**Lead**
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou nesta quarta-feira (21) uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação da chapa de Flávio Dino, candidato à reeleição ao Senado pelo Maranhão, sob a alegação de que a Meta, empresa controladora do Facebook e Instagram, teria favorecido a divulgação de conteúdos da campanha de Dino nas plataformas digitais. O pedido, protocolado pela coligação do PT, aponta suposto tratamento desigual no impulsionamento de publicações, o que configuraria abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
**Contexto**
A representação foi assinada pelos advogados da campanha de Lula e entregue à Corte Eleitoral na manhã de hoje. Segundo o documento, a Meta teria aplicado algoritmos que ampliaram o alcance de postagens de Flávio Dino, enquanto conteúdos de outros candidatos, incluindo os apoiados pelo PT, teriam sofrido restrições ou redução de visibilidade. A coligação argumenta que essa prática viola a legislação eleitoral, que exige tratamento isonômico entre candidatos em plataformas digitais.
Flávio Dino, ex-ministro da Justiça e atual senador, é um dos principais aliados do governo Lula no Congresso. Apesar da aliança política, a campanha presidencial decidiu agir contra o que considera uma distorção no processo eleitoral. O caso ganhou repercussão após relatos de que publicações de Dino teriam recebido impulsionamento orgânico acima da média, sem que houvesse contratação de impulsionamento pago pela campanha.
A Meta, em nota oficial, negou qualquer favorecimento e afirmou que suas políticas de publicidade são aplicadas de forma uniforme a todos os candidatos. A empresa destacou que não comenta casos específicos, mas que está à disposição das autoridades para esclarecimentos. O TSE ainda não se manifestou sobre o mérito da representação, mas a Corte tem um histórico de decisões rigorosas em casos de abuso de poder econômico nas eleições.
**Análise**
A ação da campanha de Lula contra a chapa de Flávio Dino, mesmo sendo um aliado político, demonstra a complexidade das disputas eleitorais no Brasil, onde a legislação busca garantir equilíbrio entre os candidatos. Se o TSE acatar o pedido, a chapa de Dino poderá ser cassada, o que teria impacto significativo no cenário político do Maranhão e no equilíbrio de forças no Senado. Especialistas apontam que a decisão pode criar precedentes importantes para o uso de plataformas digitais em campanhas eleitorais.
A Meta, uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, tem sido alvo de críticas por seu papel na disseminação de conteúdo político. O caso brasileiro pode se tornar um teste para as políticas da empresa em outros países, especialmente em democracias emergentes. A representação também levanta questões sobre a transparência dos algoritmos e a necessidade de regulamentação mais rígida do impulsionamento de conteúdo político nas redes sociais.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de documentos protocolados no TSE pela coligação do presidente Lula, notas oficiais da Meta e declarações de representantes das campanhas envolvidas. A reportagem também consultou especialistas em direito eleitoral e tecnologia, que preferiram não se identificar, para contextualizar o impacto da ação.
Por Renan Filho · 2026-10-21