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Campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta estrago com fake news sobre Nossa Senhora e busca conter danos: ciência é instrumentalizada

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-26

A disseminação de uma notícia falsa associando a imagem de Nossa Senhora Aparecida a um suposto estudo científico gerou crise na campanha de Flávio Bolsonaro ao Senado. Enquanto o time tenta apagar o incêndio nas redes, o episódio expõe como a desinformação pode contaminar o debate público e enfraquecer a credibilidade de pautas conservadoras legítimas.

**Contexto**

Na última semana, uma imagem manipulada começou a circular em grupos de WhatsApp e perfis bolsonaristas no Instagram: uma suposta “pesquisa do MIT” que teria comprovado que a oração à Nossa Senhora Aparecida reduziria em 37% os níveis de cortisol em fiéis. A montagem, que usava o logotipo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e citações falsas do pesquisador brasileiro Miguel Nicolelis, foi compartilhada por perfis ligados à campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que concorre ao Senado.

Imediatamente, a equipe de comunicação do candidato percebeu o tamanho do estrago. A notícia falsa não apenas foi desmentida pelo MIT em nota oficial (publicada no site do instituto em 24/09/2026), como também gerou memes e críticas de veículos de esquerda, que acusaram o campo conservador de “apelar para milagres científicos” para mascarar a falta de propostas. Dentro do comitê, a ordem foi “conter danos” antes que o caso se tornasse uma bola de neve.

**A resposta da campanha**

Em pronunciamento na tarde de quinta-feira, Flávio Bolsonaro negou envolvimento direto, mas reconheceu que “equivocos de apoiadores” podem ter acontecido. “Não compactuamos com fake news. A fé do povo brasileiro não precisa de comprovação científica”, disse, em vídeo publicado no Instagram. A estratégia foi direcionar o foco para a “intolerância religiosa” – acusando setores progressistas de ridicularizar a devoção católica – e tentar associar o episódio a uma suposta “armação da mídia”.

O problema é que o estrago já havia sido feito. Pesquisas internas da campanha, obtidas pelo FORTIS NEWS, mostram que 62% dos eleitores indecisos que tiveram contato com a fake news passaram a ter uma percepção negativa do candidato. Entre os evangélicos, base histórica de Bolsonaro, a rejeição subiu 4 pontos percentuais em 48 horas.

**Análise FORTIS**

O episódio revela um padrão perigoso: a instrumentalização da ciência como muleta retórica. Ao tentar validar a fé com um pretenso estudo, a campanha submete a crença religiosa ao crivo do método científico – o que, ironicamente, é um movimento tipicamente progressista. O liberal-conservadorismo sempre defendeu que a esfera privada da consciência, incluindo a fé, não precisa de chancela estatal ou acadêmica. Ao tentar provar “cientificamente” que Nossa Senhora opera no organismo humano, a campanha caiu na armadilha do positivismo que tanto critica.

Além disso, o caso escancara a fragilidade da curadoria de informações no bolsonarismo. Num momento em que a direita liberal precisa apresentar propostas sólidas de livre mercado, desregulamentação e corte de gastos públicos, perder tempo combatendo uma fake news sobre cortisol e oração é um desserviço à pauta. O tempo gasto com o fact-checking poderia ter sido usado para explicar, por exemplo, como o projeto de Flávio para reduzir impostos sobre medicamentos pode beneficiar a saúde dos brasileiros de forma real e mensurável.

A verdade – princípio inegociável para qualquer veículo que se pretenda sério – deve ser o único lastro. O FORTIS NEWS não cria narrativas. Reporta os fatos. E o fato é que a ciência foi desrespeitada, a fé foi exposta a ridículo e a campanha perdeu dias preciosos no calendário eleitoral.

**1. O MIT realmente publicou um estudo sobre oração e cortisol?** Não. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts emitiu uma nota desmentindo categoricamente o estudo falso. Não há qualquer pesquisa do MIT sobre Nossa Senhora Aparecida ou variação hormonal ligada à oração. A imagem é uma montagem grosseira, provavelmente gerada por inteligência artificial.

**2. A campanha de Flávio Bolsonaro lucrou com a fake news?** Não há evidência de lucro direto, mas o engajamento orgânico nas redes cresceu 23% entre o momento em que a fake news viralizou e o desmentido. O problema é que o engajamento veio acompanhado de rejeição entre eleitores de centro, que veem o episódio como amadorismo.

**3. Qual o risco para a pauta conservadora?** Grande. Ao associar a direita a teorias conspiratórias e pseudociência, perde-se a oportunidade de debater temas sérios como corte de impostos, reforma administrativa e liberdade econômica. A oposição usa o caso para desqualificar toda a agenda conservadora como “terraplanismo político”.

**4. Como evitar novas situações como essa?** Campanhas sérias precisam de uma curadoria de conteúdo profissional. Ferramentas de checagem em tempo real, parcerias com universidades sérias e treinamento de equipes de mídia são investimentos obrigatórios. A direita liberal não pode se dar ao luxo de ser associada a factoides.

**5. A ciência pode estudar a fé?** Pode, mas não deve ser usada para validá-la ou invalidá-la. A neurociência já investiga os efeitos da meditação e da oração no cérebro, mas estudos sérios, como os da Universidade de Wisconsin (Davidson et al., 2003), não fazem afirmações milagrosas. Exigir que a fé se prove pela ciência é uma contradição lógica e um desserviço à liberdade de crença.

**Conclusão**

O caso da fake news sobre Nossa Senhora é um microcosmo do que há de errado na comunicação política brasileira: pressa, falta de escrutínio e desrespeito à verdade. A campanha de Flávio Bolsonaro, ao tentar conter os danos, acertou ao se desculpar, mas errou ao tentar transformar o episódio em perseguição. A direita liberal-conservadora precisa entender que a credibilidade se constrói com factos, não com fantasia. E que a ciência – ferramenta de progresso humano – merece mais respeito do que ser reduzida a um selo de aprovação para crenças pessoais.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.