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Economia

Bradesco continua líder em ranking de reclamações do Banco Central no 3º trimestre de 2026

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-22

O Bradesco permanece no topo das queixas de consumidores no ranking do Banco Central referente ao terceiro trimestre de 2026, repetindo a posição de períodos anteriores. Instituição enfrenta desafios de atendimento e cobranças indevidas.

**Lead**

O Bradesco voltou a ocupar a primeira posição no ranking de reclamações do Banco Central no terceiro trimestre de 2026, mantendo a liderança que já vinha sendo observada nos levantamentos anteriores. O banco, um dos maiores do país em ativos e clientes, segue como a instituição financeira com o maior número de queixas registradas por consumidores, de acordo com os dados consolidados pelo regulador. A informação foi divulgada no boletim trimestral do Banco Central, que lista as instituições com maior volume de reclamações no sistema financeiro nacional.

**Contexto**

O ranking de reclamações do Banco Central é uma ferramenta pública e trimestral que reúne as queixas formalizadas por clientes contra bancos e demais instituições financeiras. O levantamento considera tanto reclamações consideradas procedentes quanto improcedentes, servindo como um termômetro da qualidade do atendimento e da relação das instituições com seus consumidores. O Bradesco, com sua ampla base de clientes, tem aparecido historicamente entre os primeiros colocados, mas nos últimos anos consolidou a liderança em vários períodos consecutivos.

De acordo com analistas do setor, a persistência do banco no topo do ranking não é um fato isolado. Ela reflete uma combinação de fatores estruturais e conjunturais, como a complexidade dos produtos oferecidos, o alto volume de operações de crédito e cartões, e as dificuldades na resolução de demandas em canais de atendimento. As reclamações mais comuns envolvem cobranças indevidas, demora na solução de problemas, tarifas não autorizadas e dificuldades de contato com os canais de suporte. Embora o Banco Central não divulgue números específicos de cada instituição no resumo público trimestral, a tendência de liderança do Bradesco é consistente com relatórios de órgãos de defesa do consumidor e com a percepção de especialistas.

O cenário ganha relevância em um momento em que o mercado financeiro discute a necessidade de aprimoramento das práticas de governança e de relacionamento com clientes. A agenda ESG — ambiental, social e de governança — tem pressionado os grandes bancos a adotarem métricas mais rigorosas de satisfação do consumidor. O Bradesco, em seus relatórios anuais, afirma investir em tecnologia e em canais digitais para melhorar a experiência do cliente, mas os resultados no ranking do Banco Central indicam que ainda há um longo caminho a percorrer.

**Análise**

A manutenção do Bradesco na liderança do ranking de reclamações tem implicações diretas para a instituição e para o mercado. Primeiro, do ponto de vista reputacional, a posição recorrente no topo das queixas pode afetar a confiança de consumidores e investidores. Em um ambiente de alta competitividade, com a entrada de fintechs e bancos digitais oferecendo serviços mais ágeis e transparentes, a insatisfação com um banco tradicional como o Bradesco pode representar perda de participação de mercado no médio e longo prazo.

Segundo, há um impacto financeiro potencial. Reclamações procedentes podem resultar em indenizações, multas aplicadas pelo Banco Central e custos administrativos adicionais. Além disso, o regulador pode impor sanções, como a proibição temporária de venda de determinados produtos ou a obrigatoriedade de medidas corretivas. Isso pode comprometer a eficiência operacional e a rentabilidade do banco, que já enfrenta um cenário macroeconômico desafiador.

Por outro lado, a análise do ranking deve ser feita com cautela. Especialistas apontam que o volume de reclamações também é proporcional ao tamanho da base de clientes. Quanto maior o número de correntistas, maior é a probabilidade de surgirem queixas, mesmo que o percentual de clientes insatisfeitos seja relativamente pequeno. Ainda assim, o Bradesco precisa demonstrar que está adotando medidas efetivas para reduzir os índices de insatisfação. A implementação de canais de atendimento mais eficientes, a simplificação de contratos e a agilidade na resolução de disputas são algumas das frentes que podem mudar o cenário nos próximos trimestres.

O destaque negativo recorrente também acende um alerta para o setor como um todo. Os grandes bancos brasileiros têm sido alvo de críticas em relação às práticas comerciais e ao tratamento dispensado aos consumidores mais vulneráveis. O ranking do Banco Central, nesse sentido, funciona como um instrumento de transparência e pressão social. A tendência é que, com o avanço da regulação e o fortalecimento dos órgãos de defesa do consumidor, as instituições financeiras sejam cada vez mais cobradas por melhores práticas. O Bradesco, como líder do ranking, torna-se o principal exemplo dessa cobrança, e sua reação será observada de perto pelo mercado.

**Fontes**

- Banco Central do Brasil – Ranking de Reclamações. - Federação Brasileira de Bancos (Febraban). - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.