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A campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, uma representação eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento, assinado pelos advogados da coligação, aponta indícios de que o parlamentar teria utilizado criptomoedas para ocultar recursos de campanha nas eleições de 2022, configurando abuso de poder econômico e caixa dois. A ação foi motivada por reportagens e documentos que revelam transações suspeitas em exchanges de ativos digitais ligadas a assessores do senador.
**Contexto**
Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, já é alvo de investigações há anos. O caso mais conhecido é o das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, quando ele era deputado estadual. Em 2023, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) identificou movimentações financeiras atípicas em contas de ex-assessores, incluindo depósitos em corretoras de criptomoedas. Parte desses valores, segundo a investigação, teria origem em recursos públicos desviados e seria destinada a financiar campanhas eleitorais de forma não contabilizada.
Em 2025, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Cripto-Caixa, que mirou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a compra e venda de ativos digitais por pessoas próximas a Flávio Bolsonaro. Na ocasião, foram apreendidos celulares, documentos e registros de transações em plataformas como Binance e Mercado Bitcoin. A defesa do senador sempre negou irregularidades, afirmando que as movimentações eram lícitas e relacionadas a investimentos pessoais.
A campanha de Lula, no entanto, sustenta que há elementos suficientes para justificar uma ação eleitoral. O pedido inclui a quebra de sigilo bancário e fiscal do senador, além de uma perícia nos dados das exchanges. A representação também cita um suposto esquema de “criptomoedas para o Brasil” — expressão usada por aliados de Flávio Bolsonaro em mensagens obtidas pela PF — que indicaria a intenção de usar ativos digitais para burlar a legislação eleitoral.
**Análise**
A ação eleitoral contra Flávio Bolsonaro representa um movimento estratégico da campanha de Lula para desgastar um dos principais nomes da oposição. Caso o TSE acate a representação, o senador pode se tornar inelegível por oito anos, o que o afastaria de disputas futuras, como a eleição para o governo do Rio de Janeiro em 2026 ou até mesmo uma eventual candidatura presidencial. O timing é delicado: a menos de um mês do primeiro turno das eleições gerais, qualquer decisão judicial pode influenciar o eleitorado.
Do ponto de vista jurídico, a utilização de criptomoedas em campanhas eleitorais ainda é uma área nebulosa no Brasil. A legislação atual proíbe doações de pessoas jurídicas e exige que todas as contribuições sejam feitas por meio de contas bancárias identificadas. Ativos digitais, por sua natureza descentralizada e pseudônima, facilitam a ocultação da origem dos recursos. O TSE já sinalizou que pretende regulamentar o uso de criptomoedas nas próximas eleições, mas até agora não há norma específica.
A ação também reacende o debate sobre a influência da família Bolsonaro no sistema político. Flávio é apontado como o “cérebro” das operações financeiras do clã, e sua eventual condenação poderia abrir caminho para novas investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Analistas políticos avaliam que, independentemente do resultado, a simples existência da ação já mancha a imagem do senador e reforça a narrativa de que a oposição atua com métodos ilícitos.
**Fontes**
As informações contidas nesta notícia foram obtidas a partir de documentos protocolados no TSE, reportagens veiculadas por veículos como Folha de S.Paulo e O Globo, e investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Polícia Federal. A campanha de Lula divulgou nota oficial à imprensa confirmando o teor da representação. Até a publicação, a assessoria de Flávio Bolsonaro não havia se manifestado.
Por Renan Filho · 2026-10-08