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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que entrará com uma representação eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suposto envolvimento em um esquema de movimentação de criptomoedas com o objetivo de financiar irregularmente a campanha à reeleição de Jair Bolsonaro em 2022. A informação foi divulgada por assessores da coordenação jurídica da campanha petista, que afirmam ter reunido indícios de que Flávio Bolsonaro teria atuado como intermediário em transações com ativos digitais não declaradas à Justiça Eleitoral. A ação deve ser protocolada nos próximos dias no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
**Contexto**
A suspeita central é de que Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente, teria utilizado uma rede de exchanges e carteiras de criptomoedas para receber valores de apoiadores e empresários, sem que esses montantes passassem pelo caixa oficial da campanha. De acordo com documentos preliminares obtidos pela equipe de Lula, as transações teriam ocorrido entre os meses de junho e outubro de 2022, período eleitoral, e somariam um volume expressivo de recursos. A prática, se confirmada, configuraria caixa dois eleitoral, crime previsto no Código Eleitoral brasileiro.
A movimentação de criptomoedas em campanhas políticas tem sido alvo crescente de investigações no Brasil. Em 2023, o TSE aprovou resolução que obriga candidatos e partidos a declarar qualquer doação ou gasto com ativos digitais, incluindo bitcoin, ether e stablecoins. A medida foi tomada após relatos de que grupos políticos estariam usando a pseudonimidade das criptomoedas para burlar os limites legais de doação e a transparência exigida pela legislação.
Flávio Bolsonaro já foi alvo de outras investigações relacionadas a movimentações financeiras atípicas. Em 2020, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou transações suspeitas na conta de um ex-assessor do senador, que movimentou mais de R$ 1,2 milhão em um período de três anos, sem justificativa compatível com a renda declarada. Na ocasião, Flávio negou irregularidades e afirmou que os valores eram provenientes de doações e da venda de imóveis.
**Análise**
A ação da campanha de Lula representa um novo capítulo na guerra jurídica entre os dois principais polos políticos do país. Especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo FORTIS NEWS avaliam que, para que a representação prospere, será necessário apresentar provas concretas de que Flávio Bolsonaro tinha conhecimento e participação ativa no suposto esquema. A simples existência de transações em criptomoedas não configura, por si só, crime eleitoral, desde que os valores sejam declarados e estejam dentro dos limites legais.
O uso de criptomoedas em campanhas políticas é um fenômeno global. Nos Estados Unidos, o Federal Election Commission (FEC) já autorizou doações em bitcoin, desde que sejam registradas e não ultrapassem os limites individuais. No Brasil, o TSE ainda não consolidou jurisprudência sobre o tema, o que torna o caso um potencial precedente importante. Se o tribunal aceitar a ação e abrir investigação, poderá estabelecer regras mais claras sobre a rastreabilidade de ativos digitais no financiamento eleitoral.
Por outro lado, a iniciativa também pode ser interpretada como um movimento político para desgastar a imagem do senador e, por extensão, do ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue como principal liderança da oposição. A campanha de Lula nega motivação eleitoral e afirma que a ação é baseada em indícios robustos que merecem apuração. A defesa de Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou oficialmente, mas fontes próximas ao senador indicam que ele deve classificar a representação como “infundada” e “eleitoreira”.
**Fontes**
As informações foram obtidas com base em comunicados oficiais da coordenação jurídica da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reportagens do jornal Folha de S.Paulo e do portal UOL, que tiveram acesso a documentos preliminares da representação, e em declarações públicas de integrantes do Tribunal Superior Eleitoral sobre a regulação de criptomoedas em campanhas. Dados sobre investigações anteriores envolvendo Flávio Bolsonaro foram extraídos de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e de matérias do jornal O Globo.
Por Renan Filho · 2026-10-08