**Lead**
O Bradesco, um dos maiores bancos privados do Brasil, anunciou nesta quarta-feira (22) um lucro líquido de R$ 7,11 bilhões no terceiro trimestre de 2026, número 14,6% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O resultado veio ligeiramente acima das expectativas do mercado, que projetava ganhos em torno de R$ 7,0 bilhões, segundo a mediana das estimativas coletadas pela Bloomberg. A performance foi puxada pelo crescimento da carteira de crédito, principalmente nas linhas de pessoa jurídica e crédito imobiliário, além de receitas com prestação de serviços e seguros.
**Contexto**
O balanço do Bradesco, divulgado após o fechamento do mercado, mostra que o banco manteve o ritmo de expansão iniciado em meados de 2025, quando a economia brasileira passou a dar sinais mais consistentes de recuperação. A carteira de crédito total atingiu R$ 950 bilhões, crescimento de 8,9% em doze meses. O destaque ficou para o crédito para empresas de médio e grande porte, que avançou 11,2%, e para o financiamento imobiliário, que subiu 9,5%, beneficiado pela queda gradual da taxa básica de juros, a Selic, que no período oscilou entre 11,25% e 10,75% ao ano.
A margem financeira, principal fonte de receita dos bancos, cresceu 7,4%, para R$ 18,1 bilhões, refletindo o maior volume de operações e o repasse de taxas mais altas para novos contratos. A receita de prestação de serviços, que inclui tarifas de contas, cartões e administração de fundos, totalizou R$ 10,2 bilhões, alta de 6,1%, enquanto as receitas de seguros somaram R$ 4,5 bilhões, expansão de 8,3%. Do lado das despesas, o banco conseguiu reduzir as provisões para devedores duvidosos (PDD) em 3,2%, para R$ 6,8 bilhões, reflexo do controle da inadimplência, que caiu de 3,1% para 2,8% na comparação anual.
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, o lucro líquido do Bradesco atingiu R$ 20,34 bilhões, o que representa um crescimento de 12,3% ante os três primeiros trimestres do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), indicador de rentabilidade, ficou em 15,8% no trimestre, ante 14,5% um ano antes, sinalizando maior eficiência operacional. O índice de Basileia, que mede a solidez de capital, manteve-se em 14,2%, confortavelmente acima do mínimo regulatório exigido pelo Banco Central.
**Análise**
O resultado do Bradesco reforça a tendência de recuperação do setor bancário brasileiro, que vinha sendo pressionado por inadimplência e margens mais estreitas desde o ciclo de aperto monetário encerrado em meados de 2025. Com a Selic em trajetória de queda — o Comitê de Política Monetária (Copom) já reduziu a taxa em 1,5 ponto percentual desde o pico —, o banco conseguiu recompor a rentabilidade, especialmente no crédito consignado e no financiamento de veículos, segmentos mais sensíveis aos juros. Analistas de mercado destacam que o controle de despesas operacionais, que subiram apenas 2,3% no trimestre, muito abaixo da inflação, foi crucial para o ganho de eficiência.
No entanto, o ambiente macroeconômico ainda apresenta riscos. A inflação de serviços e alimentos, embora em desaceleração, continua acima do centro da meta, o que pode levar o Copom a interromper os cortes de juros mais cedo do que o esperado. Além disso, o crescimento do crédito para pessoas físicas, que avançou 6,8% no trimestre, ainda é moderado em comparação com o período pré-pandemia, indicando cautela por parte dos consumidores endividados. O Bradesco, por sua vez, sinalizou que deve manter a política de provisionamento conservadora, priorizando a qualidade da carteira em detrimento de ganhos agressivos de market share.
O lucro de R$ 7,11 bilhões no trimestre representa o maior resultado do banco para o período desde 2021, antes do aperto monetário. Para o final de 2026, a expectativa do consenso de mercado é de que o lucro líquido anual do Bradesco fique entre R$ 27 bilhões e R$ 28 bilhões, o que representaria alta de cerca de 10% em relação a 2025. Caso o cenário de inflação comportada e juros em queda se mantenha, o banco pode ainda revisar suas projeções para cima.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas no demonstrativo de resultados do terceiro trimestre de 2026 do Banco Bradesco S.A., divulgado pela instituição em 22 de outubro de 2026, no site de relações com investidores. Dados complementares de mercado e projeções foram obtidos a partir de relatórios da Bloomberg, do Banco Central do Brasil (atas do Copom e relatórios de inflação) e de análises setoriais publicadas por instituições financeiras independentes, como Itaú BBA e Credit Suisse, no período de cobertura do resultado.
Por Renan Filho · 2026-10-22