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O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), afirmou nesta quarta-feira (14) que a mudança de posicionamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em relação ao fim da escala de trabalho 6×1 representa uma “vitória do povo brasileiro”. A declaração foi feita durante evento em Fortaleza, onde Santana comentou a nova postura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que até então se opunha a propostas de redução da jornada semanal.
**Contexto**
A escala 6×1 – que prevê seis dias consecutivos de trabalho seguidos de um dia de descanso – é alvo de críticas de movimentos sindicais e de entidades que defendem a qualidade de vida do trabalhador. Nos últimos meses, ganhou força no Congresso Nacional a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece a jornada de quatro dias por semana, ou a redução para 36 horas semanais, eliminando gradativamente o modelo 6×1. A pauta é defendida por partidos de esquerda e centrais sindicais, mas enfrenta resistência de setores conservadores e da bancada empresarial.
Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e líder de uma das principais alas da oposição, sempre se posicionou contra qualquer alteração que, segundo ele, pudesse “onerar o empregador” ou “reduzir a competitividade do país”. No entanto, em entrevista concedida na última segunda-feira (12) a um portal de notícias, o parlamentar surpreendeu ao afirmar que “o debate sobre o fim da 6×1 merece ser ouvido com atenção” e que “a saúde do trabalhador não pode ser ignorada”. A fala foi interpretada como um recuo estratégico, possivelmente motivado pela pressão popular e pela aproximação das eleições de 2026.
Camilo Santana, um dos principais nomes do PT para a sucessão presidencial, não perdeu a oportunidade de capitalizar politicamente o episódio. Em seu discurso, ele destacou que “quando o povo se mobiliza, até os adversários são obrigados a mudar”. O governador cearense lembrou que seu estado já implementou programas de redução de jornada em setores da administração pública, como forma de testar modelos alternativos.
**Análise**
A mudança de Flávio Bolsonaro pode ser lida como um sintoma do desgaste da narrativa conservadora em temas trabalhistas. Pesquisas recentes – embora sem números exatos divulgados – indicam que a maioria dos brasileiros apoia a redução da jornada sem mantimento de salário, especialmente entre os mais jovens. O movimento “Vida Além do Trabalho”, que reúne trabalhadores e especialistas, ganhou força nas redes sociais e pautou o debate público. Para analistas políticos, a adesão de figuras da direita ao tema demonstra que a pauta deixou de ser exclusividade da esquerda e se tornou uma demanda transversal.
Por outro lado, a declaração de Santana também carrega um componente eleitoral. Ao associar a “vitória do povo” à mudança de um adversário político, o governador busca fortalecer sua imagem de articulador e de representante dos anseios populares. A oposição, no entanto, tenta minimizar o episódio. O próprio Flávio Bolsonaro, em nota posterior, esclareceu que não defende uma “revolução trabalhista”, mas sim um “debate responsável”. Apesar da ressalva, o recuo já é visto como um avanço simbólico.
**Fontes**
- Declaração de Camilo Santana em evento público no Palácio da Abolição, em Fortaleza, no dia 14 de outubro de 2026. - Entrevista do senador Flávio Bolsonaro ao portal Poder360, publicada em 12 de outubro de 2026. - Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre redução da jornada de trabalho, em tramitação na Câmara dos Deputados. - Movimento “Vida Além do Trabalho”, com atuação em redes sociais e audiências públicas no Congresso Nacional.
Por Renan Filho · 2026-10-14