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Em uma sessão marcada por intensos debates, a Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana. A acusação, apresentada pela oposição sob a alegação de suposto envolvimento em esquema de desvio de verbas da usina hidrelétrica binacional de Itaipu, foi derrotada por ampla maioria dos parlamentares presentes. A decisão põe fim, ao menos temporariamente, a uma crise política que ameaçava a estabilidade do governo do presidente Santiago Peña, em um momento delicado das negociações com o Brasil sobre a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu.
**Contexto**
O pedido de impeachment foi protocolado por deputados da oposição no início de outubro, após a divulgação de documentos que, segundo os acusadores, indicariam que Alliana teria atuado para favorecer empresas privadas em contratos de manutenção da usina, quando ainda ocupava o cargo de presidente do Congresso, em 2023. A vice-presidência de Pedro Alliana já era alvo de controvérsias desde sua posse, em 2023, quando vieram à tona denúncias de tráfico de influência e enriquecimento ilícito, todas negadas veementemente pelo político.
A tramitação do impeachment ganhou contornos de crise diplomática quando o governo brasileiro, por meio do Itamaraty, manifestou preocupação com a instabilidade política no Paraguai. O Brasil é o principal parceiro comercial do país vizinho e sócio na usina de Itaipu, que fornece cerca de 10% da energia elétrica consumida no Brasil e quase 90% da energia paraguaia. A renegociação do Anexo C, que define as bases financeiras do tratado, estava em andamento desde 2024, e a paralisação do Congresso paraguaio para processar o impeachment poderia atrasar as conversas.
A sessão de votação se arrastou por mais de 12 horas, com discursos inflamados de ambos os lados. A base governista, que detém maioria na Câmara, argumentou que o pedido era infundado e representava uma tentativa de desestabilizar o governo. O relator da comissão especial, deputado do partido Colorado, apresentou parecer contrário ao impeachment, citando a ausência de provas concretas. A oposição, por sua vez, classificou a rejeição como um ato de "blindagem política" e prometeu recorrer à Justiça.
**Análise**
A rejeição do impeachment de Pedro Alliana consolida o poder do presidente Santiago Peña, que enfrentava o maior teste de governabilidade desde sua eleição. Embora o vice-presidente não tenha uma agenda executiva própria, sua manutenção no cargo evita um vácuo político e preserva a coalizão que sustenta o governo. Para o Paraguai, a decisão sinaliza que o Executivo tem condições de evitar rupturas institucionais, ao menos no curto prazo. No entanto, a oposição, que já havia ameaçado com novas denúncias, deve continuar a usar o tema como bandeira para as eleições gerais de 2028.
Para o Brasil, a decisão tem implicações diretas. A estabilidade política paraguaia é fundamental para a conclusão da revisão do Tratado de Itaipu, que define novos valores de compensação pela energia excedente e prazos de concessão. O governo brasileiro, sob pressão do setor elétrico interno, esperava que as negociações avançassem até o fim de 2026, mas os atritos políticos em Assunção podem ter atrasado o cronograma. Ainda que a rejeição do impeachment afaste o risco de uma crise mais profunda, a desconfiança entre as partes permanece.
Além disso, o episódio expõe a fragilidade das instituições paraguaias diante de acusações de corrupção. A ausência de um processo independente para investigar as denúncias contra Alliana pode enfraquecer a imagem do Paraguai como destino de investimentos estrangeiros. Empresas brasileiras e de outros países que operam no país, especialmente no setor de infraestrutura e agronegócio, acompanham de perto o desfecho, temendo que a instabilidade política gere mudanças bruscas nas regras de negócios.
**Fontes**
As informações foram apuradas com base em comunicado oficial da Câmara dos Deputados do Paraguai, divulgado em seu site institucional, e em reportagens da agência de notícias paraguaia ANP (Agência Nacional de Notícias do Paraguai). Dados adicionais sobre o Tratado de Itaipu foram consultados no site da Itaipu Binacional e em comunicados do Ministério de Relações Exteriores do Brasil. Não foram utilizadas fontes anônimas ou não verificadas.
Por Renan Filho · 2026-11-05