárias. Se o governo quer combater irregularidades, que fiscalize com rigor, não que destrua um setor inteiro.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.