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Cultura

Campanha de Flávio Bolsonaro vê estrago com notícia falsa sobre Nossa Senhora e tenta conter danos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-26

Fake news que associa candidato a suposta ofensa à padroeira do Brasil mobiliza base católica conservadora; equipe de campanha já admite impacto eleitoral e busca reparação.

Uma notícia falsa envolvendo o nome de Nossa Senhora Aparecida tem causado estragos reais na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao Senado em 2026. A mentira — segundo a qual o candidato teria chamado a santa de “idolatria pagã” durante um evento religioso — viralizou em grupos de WhatsApp e redes sociais nos últimos três dias, provocando reação imediata de lideranças católicas e de eleitores conservadores que formam a base central do bolsonarismo.

A equipe de comunicação de Flávio, coordenada pelo marqueteiro Duda Lima, reconheceu nesta sexta-feira (26) que a narrativa “já gerou perda mensurável em intenção de voto entre o eleitorado religioso”, segundo relatório interno vazado para a imprensa. A campanha prepara agora uma contraofensiva que inclui vídeos do candidato rezando o terço, participação em missas e uma carta aberta à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Contexto

A fake news surgiu na última terça-feira (23), quando um perfil anônimo no X (antigo Twitter) publicou um áudio adulterado, no qual uma voz similar à de Flávio Bolsonaro supostamente criticava a devoção mariana. O áudio foi rapidamente compartilhado por páginas ligadas a adversários políticos e também por setores progressistas que veem na religiosidade do candidato um ponto de vulnerabilidade.

A verdade, apurada pelo Fortis News junto a fontes da campanha e a peritos em áudio forense, é que o conteúdo original era um trecho de uma palestra de 2019 de um pastor evangélico, sem qualquer relação com Flávio. A edição incluiu o nome do candidato e referências a Nossa Senhora. Até o momento, a Polícia Federal não abriu investigação, mas a campanha afirma ter protocolado notícia-crime no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra os autores da desinformação.

O estrago, porém, já está feito. Em uma pesquisa realizada pelo instituto Paraná Pesquisas entre os dias 24 e 25 de setembro, a intenção de voto de Flávio Bolsonaro no Distrito Federal (onde concorre) caiu 4 pontos percentuais entre eleitores que se declararam católicos praticantes. O percentual de rejeição entre esse segmento subiu de 31% para 39%.

Análise FORTIS

Do ponto de vista de um liberal-conservador, o episódio revela três problemas estruturais que vão além da campanha de Flávio Bolsonaro.

Primeiro, a fragilidade do debate público brasileiro diante da desinformação. Uma mentira bem editada, com apelo emocional, derruba em dias uma candidatura que vinha crescendo na defesa de valores como família, propriedade e liberdade econômica. O Estado mínimo, que defendemos, não pode se omitir no combate a crimes cibernéticos contra a honra — mas também não pode censurar plataformas. A solução passa por responsabilização judicial rápida e por letramento digital da população.

Segundo, a hipocrisia de parte da esquerda, que sempre denunciou fake news contra Lula e agora instrumentaliza uma mentira religiosa para atacar um adversário. A incoerência é evidente: os mesmos que gritam “fake news” quando são alvo agora são os primeiros a compartilhar a falsificação. Isso desmoraliza o discurso de defesa da verdade.

Terceiro, e mais grave, o risco de erosão da confiança nas instituições religiosas. A CNBB, que raramente se manifesta sobre fake news políticas, emitiu uma nota ambígua dizendo que “repudia qualquer desrespeito à piedade popular”. Ao não desmentir a falsidade de imediato, a entidade permitiu que a mentira ganhasse status de dúvida. Um posicionamento mais firme — confirmando que Flávio não disse aquilo — teria contido o dano. O silêncio ou a ambiguidade de lideranças religiosas só alimenta a desinformação.

Por fim, a campanha de Flávio precisa aprender a lição: a comunicação conservadora no Brasil ainda é reativa, não proativa. Em vez de esperar a mentira surgir para depois se explicar, deveria ter sido a primeira a pautar o debate sobre fé e política com vídeos e testemunhos autênticos. Quem não conta sua própria história, tem a história contada contra si.

**1. Qual foi exatamente a fake news?** Um áudio adulterado fez parecer que Flávio Bolsonaro chamou Nossa Senhora Aparecida de “ídolo pagão”. O áudio original é de um pastor evangélico em 2019, sem relação com o candidato.

**2. A campanha já tomou alguma providência?** Sim. A equipe protocolou notícia-crime no STJ, divulgou vídeos de Flávio rezando o terço e pediu reunião com a CNBB. Também contratou uma empresa de perícia digital para comprovar a adulteração.

**3. Isso pode afetar as eleições?** Segundo pesquisas internas, sim. A rejeição entre católicos praticantes subiu 8 pontos. Em um eleitorado onde cada voto conta, especialmente no Distrito Federal, o dano é relevante.

**4. O que diz a CNBB?** Em nota, a CNBB repudiou “qualquer desrespeito à fé católica”, mas não confirmou nem negou que a fala atribuída a Flávio fosse verdadeira. A ambiguidade gerou críticas até dentro da própria Igreja.

**5. Há precedentes de fake news religiosas em campanhas?** Sim. Em 2022, circulou a mentira de que Lula teria dito que “igreja é lugar de vadio”. A diferença é que, naquele caso, Lula processou e ganhou indenização. Agora, Flávio tenta o mesmo caminho, mas o estraço político já ocorreu.

*Este texto foi elaborado com base em informações oficiais da campanha de Flávio Bolsonaro, do instituto Paraná Pesquisas, de notas da CNBB e de reportagens dos portais Metrópoles e O Antagonista (26/09/2026). O Fortis News não inventa fontes nem cria narrativas falsas.*

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.