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Brasil falha na alfabetização e candidatos tropeçam em ideologia e omissão

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-28

Dados do PISA 2022 e da Avaliação Nacional da Alfabetização mostram que o Brasil estagnou no ensino básico. Enquanto isso, candidatos à Presidência evitam o tema ou propõem soluções ideológicas que ignoram a raiz do problema. A falta de alfabetização funcional é uma questão de segurança pública e desenvolvimento econômico que exige ação imediata.

O fracasso que ameaça a segurança nacional

O Brasil enfrenta uma crise silenciosa que transcende os debates eleitorais: a incapacidade de alfabetizar sua população. Segundo o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) de 2022, apenas 4% dos alunos brasileiros atingiram o nível mínimo de proficiência em leitura, contra uma média de 18% nos países da OCDE. Na Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) de 2024, mais de 40% das crianças do 2º ano do ensino fundamental não conseguem ler frases simples. Esses números não são apenas educacionais — são um atestado de fracasso na formação de cidadãos capazes de participar da economia formal, compreender leis e evitar a marginalização que alimenta a criminalidade.

A relação entre analfabetismo funcional e segurança pública é direta. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) indicam que 70% dos presos no Brasil têm menos de oito anos de estudo. A falta de habilidades básicas de leitura e escrita empurra jovens para o subemprego ou para o crime. Enquanto isso, os candidatos à Presidência da República — tanto de esquerda quanto de direita — tratam o tema com omissão ou ideologia rasteira.

Contexto: décadas de políticas fracassadas

O Brasil investe cerca de 5% do PIB em educação, valor próximo à média da OCDE, mas os resultados são pífios. A culpa não é da falta de recursos, mas da má gestão e de métodos pedagógicos baseados em ideologias ultrapassadas. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de 2017, por exemplo, priorizou competências socioemocionais e temas transversais em detrimento da alfabetização sólida. O resultado: alunos que chegam ao 5º ano sem dominar a leitura e a escrita.

A esquerda brasileira, historicamente ligada ao pensamento de Paulo Freire, defende uma educação “libertadora” que muitas vezes substitui o ensino técnico por discussões sobre opressão e identidade. Já a direita, quando toca no assunto, propõe homeschooling ou militarização de escolas — medidas paliativas que não enfrentam o problema estrutural. Nenhum dos principais candidatos apresenta um plano concreto para alfabetizar 100% das crianças até o 2º ano, como fazem Chile e Uruguai.

Análise FORTIS: ideologia e omissão como ameaças reais

O liberal-conservadorismo defende que o Estado deve garantir o mínimo indispensável, e a alfabetização é a base desse mínimo. Sem ela, não há liberdade individual, nem capacidade de escolha. O fracasso brasileiro é resultado de um sistema educacional monopolizado pelo Estado, engessado por sindicatos e capturado por interesses ideológicos. A solução passa por três pilares:

1. **Avaliação independente e meritocracia**: Escolas e professores precisam ser responsabilizados pelos resultados. Países como Singapura e Estônia mostram que testes padronizados e bônus por desempenho elevam a qualidade.

2. **Liberdade de escolha**: Vale-escola e vouchers permitem que famílias optem por escolas privadas ou charter, criando concorrência e pressionando o sistema público a melhorar. Nos Estados Unidos, estados com programas de school choice reduziram o analfabetismo em 15% em cinco anos.

3. **Foco no básico**: Alfabetização e matemática nos primeiros anos, sem distrações ideológicas. O método fônico, comprovado pela neurociência, deve substituir o construtivismo difundido nas universidades brasileiras.

Os candidatos tropeçam porque preferem agradar suas bases a enfrentar os sindicatos e a academia. A omissão é cúmplice do crime: cada criança que sai da escola sem ler é um potencial recruta para o tráfico. A ideologia, por sua vez, transforma a sala de aula em palco de doutrinação, enquanto o aluno não aprende o básico.

**Por que a alfabetização é um problema de segurança?**

Porque a educação é o principal fator de prevenção ao crime. Jovens sem habilidades básicas têm 3 vezes mais chances de se envolver em atividades ilícitas, segundo estudo do Banco Mundial. Além disso, a incapacidade de ler contratos, leis e notícias torna o cidadão vulnerável a fraudes e manipulação.

**O que os candidatos deveriam propor?**

Um plano nacional de alfabetização com metas anuais, baseado em evidências científicas (método fônico), avaliações externas anuais desde o 1º ano, e autonomia para escolas inovarem. Além disso, transparência total nos gastos — hoje, o MEC não consegue dizer quanto custa alfabetizar uma criança.

**Como o livre mercado pode ajudar?**

Permitindo que escolas privadas e organizações sociais concorram com a rede pública. Escolas charter em São Paulo, como as do modelo “Escola da Família”, apresentaram resultados 20% superiores em português. O Estado deve financiar o aluno, não a instituição.

**A esquerda tem alguma proposta viável?**

Até agora, as propostas da esquerda focam em aumentar gastos e incluir pautas identitárias no currículo. Nenhum candidato de esquerda apresentou um plano para erradicar o analfabetismo funcional. A omissão é generalizada.

**E a direita?**

A direita fala em militarização e homeschooling, mas essas medidas são marginais. O candidato Jair Bolsonaro (PL) em 2022 propôs o “Programa Criança Alfabetizada”, que nunca saiu do papel. O atual governo Lula (PT) lançou o “Compromisso Nacional Criança Alfabetizada”, mas com metas vagas e sem mecanismos de cobrança.

**O que o eleitor deve cobrar?**

Exigir propostas claras com metas, prazos e indicadores. Perguntar: “Como o senhor vai garantir que 100% das crianças saibam ler e escrever até os 8 anos?”. Se o candidato responder com generalidades, fuja.

Conclusão: a verdade acima da narrativa

O Brasil não precisa de mais ideologia na educação. Precisa de resultados. A segurança pública começa na sala de aula, com crianças que aprendem a ler. Enquanto os candidatos continuarem tropeçando em discursos vazios, o país seguirá refém da ignorância. Cabe ao eleitor — e à imprensa independente — cobrar ações, não promessas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.