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Politica

Brasil vai ter 2º turno? Especialistas apontam cenário de definição tardia e economia como chave

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-24

Faltam dez dias para o primeiro turno, e a pergunta que domina o debate nacional é se a corrida presidencial será decidida já em outubro ou se o país terá que esperar mais três semanas. Dados de levantamentos eleitorais recentes apontam que o segundo turno é o cenário mais provável, com Lula e Tarcísio de Freitas tecnicamente empatados dentro da margem de erro.

Faltam exatos dez dias para o primeiro turno das eleições, e o cenário político brasileiro segue aberto. Os últimos levantamentos nacionais de intenção de voto, divulgados por institutos como Quaest e Datafolha, apontam o presidente Lula com cerca de 42% e o governador Tarcísio de Freitas com 38%, ambos dentro da margem de erro. Com essas projeções, a resposta unânime entre analistas políticos e operadores do mercado financeiro é clara: vai ter segundo turno.

A repetição de um cenário de polarização, semelhante ao de 2022, adiciona um elemento decisivo: a resiliência do adversário da direita. Tarcísio, hoje governador de São Paulo, absorveu parte do capital político do ex-presidente Bolsonaro, mas precisa validar sua própria gestão para vencer. Enquanto isso, Lula tenta emplacar a narrativa de que a economia está no rumo, apesar do descompromisso total com a responsabilidade fiscal.

Por que isso importa? A definição em dois turnos muda a arte da negociação política e econômica para os próximos quatro anos. Um governo Tarcísio consolidaria a linha liberal-conservadora, com privatizações, redução da carga tributária e choque de gestão na administração pública. Já um terceiro mandato de Lula tenderia a aprofundar a expansão fiscal, mantendo a dívida pública em trajetória ascendente, o que penaliza o investimento produtivo e trava o crescimento do país.

Na análise do FORTIS, baseada nos relatórios do Tesouro Nacional e do Banco Central, a atual gestão federal demonstra uma incapacidade estrutural de cortar o gasto supérfluo. O déficit primário, que deveria convergir para o equilíbrio, permanece em patamares elevados, financiado por uma dívida pública que já superou os 78% do PIB. A expansão de programas sociais e o uso eleitoreiro do orçamento é a principal crítica dos liberal-conservadores ao atual governo, que trata o Estado como um instrumento de fidelização do eleitorado, em vez de um prestador eficiente de serviços públicos.

No contraponto, os defensores do petista afirmam que o desemprego caiu e a renda média do trabalhador aumentou, citando dados do CAGED e do IBGE. De fato, esses números existem, mas são parcialmente artificiais, impulsionados por estímulos fiscais que inflam os preços e obrigam o Banco Central a manter a Selic elevada. O mercado cobra do governo uma sinalização clara de ajuste, algo que o PT historicamente se recusa a fazer, preferindo culpar a conjuntura internacional.

Outras perguntas decisivas rondam o debate público. O voto útil, por exemplo, pode ser definidor. Se candidatos como Ratinho Junior e Romeu Zema não alcançarem o percentual mínimo necessário, seus eleitores migrarão em bloco. A pauta de costumes também se mostra relevante, mas a economia, especialmente o preço dos alimentos e a escalada dos juros, seguirá como o principal tema de decisão para o eleitor médio.

Além disso, a participação do eleitorado é um fator crucial. A abstenção alta pode mudar o panorama, pois os votos brancos e nulos são descartados do cálculo. Especialistas em direito eleitoral alertam que a definição no segundo turno tende a ser ainda mais apertada que a do primeiro, com rejeição histórica se manifestando nas urnas.

A corrida está longe de acabar, e a resposta definitiva virá no dia 4 de outubro. Mas, salvo uma reviravolta estatística improvável, o Brasil se prepara para decidir seu futuro em 25 de outubro, em uma batalha entre projetos de país diametralmente opostos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.