**Lead**
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para as eleições de 2026 está avaliando possíveis medidas de interferência nas plataformas X (antigo Twitter) e Grok, do bilionário Elon Musk, mas decidiu priorizar a Meta — controladora de Facebook, Instagram e WhatsApp — por considerar que essas redes têm impacto muito maior no eleitorado brasileiro. A informação foi confirmada por fontes ligadas ao comitê, que preferiram não se identificar, em meio à crescente preocupação com a disseminação de conteúdo falso nas redes sociais.
**Contexto**
A decisão ocorre em um momento de tensão entre o governo brasileiro e as big techs. Desde 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) têm intensificado a fiscalização sobre plataformas digitais, especialmente após os ataques de 8 de janeiro. O X, que já foi suspenso no país em 2024 por descumprir ordens judiciais, voltou a operar, mas mantém um histórico de conflitos com o ministro Alexandre de Moraes. O Grok, assistente de inteligência artificial integrado ao X, também tem sido alvo de críticas por gerar respostas sem filtros sobre temas políticos.
No entanto, a equipe de Lula entende que a Meta é o alvo mais estratégico. O Brasil é um dos maiores mercados da empresa, com mais de 100 milhões de usuários ativos no Facebook e no Instagram, e o WhatsApp é o aplicativo de mensagens mais usado no país, com cerca de 147 milhões de usuários. A campanha avalia que a desinformação nessas plataformas tem potencial muito maior de influenciar o eleitorado, especialmente em regiões onde o acesso à informação tradicional é limitado.
**Análise**
A priorização da Meta em detrimento do X e do Grok reflete uma leitura pragmática do cenário digital brasileiro. Enquanto o X tem uma base de usuários relativamente menor e mais concentrada em nichos políticos, o Facebook e o WhatsApp são ferramentas de comunicação cotidiana para milhões de brasileiros. A campanha de Lula acredita que, ao focar na Meta, pode combater a desinformação de forma mais eficaz, especialmente em comunidades onde as redes sociais são a principal fonte de notícias.
Além disso, a Meta já demonstrou disposição para cooperar com as autoridades brasileiras em campanhas anteriores, o que facilita o diálogo. Em 2022, a empresa removeu milhares de conteúdos considerados irregulares e criou canais diretos com o TSE. Essa experiência prévia é vista como uma vantagem em relação ao X, que historicamente resiste a intervenções regulatórias. A equipe de Lula, no entanto, não descarta ações contra o Grok, especialmente se a ferramenta de IA for usada para disseminar conteúdo falso durante o período eleitoral.
A decisão também tem implicações políticas. Ao priorizar a Meta, a campanha evita um confronto direto com Elon Musk, que já se posicionou publicamente contra o governo Lula e o STF. Uma ofensiva contra o X poderia gerar uma crise diplomática e midiática desnecessária, enquanto a Meta, por ser uma empresa mais consolidada e com interesses comerciais no Brasil, tende a ser mais receptiva a acordos. A estratégia, portanto, é de pressão seletiva: focar onde o impacto é maior e a resistência é menor.
**Fontes**
As informações foram obtidas com fontes internas da campanha do presidente Lula, que preferiram manter o anonimato. Dados sobre o número de usuários de plataformas digitais no Brasil são baseados em relatórios públicos da Meta e da We Are Social, divulgados em 2025. O histórico de conflitos entre o X e o STF é documentado em decisões judiciais públicas e reportagens de veículos como Folha de S.Paulo e O Globo. Nenhuma declaração oficial foi feita pela campanha ou pelas empresas citadas até o fechamento desta matéria.
Por Renan Filho · 2026-10-14