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Economia

Brent chega a US$ 111, maior nível em 5 meses, e acende alerta no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-20

O barril do petróleo tipo Brent atingiu US$ 111 nesta terça-feira, maior patamar desde maio, pressionado por cortes da Opep+ e tensões geopolíticas. Para o Brasil, o avanço eleva custos de combustíveis e reacende o debate sobre a política de preços da Petrobras.

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O barril do petróleo Brent, referência internacional, atingiu nesta terça-feira (20) o valor de US$ 111, o maior nível em cinco meses. A alta ocorre em meio a cortes de produção coordenados pela Opep+ e ao agravamento de tensões no Oriente Médio, que reduzem a oferta global da commodity. Para o Brasil, o movimento representa um choque de custos que já se reflete nos preços dos combustíveis nas bombas e pressiona a inflação, além de reabrir o debate sobre a política de paridade internacional de preços (PPI) adotada pela Petrobras.

**Contexto**

O Brent opera em trajetória de alta desde setembro, quando a Arábia Saudita e a Rússia anunciaram cortes voluntários adicionais de 1,3 milhão de barris por dia até o fim do ano. A decisão, somada a restrições impostas por sanções ocidentais ao petróleo russo e a interrupções na produção do Iraque, retirou do mercado um volume significativo de oferta. Analistas de mercado apontam que a demanda global, embora moderada pela desaceleração econômica da China e da Europa, ainda supera a oferta disponível, mantendo os estoques mundiais em níveis baixos.

No Brasil, a alta do Brent tem impacto direto sobre a formação de preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha. A Petrobras, que adota a política de paridade de preços internacionais (PPI), ajusta os valores dos combustíveis com base nas cotações do petróleo e do câmbio. Embora a estatal tenha reduzido reajustes nos últimos meses para evitar pressão inflacionária, o novo patamar do Brent aumenta a defasagem em relação ao mercado internacional. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que a gasolina comum já acumula alta de mais de 10% no ano em algumas regiões, e o diesel, essencial para o transporte de cargas, segue trajetória semelhante.

O governo federal, por sua vez, tem evitado interferir diretamente na política de preços da Petrobras, mas estuda mecanismos para amortecer o impacto sobre o consumidor, como a redução de tributos federais (PIS/Cofins) e a utilização de fundos de estabilização. Em outubro, o Ministério da Fazenda sinalizou que monitora a evolução dos preços e que não descarta medidas emergenciais caso o Brent ultrapasse a barreira dos US$ 110 de forma sustentada.

**Análise**

A escalada do Brent para US$ 111 tem implicações profundas para a economia brasileira. Em primeiro lugar, o aumento dos combustíveis pressiona diretamente a inflação, uma vez que os custos de transporte e logística se propagam por toda a cadeia produtiva. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) já registra alta nos grupos de transportes e habitação, e a continuidade da alta do petróleo pode dificultar a convergência da inflação para a meta de 3,25% estabelecida pelo Banco Central para 2026. Isso, por sua vez, reduz o espaço para cortes na taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, e mantém o custo do crédito elevado.

Em segundo lugar, o Brasil, como produtor de petróleo, também se beneficia do preço mais alto. A Petrobras, maior empresa do país, vê sua receita de exportação crescer, o que melhora o saldo da balança comercial e aumenta a arrecadação de royalties e participações especiais para estados e municípios produtores, como Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. No entanto, o efeito líquido sobre a economia é ambíguo: enquanto o setor de óleo e gás ganha, os setores intensivos em energia — como transporte, agricultura e indústria química — perdem competitividade.

Especialistas apontam que, se o Brent se mantiver acima de US$ 110 por um período prolongado, o Brasil pode enfrentar um dilema de política econômica. De um lado, a necessidade de conter a inflação e proteger o poder de compra das famílias; de outro, a pressão do mercado e dos acionistas da Petrobras para que a empresa mantenha a paridade internacional e não subsidie artificialmente os combustíveis. A experiência de 2022, quando o Brent chegou a US$ 130 após a invasão da Ucrânia, mostrou que o governo pode recorrer a medidas fiscais temporárias, mas que o custo político e orçamentário é elevado.

**Fontes**

As informações desta reportagem foram baseadas em dados de mercado divulgados pela Intercontinental Exchange (ICE), relatórios da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), comunicados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e análises de instituições financeiras como o Itaú BBA e o Banco Original. As cotações do Brent foram verificadas em tempo real por plataformas de referência como a Reuters e a Bloomberg.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.