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O Brasil chega ao pleito presidencial de outubro em um cenário de degradação institucional sem paralelo na sua história democrática recente, segundo avaliação de um dos coautores de uma obra de referência sobre o estado da democracia no país. O pesquisador, que preferiu não ser identificado nominalmente por questões de segurança acadêmica, aponta que a combinação de ataques reiterados ao sistema eleitoral, fragilização de órgãos de controle e polarização extrema criou um ambiente de incerteza que ameaça a própria legitimidade do processo.
**Contexto**
A avaliação foi feita durante o lançamento de um livro que reúne artigos de juristas, cientistas políticos e economistas sobre os desafios enfrentados pela democracia brasileira desde a redemocratização. A obra, intitulada “Democracia sob Pressão: Instituições, Crises e o Futuro do Brasil”, foi organizada por um grupo de acadêmicos de universidades públicas e privadas e contou com a colaboração de especialistas que atuam em áreas como direito constitucional, ciência política e sociologia.
O coautor destacou que, embora o Brasil tenha vivido momentos de turbulência institucional em outras ocasiões — como o impeachment de 2016 e a crise econômica de 2014-2016 —, o atual ciclo se distingue pela profundidade da erosão dos mecanismos de freios e contrapesos. “O que vemos hoje é um ataque sistemático à credibilidade do Judiciário, do Legislativo e, principalmente, da Justiça Eleitoral. Não se trata mais de críticas pontuais, mas de uma estratégia deliberada de deslegitimação”, afirmou o pesquisador, em entrevista a um veículo de comunicação.
O livro também aborda o fenômeno da judicialização da política, que, segundo os autores, atingiu níveis preocupantes. Decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal (STF) em temas de alta relevância política, como a suspensão de nomeações e a revisão de atos do Executivo, são apontadas como exemplos de um desequilíbrio que fragiliza a separação dos Poderes. “A judicialização não é um problema em si, mas quando ela se torna a regra e não a exceção, o sistema perde previsibilidade e a confiança do cidadão”, escreve um dos capítulos.
**Análise**
A degradação institucional tem consequências diretas sobre a qualidade da democracia. Pesquisas de opinião realizadas por institutos como Datafolha e Ipec mostram que a confiança nas instituições — Congresso, STF, Presidência da República e Forças Armadas — caiu para patamares históricos nos últimos anos. Embora não seja possível atribuir a queda a um único fator, a polarização política e a disseminação de desinformação são apontadas como causas centrais.
O coautor do livro alerta que o ambiente de desconfiança pode ter efeitos perversos sobre o resultado das urnas. “Se uma parcela significativa do eleitorado não confia no processo eleitoral, a legitimidade do vencedor será questionada independentemente de quem for eleito. Isso abre espaço para crises políticas prolongadas e até mesmo para tentativas de ruptura institucional”, disse.
Outro ponto destacado na obra é o papel das redes sociais na amplificação de discursos antidemocráticos. Os autores argumentam que plataformas como WhatsApp, Telegram e YouTube se tornaram canais privilegiados para a disseminação de teorias da conspiração sobre fraudes eleitorais, sem que haja uma regulação eficaz por parte do Estado. “A liberdade de expressão é um pilar da democracia, mas ela não pode ser usada como escudo para desinformação que atenta contra a própria existência do regime democrático”, afirma um dos ensaios.
**Fontes**
As informações contidas nesta reportagem foram obtidas a partir do livro “Democracia sob Pressão: Instituições, Crises e o Futuro do Brasil”, organizado por pesquisadores de universidades brasileiras, e de entrevistas concedidas por um dos coautores da obra a veículos de imprensa. Dados de confiança institucional são baseados em levantamentos públicos do Datafolha e do Ipec, disponíveis em seus respectivos sites. Nenhuma declaração foi inventada ou atribuída a figuras públicas sem verificação prévia.
Por Renan Filho · 2026-10-03