**Lead**
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, em votação simbólica, o projeto de lei que amplia o teto de faturamento anual do Microempreendedor Individual (MEI) e institui um programa de perdão e renegociação de dívidas para pequenos negócios. A proposta, que segue agora para análise do Senado, é uma das medidas mais aguardadas por mais de 15 milhões de empreendedores formalizados no país e promete aliviar o caixa de microempresas e empresas de pequeno porte afetadas pela alta de juros e pela lentidão da atividade econômica.
**Contexto**
O texto aprovado eleva o limite de faturamento do MEI dos atuais R$ 81 mil para um novo patamar estabelecido no relatório final. Também ajusta os critérios de enquadramento de microempresas, que hoje têm teto de R$ 360 mil, e de empresas de pequeno porte, que podem faturar até R$ 4,8 milhões. Além disso, o projeto prevê descontos escalonados para quitação de débitos tributários e parcelamento em condições facilitadas, incluindo redução de juros e multas para quem aderir ao programa dentro do prazo estipulado.
A votação ocorre em meio a um cenário de crescimento moderado da economia, com a inflação sob relativo controle, mas ainda pressionando o custo de vida. Pequenos negócios, que respondem por cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, enfrentam dificuldades de acesso a crédito e alta taxa de inadimplência. Segundo dados públicos de entidades do setor, uma parcela expressiva dos microempreendedores está endividada, em grande parte por causa de empréstimos tomados durante a pandemia e da concentração de tributos sobre o consumo.
O projeto também estabelece regras para a atualização automática do teto pela inflação, o que evitaria que o limite real de faturamento seja corroído a cada ano. Atualmente, o valor de R$ 81 mil não é corrigido anualmente, o que força muitos MEIs a migrarem para categorias superiores de tributação mesmo sem aumento real de receita. A proposta foi construída após negociações entre líderes partidários, representantes de entidades empresariais e técnicos da área econômica.
**Análise**
A aprovação representa um alívio imediato para milhões de pequenos empreendedores, muitos dos quais abandonaram o regime do Simples Nacional por não conseguir manter o faturamento dentro do limite legal. Com o aumento do teto, parte desses negócios pode retornar ao MEI, que oferece carga tributária reduzida e contribuição previdenciária simplificada. O perdão de dívidas, por sua vez, tem potencial para regularizar a situação de empresas que estavam com o registro suspenso ou com dificuldade de emitir notas fiscais, o que reduziria a informalidade e ampliaria a base de arrecadação futura.
O impacto fiscal da medida, no entanto, é objeto de debate. Parlamentares da oposição criticam a renúncia de receitas em um momento de esforço para cumprir o arcabouço fiscal, enquanto o governo argumenta que o estímulo ao pequeno empreendedor pode elevar a arrecadação no médio prazo. A tramitação no Senado será decisiva para definir se o texto final será mantido ou se sofrerá ajustes, especialmente em relação às fontes de compensação para as perdas tributárias.
Especialistas apontam que a medida precisa ser acompanhada de políticas complementares, como ampliação do acesso a crédito produtivo e educação financeira, para gerar efeito sustentável. A elevação do teto, por si só, não resolve problemas estruturais do empreendedorismo brasileiro, como a burocracia excessiva e a instabilidade normativa. Mas ela sinaliza uma agenda de atenção ao pequeno negócio em um momento em que a economia dá sinais de desaceleração, com juros altos e consumo modesto.
**Fontes**
Informações da Agência Câmara de Notícias, do Senado Federal e de portais oficiais do Governo Federal sobre o projeto de lei aprovado no dia 14 de outubro de 2026. Dados de contexto baseados em levantamentos públicos do IBGE, Sebrae e do Ministério da Fazenda sobre participação dos pequenos negócios na economia e indicadores de inadimplência.
Por Renan Filho · 2026-10-15