**Lead**
A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um alerta nesta segunda-feira, 12 de outubro de 2026, sobre os graves riscos que o calor extremo representa para a saúde de grávidas e recém-nascidos no Brasil. O comunicado, divulgado por agências da ONU como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), destaca que as ondas de calor cada vez mais frequentes e intensas no país estão elevando os índices de complicações gestacionais, partos prematuros e mortes neonatais. A entidade pede que o governo brasileiro e as autoridades de saúde adotem políticas específicas para proteger esse grupo vulnerável, incluindo acesso a ambientes climatizados, hidratação adequada e monitoramento contínuo durante os períodos de temperaturas extremas.
**Contexto**
O alerta da ONU ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta uma sequência de ondas de calor recordes, com termômetros ultrapassando os 40°C em diversas regiões, especialmente no Centro-Oeste, Sudeste e Norte. Dados históricos do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indicam que a frequência de dias com temperatura acima de 35°C triplicou nas últimas décadas, fenômeno diretamente associado às mudanças climáticas globais. A ONU ressalta que grávidas são particularmente suscetíveis ao estresse térmico porque o corpo já passa por alterações fisiológicas que dificultam a regulação da temperatura — o aumento do volume sanguíneo, a elevação da taxa metabólica e a retenção de calor placentário tornam a gestante mais vulnerável a desidratação, insolação e pré-eclâmpsia.
Para os recém-nascidos, o perigo é ainda maior. Bebês nos primeiros meses de vida têm um sistema termorregulador imaturo, pele fina e uma relação superfície-volume que favorece a perda ou o ganho rápido de calor. Em ambientes com temperaturas acima de 30°C, o risco de hipertermia, desidratação e infecções respiratórias aumenta significativamente. A ONU cita estudos da OMS que mostram que, em países tropicais, a mortalidade neonatal pode crescer até 15% durante ondas de calor intensas. Embora o Brasil tenha avançado na redução da mortalidade infantil nas últimas décadas, o calor extremo ameaça reverter esses ganhos, especialmente nas regiões mais pobres e com menor infraestrutura de saúde.
O alerta também menciona o impacto indireto do calor na saúde materna. Gestantes expostas a altas temperaturas por períodos prolongados têm maior probabilidade de desenvolver diabetes gestacional, hipertensão e infecções urinárias, condições que podem levar a partos prematuros e baixo peso ao nascer. A ONU destaca que, no Brasil, cerca de 10% dos partos ocorrem antes da 37ª semana — e o calor extremo pode agravar esse índice. Além disso, o estresse térmico afeta a saúde mental das grávidas, aumentando os casos de ansiedade e depressão perinatal, o que compromete o vínculo mãe-bebê e o cuidado neonatal.
**Analise**
A importância desse alerta da ONU vai além do aspecto climático: ele expõe uma falha estrutural na preparação do sistema de saúde brasileiro para lidar com eventos extremos. Embora o país tenha uma rede de atenção primária robusta, com o Programa Saúde da Família e a Estratégia de Saúde da Mulher, poucas unidades estão equipadas com sistemas de refrigeração adequados para enfrentar ondas de calor prolongadas. Salas de parto, enfermarias neonatais e centros de saúde em áreas rurais e periferias urbanas frequentemente carecem de ar-condicionado ou ventilação eficiente, colocando em risco tanto as gestantes quanto os recém-nascidos. A ONU recomenda que o Ministério da Saúde elabore um plano nacional de contingência para ondas de calor, com protocolos específicos para a população materno-infantil, incluindo a distribuição de kits de hidratação, a criação de espaços climatizados emergenciais e a capacitação de profissionais de saúde para identificar sinais de estresse térmico.
Outro ponto crítico é a desigualdade social. Mulheres negras, indígenas e de baixa renda são as mais expostas ao calor extremo, pois vivem em moradias precárias, sem isolamento térmico, e muitas vezes trabalham ao ar livre ou em ambientes sem climatização. A ONU alerta que, sem intervenções direcionadas, o aquecimento global ampliará as disparidades já existentes na saúde materno-infantil no Brasil. O país precisa integrar a adaptação climática às políticas de saúde pública, com investimentos em infraestrutura hospitalar, campanhas de conscientização e sistemas de alerta precoce para ondas de calor. A tendência é que, com o aumento contínuo das temperaturas globais, eventos como o atual se tornem cada vez mais comuns, exigindo uma resposta coordenada entre governos federal, estaduais e municipais.
**Fontes**
- Organização das Nações Unidas (ONU) — comunicado oficial divulgado em 12 de outubro de 2026. - Organização Mundial da Saúde (OMS) — relatórios sobre saúde materno-infantil e mudanças climáticas. - Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) — dados sobre mortalidade neonatal e calor extremo. - Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) — registros históricos de temperaturas no Brasil. - Ministério da Saúde do Brasil — estatísticas de partos prematuros e mortalidade infantil.
Por Renan Filho · 2026-10-12