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Brasileiros são eleitos para a Academia Nacional de Ciências dos EUA; veja quem são

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-05

Dois renomados cientistas brasileiros foram eleitos como associados estrangeiros da NAS, reconhecimento máximo da ciência americana. A honraria reflete a crescente contribuição do Brasil para a pesquisa global.

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A Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NAS, na sigla em inglês) anunciou a eleição de dois brasileiros como associados estrangeiros em sua mais recente lista de novos membros. Os pesquisadores Luiz Davidovich, físico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Vanderlan da Silva Bolzani, química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), foram escolhidos por suas contribuições excepcionais em suas áreas. A cerimônia de posse está prevista para o próximo ano, em Washington, D.C. A notícia foi recebida com entusiasmo pela comunidade científica brasileira, que vê no reconhecimento um sinal da qualidade da pesquisa nacional.

**Contexto**

A NAS é uma das instituições científicas mais prestigiadas do mundo, fundada em 1863 pelo presidente Abraham Lincoln. Seus membros são eleitos por pares com base em realizações originais e contínuas na investigação. A categoria de associado estrangeiro é reservada a cientistas que não são cidadãos americanos, mas cujo trabalho tem impacto global. Atualmente, menos de 500 estrangeiros fazem parte da Academia, o que torna a distinção ainda mais seletiva.

Luiz Davidovich é um dos maiores nomes da física quântica no Brasil. Professor titular da UFRJ e membro da Academia Brasileira de Ciências, ele é conhecido por seus estudos sobre emaranhamento quântico e informação quântica. Seu trabalho ajudou a consolidar a área no país e rendeu colaborações com centros de pesquisa nos EUA e na Europa. Vanderlan da Silva Bolzani, por sua vez, é referência em química de produtos naturais. Pesquisadora da Unesp e coordenadora de importantes redes de biodiversidade, ela investiga compostos bioativos da flora brasileira com potencial farmacológico. Sua atuação na interface entre química e biologia tem gerado patentes e parcerias internacionais.

A eleição de ambos ocorre em um momento de debates sobre o financiamento da ciência no Brasil. Nos últimos anos, cortes orçamentários e a pandemia de covid-19 afetaram laboratórios e programas de pós-graduação. Apesar das dificuldades, pesquisadores brasileiros continuam a produzir ciência de ponta, como demonstram as escolhas da NAS. A lista completa de novos membros inclui ainda outros cientistas de países como China, Alemanha e Reino Unido, reforçando o caráter global da Academia.

**Análise**

A inclusão de Davidovich e Bolzani na NAS não é apenas uma honraria individual. Ela sinaliza que a ciência brasileira mantém relevância internacional mesmo em cenários adversos. A área de física quântica, por exemplo, é estratégica para o desenvolvimento de computadores quânticos e criptografia avançada — tecnologias que podem transformar setores como segurança digital e inteligência artificial. Já a química de produtos naturais está diretamente ligada à descoberta de novos medicamentos, um campo em que o Brasil, com sua megabiodiversidade, tem vantagem comparativa.

Além disso, a presença de brasileiros em academias estrangeiras fortalece redes de colaboração e atrai investimentos. Cientistas que recebem esse tipo de reconhecimento frequentemente se tornam pontes entre instituições, facilitando intercâmbios de estudantes e projetos conjuntos. Para o Brasil, isso pode significar acesso a equipamentos de ponta, laboratórios e financiamento que, de outra forma, seriam mais difíceis de obter.

Por outro lado, a notícia também levanta questionamentos sobre a fuga de cérebros. Embora Davidovich e Bolzani mantenham vínculos com universidades brasileiras, muitos pesquisadores de alto nível optam por se fixar no exterior devido a melhores condições de trabalho. A eleição para a NAS pode, paradoxalmente, aumentar a visibilidade desses cientistas e torná-los alvos de convites de instituições estrangeiras. Cabe ao Brasil criar um ambiente que retenha esses talentos, com investimento estável em ciência e carreiras atrativas.

**Fontes**

As informações foram obtidas a partir do comunicado oficial da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NAS), publicado em seu site institucional (www.nasonline.org), e de reportagens de veículos como a Agência FAPESP e o Jornal da USP, que confirmaram a eleição dos pesquisadores. Dados sobre o número de associados estrangeiros e o histórico da NAS estão disponíveis no próprio portal da Academia.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.