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Camilo Santana reafirma compromisso com fim da escala 6x1 e tecnologia desponta como aliada na transição

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-11

Senador petista declarou que pretende aprovar a proposta ainda nesta legislatura; especialistas apontam que automação e digitalização podem viabilizar jornadas reduzidas sem queda de produtividade.

**Lead**

O senador Camilo Santana (PT-CE) afirmou na última quarta-feira que o governo federal mantém o compromisso de aprovar o fim da escala de trabalho 6×1 (seis dias consecutivos de trabalho seguidos de um de descanso). A declaração foi feita durante evento sobre direitos trabalhistas em Brasília, e ecoa a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a jornada máxima para 36 horas semanais. A novidade, que mobiliza centrais sindicais e movimentos como a “Vida Além do Trabalho”, ganha contornos tecnológicos: para muitos analistas, a automatização de processos e o avanço do trabalho remoto tornam economicamente viável a reorganização do tempo laboral.

Segundo Santana, o texto está em fase de ajustes e deve ser pautado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nas próximas semanas. “Nosso compromisso é aprovar o fim da escala 6×1 na quarta”, disse o senador, referindo-se à votação. A fala ocorre em um momento em que o debate sobre qualidade de vida e produtividade ganha força no Brasil, impulsionado por experiências internacionais bem-sucedidas de redução de jornada com suporte tecnológico.

**Contexto**

A escala 6×1 é comum em setores como comércio, serviços e indústria, onde a operação ininterrupta exige rodízio de funcionários. Críticas históricas apontam para o desgaste físico e mental dos trabalhadores, além do impacto negativo na convivência familiar. Do ponto de vista tecnológico, a discussão se intensificou nos últimos cinco anos com a disseminação de plataformas de gestão de tarefas, inteligência artificial aplicada a processos repetitivos e sistemas de automação predial e fabril.

Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que países com jornadas mais curtas — como Alemanha e Países Baixos — mantêm alta produtividade graças à digitalização e ao uso intensivo de tecnologia. No Brasil, pesquisas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostram que a adoção de ferramentas de automação em micro e pequenas empresas cresceu cerca de 30% entre 2020 e 2025, abrindo espaço para modelos de trabalho mais flexíveis. Embora não haja números consolidados sobre a relação direta entre fim da escala 6×1 e ganhos de eficiência, especialistas em gestão empresarial apontam que turnos mais enxutos podem ser compensados por maior engajamento e menos absenteísmo.

A PEC em tramitação no Congresso prevê que a redução da jornada seja acompanhada de incentivos fiscais para empresas que investirem em digitalização. A proposta tem o apoio de federações da indústria, desde que haja prazo de adaptação e linhas de crédito para aquisição de equipamentos tecnológicos. Sindicatos, por sua vez, defendem que a mudança não pode significar perda salarial, e veem na tecnologia uma ferramenta para redistribuir o trabalho sem precarização.

O posicionamento de Camilo Santana reforça a sintonia entre o governo federal e o movimento “Vida Além do Trabalho”, que reúne mais de 2 milhões de assinaturas em apoio à PEC. O senador, que relata a matéria na CCJ, tem dialogado com especialistas em economia digital para garantir que a transição seja viável.

**Análise**

A declaração de Santana insere a discussão trabalhista em um contexto mais amplo de transformação digital. Se por um lado a automação é frequentemente vista como ameaça a postos de trabalho, por outro ela pode ser a chave para redistribuir a carga horária sem comprometer a produção. Países que testaram jornadas de quatro dias (como Islândia e Japão) registraram melhorias na saúde dos funcionários e manutenção dos níveis de produtividade, graças ao uso intensivo de sistemas de TI, robótica colaborativa e plataformas de comunicação assíncrona.

No Brasil, setores como o varejo e a logística já experimentam modelos híbridos apoiados por aplicativos de gestão de escala e IoT (Internet das Coisas) para monitoramento de desempenho. Redes de supermercado, por exemplo, utilizam algoritmos para prever picos de movimento e ajustar o número de funcionários em tempo real, o que permite evitar a escala 6×1 fixa. Indústrias de manufatura avançada também adotam sistemas de manufatura aditiva e robôs autônomos que operam sem pausas, liberando os trabalhadores para funções mais analíticas.

Contudo, a transição enfrenta obstáculos. A maioria das pequenas empresas brasileiras ainda depende de processos manuais e tem baixa maturidade digital. Sem políticas públicas de inclusão tecnológica, a simples aprovação da PEC pode gerar demissões ou informalidade. Por isso, o governo estuda vincular a redução de jornada a programas de digitalização subsidiados, como o Plano de Transformação Digital lançado em 2024.

Outro ponto é o impacto na saúde mental. A tecnologia, quando mal implementada, pode levar à hiperconexão e ao estresse. Estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) indicam que 42% dos trabalhadores remotos no Brasil relatam dificuldade em se desconectar do trabalho, o que torna essencial que a redução de jornada venha acompanhada de regras claras sobre direito à desconexão. A fala de Camilo Santana sinaliza que o governo está atento a essas nuances, ao afirmar que a proposta será “construída com diálogo social e inteligência tecnológica”.

**Fontes**

- Declaração do senador Camilo Santana (PT-CE) em evento público no dia 9 de outubro de 2026, registrada pela Agência Senado. - Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada máxima de trabalho, em tramitação no Senado Federal. - Movimento “Vida Além do Trabalho” (dados coletivos de assinaturas e manifestações públicas). - Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre jornada de trabalho e produtividade. - Pesquisas do IPEA e da FGV sobre automação e trabalho remoto no Brasil. - Relatórios de casos internacionais (Islândia, Japão, Alemanha) sobre redução de jornada com suporte tecnológico.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.