**Lead**
A Campanha do Agasalho promovida pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio do Fundo Social de São Paulo (FUSSP), arrecadou 5,8 milhões de peças de roupas, cobertores e calçados ao longo de 2026. O volume supera as metas iniciais e representa a maior marca já registrada desde o início da iniciativa, consolidando a ação como uma das maiores redes de solidariedade do país. As doações foram distribuídas para mais de 600 municípios paulistas, com prioridade para regiões de maior vulnerabilidade social e com temperaturas mais baixas.
**Contexto**
A campanha, que ocorre anualmente entre os meses de maio e setembro, mobilizou postos de coleta em estações de trem, metrô, terminais rodoviários, unidades do Poupatempo, escolas estaduais e órgãos públicos. Em 2026, a adesão foi impulsionada por uma forte onda de frio que atingiu o estado entre junho e agosto, com temperaturas mínimas abaixo de 5°C em cidades do sul e do vale do Paraíba. O FUSSP também firmou parcerias com redes de supermercados, shoppings centers e empresas de logística para ampliar a capilaridade dos pontos de entrega voluntária.
Dados oficiais do governo paulista indicam que o número de famílias em situação de rua na capital cresceu 12% em relação a 2025, o que aumentou a demanda por agasalhos e cobertores. Além das doações espontâneas, a campanha contou com a participação de voluntários que organizaram mutirões de triagem, lavagem e embalagem das peças arrecadadas. Cerca de 80% dos itens coletados eram de roupas de frio, como casacos, jaquetas e blusas de lã, e o restante dividido entre calçados fechados, meias e mantas térmicas.
A logística de distribuição envolveu 150 caminhões do programa Banco de Alimentos, que percorreram mais de 40 mil quilômetros para levar as doações até centros de referência de assistência social (CRAS) e organizações não governamentais credenciadas. O FUSSP informou que todas as peças passaram por higienização antes de serem encaminhadas às comunidades, seguindo protocolos de saúde pública que evitam a propagação de fungos e bactérias.
**Análise**
O recorde de arrecadação em 2026 reflete tanto a eficiência logística da campanha quanto a sensibilização da população diante de um inverno atípico. Especialistas em políticas públicas apontam que ações como essa são complementares às redes de proteção social do Estado, mas não substituem investimentos estruturais em moradia e renda. A concentração de doações nos grandes centros urbanos, especialmente na capital, levantou questionamentos sobre a equidade na distribuição entre o interior e as periferias metropolitanas.
A experiência paulista tem servido de modelo para outros estados e para o governo federal, que estuda replicar o formato em regiões do Sul e Sudeste com maior incidência de ondas de frio. No entanto, o sucesso da campanha também expõe a fragilidade de milhões de brasileiros que dependem da caridade sazonal para enfrentar as baixas temperaturas. Enquanto o país não avançar em políticas de acesso universal a vestuário adequado e aquecimento habitacional, iniciativas como a do FUSSP continuarão sendo essenciais, mas insuficientes para resolver o problema estrutural da pobreza.
**Fontes**
Fundo Social de São Paulo (FUSSP) – dados oficiais da campanha e balanço anual divulgado em outubro de 2026. Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo – relatórios de distribuição e cobertura municipal. Prefeitura de São Paulo – estimativas populacionais de pessoas em situação de rua com base no censo de 2025.
Por Renan Filho · 2026-10-17