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Politica

Campanha de Flávio Bolsonaro associa fala de Lula a estupro de menores; peça gera polêmica

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-29

Um material de campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vincula uma declaração do presidente Lula ao crime de estupro de menores, reacendendo o debate sobre os limites da propaganda eleitoral e o uso de desinformação.

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Um painel publicitário da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à reeleição passou a circular nas redes sociais e em vias públicas do Rio de Janeiro associando uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao estupro de menores de idade. A peça, que utiliza uma frase fora de contexto e a combina com imagens de crianças, gerou reações imediatas de partidos de oposição, entidades de defesa dos direitos humanos e do próprio Palácio do Planalto. A campanha de Flávio Bolsonaro defende o material como “denúncia legítima” contra o que chama de “incoerência do governo Lula”, enquanto críticos apontam manipulação grosseira e tentativa de criminalizar o adversário político.

**Contexto**

A controvérsia tem origem em uma declaração feita por Lula durante um evento sindical em São Bernardo do Campo, no início de setembro. Na ocasião, o presidente comentava a política de segurança pública e, ao criticar a redução da maioridade penal, teria dito que “não se pode tratar um jovem de 16 anos que comete um crime como se fosse um estuprador de crianças”. A frase, isolada e sem o complemento da argumentação, foi rapidamente recortada por adversários. A campanha de Flávio Bolsonaro aproveitou o trecho e o inseriu em um painel que exibe a frase “Lula defende que estupro de menores não é crime?” acompanhada de imagens de crianças com expressão de sofrimento.

O material foi veiculado inicialmente em outdoors na zona oeste do Rio de Janeiro e impulsionado em plataformas digitais. A coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro afirmou, em nota, que “a fala de Lula é inaceitável e precisa ser denunciada” e que o painel “apenas mostra a verdade”. No entanto, a declaração original de Lula, disponível em vídeos e transcrições oficiais, mostra que ele se referia à necessidade de políticas de ressocialização para adolescentes infratores, e não a uma defesa da impunidade para crimes sexuais. O próprio presidente, em pronunciamento posterior, classificou a peça como “mentira descarada” e disse que “quem usa criança para fazer política baixa não merece respeito”.

A prática de associar adversários a crimes hediondos não é inédita na política brasileira. Em 2018, a campanha de Jair Bolsonaro utilizou um vídeo que ligava o PT a um suposto kit gay para crianças, o que foi posteriormente desmentido por fact-checkers. Agora, a estratégia se repete em nível estadual, com o senador Flávio Bolsonaro tentando capitalizar sobre a rejeição ao PT no eleitorado conservador fluminense. Pesquisas de intenção de voto indicam que a disputa no Rio de Janeiro está polarizada entre o atual senador e o candidato do PT, mas os números exatos variam conforme o instituto.

**Análise**

A associação de uma fala descontextualizada a um crime tão grave quanto o estupro de menores representa uma escalada no uso de desinformação como ferramenta eleitoral. Especialistas em comunicação política ouvidos por veículos como a Folha de S.Paulo e O Globo apontam que a peça explora o viés de confirmação do eleitorado mais radicalizado, que já tende a ver Lula como um inimigo moral. Ao colocar a imagem de crianças no centro da mensagem, a campanha de Flávio Bolsonaro busca acionar um gatilho emocional poderoso, capaz de anular qualquer esforço de explicação racional.

Do ponto de vista jurídico, a propaganda pode configurar calúnia ou difamação, uma vez que atribui a Lula a defesa de um crime que ele explicitamente condenou. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já firmou jurisprudência de que peças comprovadamente falsas podem ser retiradas do ar e gerar multas. No entanto, o processo eleitoral é lento, e o dano à imagem do adversário pode ser irreversível até que a Justiça se pronuncie. A campanha de Lula já anunciou que ingressará com representação no TSE pedindo a suspensão imediata do material e abertura de investigação por abuso de poder.

O episódio também levanta questões sobre o papel das plataformas digitais na moderação de conteúdo político. O painel físico é de difícil controle, mas a versão online, impulsionada com recursos de campanha, pode ser alvo de remoção por violação das políticas de desinformação. Até o momento, as redes sociais não se manifestaram oficialmente sobre a peça. A tendência é que o caso se torne mais um capítulo na guerra jurídica entre as campanhas, com possíveis reflexos nas pesquisas de opinião nas próximas semanas.

**Fontes**

- Declaração original do presidente Lula em evento sindical (setembro de 2026), disponível em canais oficiais do governo e cobertura da imprensa. - Nota oficial da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicada em redes sociais e sites de notícias. - Reportagens da Folha de S.Paulo, O Globo e UOL sobre o painel e a polêmica. - Jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral sobre propaganda eleitoral e desinformação.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.