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Segurança e saúde lideram pesquisa sobre os maiores problemas do Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-19

Levantamento nacional aponta que violência e crise no sistema público de saúde superam outras preocupações, como economia e corrupção, na avaliação dos brasileiros.

**Lead**

Pesquisa nacional divulgada neste mês mostra que segurança pública e saúde são os dois maiores problemas do Brasil na percepção da população. O levantamento, realizado por instituto com abrangência em todas as regiões do país, reforça um padrão observado nos últimos anos: o medo da violência e a dificuldade de acesso a atendimento médico de qualidade superam temas como desemprego, inflação e corrupção no ranking de prioridades.

A pesquisa ouviu brasileiros de diferentes faixas etárias, rendas e localidades entre os meses de setembro e outubro. Os resultados indicam que a sensação de insegurança, alimentada por crimes violentos, facções e atuação policial, é a principal fonte de preocupação. Em seguida, aparece a saúde, com menções a filas em hospitais, falta de medicamentos e demora no atendimento. A ordem exata dos percentuais não foi divulgada oficialmente, mas o destaque para os dois temas é claro e consistente em todos os recortes regionais.

**Contexto**

O país vive um momento de pressão nos dois setores. Na segurança, dados oficiais de estados como Rio de Janeiro, Bahia e Amazonas mostram disputas de facções criminosas por rotas de tráfico e controle territorial, elevando homicídios e outros crimes violentos em áreas periféricas e capitais. A atuação das forças policiais, marcada por operações de grande porte e recorrentes denúncias de abuso de autoridade, também alimenta o debate público sobre o modelo de segurança adotado.

Na saúde, o cenário é de subfinanciamento crônico do Sistema Único de Saúde (SUS), agravado pelos efeitos da pandemia de covid-19. Apesar de programas como o Mais Médicos e investimentos em atenção primária, a população enfrenta dificuldades para marcar consultas e exames, além da superlotação de emergências em praticamente todas as capitais. O envelhecimento da população e o aumento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, adicionam pressão a uma rede que já opera no limite.

A pesquisa não aponta uma novidade absoluta. Levantamentos anteriores, de institutos como Datafolha e Ipsos, já indicavam segurança e saúde no topo das preocupações dos brasileiros desde pelo menos a primeira metade da década. O que muda é a intensidade: enquanto a economia perdeu força como prioridade em momentos de melhora do emprego, a violência e a saúde se mantêm como problemas estruturais, pouco sensíveis a variações conjunturais.

**Análise**

O resultado acende um alerta para as autoridades em todas as esferas de governo. Em um ano eleitoral, candidatos a governador, presidente e parlamento tendem a concentrar discursos em medidas duras contra o crime, como aumento de efetivo policial, recrudescimento penal e uso de tecnologias de reconhecimento facial. Porém, especialistas apontam que a solução de curto prazo, sem enfrentar as causas da violência, tende a gerar apenas efeitos temporários. A segurança pública brasileira sofre com baixa integração entre polícias, falta de investimento em investigação e um sistema prisional que funciona como escola do crime.

Na saúde, o desafio é igualmente complexo. A população quer acesso rápido e digno, mas a solução não passa apenas por construir novos hospitais ou contratar mais médicos. É preciso ampliar a eficiência da gestão, reduzir desperdícios, fortalecer a atenção primária e criar mecanismos de regulação que diminuam filas. A saúde suplementar, restrita a uma parcela da população, não resolve o problema de quem depende exclusivamente do SUS. A pesquisa mostra, assim, que a agenda pública brasileira permanece refém de dois gargalos históricos: um Estado que não consegue garantir a integridade física em todas as regiões e um sistema de saúde que ainda não atende adequadamente a demanda.

Além disso, a combinação de segurança e saúde no topo é um indicador de desigualdade. As camadas mais vulneráveis são as que mais sofrem com a violência armada e as que mais enfrentam filas nos postos de saúde. Para essas pessoas, o problema do desemprego, por exemplo, aparece depois, porque a vida já está ameaçada por um risco imediato. A pesquisa, nesse sentido, não é apenas um retrato de prioridades, mas um diagnóstico de falhas estruturais do pacto federativo brasileiro, em que estados, municípios e União frequentemente transferem responsabilidades uns aos outros, sem uma coordenação efetiva.

O governo federal, estados e municípios já anunciaram medidas isoladas. Na segurança, há projetos de lei em tramitação para endurecer penas e propostas de criação de um sistema único de segurança pública. Na saúde, o Ministério da Saúde discute ampliar o piso federal de investimentos e melhorar o programa de regulação de leitos. No entanto, a pesquisa serve como um termômetro: a população está impaciente e cobra resultados que vão além do papel. Sem uma reforma profunda na gestão dessas áreas, o Brasil continuará convivendo com o paradoxo de ser uma das maiores economias do mundo e, ao mesmo tempo, um país em que o direito mais básico — viver em paz e ter saúde — ainda não é plenamente garantido.

**Fontes**

A notícia baseia-se em informações preliminares da pesquisa citada, em dados públicos de segurança dos estados e em relatórios do Ministério da Saúde e conselhos de saúde. Para aprofundamento, recomenda-se consulta aos sites do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, DATASUS e ao Anuário Brasileiro de Segurança Pública, além dos informes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.