O candidato Guilherme Boulos, do PSOL, iniciou uma verdadeira maratona eleitoral pelas periferias de São Paulo e sua região metropolitana a bordo de uma van adaptada. A estratégia, batizada de “Caravana do Lula”, tem como objetivo explícito pedir votos para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visando o pleito presidencial de 2026. Enquanto a imprensa tradicional elogia a “capilaridade” da ação, o FORTIS NEWS avalia os números e o contexto real dessa iniciativa.
A van, equipada com som, faixas e uma equipe reduzida, percorreu bairros como Brasilândia, Capão Redondo, Itaquera e cidades do ABCD, Osasco e Guarulhos. Boulos utiliza um discurso de “identidade de classe” e “necessidade de um governo que olhe para os pobres”, mas o fato é que a mesma periferia que o elegeu deputado federal com 1 milhão de votos em 2022 hoje enfrenta uma inflação de alimentos superior a 7% no acumulado de 2025, segundo dados do IPCA-IBGE publicados em agosto de 2025. A contradição entre a retórica da van e a realidade do bolso é o ponto central desta análise.
**Contexto:**
A iniciativa de Boulos ocorre em um momento em que Lula enfrenta uma erosão significativa de sua base eleitoral nas periferias. Pesquisa Datafolha de setembro de 2025 (encomendada pela Globo e publicada em 18/09/2025) mostra que a aprovação do governo Lula caiu para 38% entre os eleitores com renda de até 2 salários mínimos, contra 52% no início de 2024. A van, portanto, tenta reverter um processo de desencanto. Boulos, que representa a ala mais à esquerda do petismo, tenta usar sua imagem de “militante de base” para resgatar a confiança perdida.
A rota incluiu paradas em terminais de ônibus e feiras livres, onde Boulos fez discursos de curta duração (média de 8 minutos, segundo a equipe de campanha). O transporte público, ainda caótico na capital e na região metropolitana, foi um dos temas centrais. Mas é preciso questionar: quantos dos que ouvem Boulos pagam R$ 5,20 na passagem de ônibus enquanto o preço do gás de cozinha atingiu R$ 110 em setembro de 2025, conforme a ANP (Agência Nacional do Petróleo)? O discurso da van soa vazio diante do custo de vida.
**Análise FORTIS:**
Sob a ótica liberal-conservadora, essa movimentação de Boulos é um sintoma claro do esgotamento do modelo estatista que o PT representa. A van percorre bairros onde o empreendedorismo individual é sufocado pela carga tributária e pela burocracia. Dados do Sebrae (2025) indicam que 78% dos pequenos negócios nas periferias de SP fecharam ou estão endividados. Ao invés de propor cortes de impostos ou desburocratização, o discurso de Boulos é de mais gasto público e controle estatal.
A verdade, que o FORTIS NEWS não esconde, é que a periferia não precisa de uma van de propaganda; precisa de liberdade econômica. O governo Lula, com deficit primário projetado em 1,5% do PIB para 2025 (Tesouro Nacional, relatório de agosto), já comprometeu o orçamento com programas assistenciais que geram dependência, em vez de incentivar a autonomia. Boulos pede votos para um candidato que defende a volta da CPMF e o aumento de impostos sobre heranças e grandes fortunas – medidas que penalizam justamente a classe média baixa e os microempreendedores das periferias.
Outro ponto crucial: a segurança nas periferias. Enquanto Boulos discursa, os moradores convivem com a escalada da violência. A SSP-SP registrou alta de 14% nos roubos na região metropolitana no primeiro semestre de 2025 (boletim de julho). O candidato do PSOL não apresenta soluções efetivas – defende a desmilitarização das polícias, posição rejeitada pela maioria dos moradores de áreas violentas, que pedem mais presença policial, não menos. A van de Boulos é um veículo de utopia, não de soluções reais.
Finalmente, o aspecto midiático: Boulos tenta surfar na narrativa de “autenticidade”, mas a van é uma peça de marketing caríssima. Cada litro de diesel e cada hora de equipe técnica custam caro – e quem paga a conta, no fim, é o contribuinte, via fundo eleitoral. Um levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de agosto de 2025 mostra que a coligação de Lula já gastou R$ 12 milhões em viagens e eventos. A van não é ativismo; é custo.
**1. Boulos está na van para pedir votos para Lula ou para se promover?** Ambos. A van é uma vitrine para a pré-candidatura de Boulos a deputado federal em 2026, mas a justificativa oficial é a campanha de Lula. O eleitor periférico, contudo, desconfia: pesquisa Quaest de setembro (2025) mostra que 63% dos moradores de periferia de SP acham que Boulos “usa a imagem dos pobres para se eleger”.
**2. O que Lula já fez pelas periferias de SP no seu governo atual?** Programas como o Minha Casa Minha Vida retomado e o Bolsa Família ampliado são os principais legados. Contudo, o custo de vida subiu. Em setembro de 2025, a cesta básica em São Paulo custava R$ 850,00 (DIEESE), 9% mais cara que em 2024. A renda média nas periferias cresceu apenas 2% no período.
**3. Van de Boulos é eficaz como estratégia eleitoral?** Em termos de alcance, sim – ele fala diretamente com o eleitorado. Mas em termos de conversão, não. O Datafolha de 2025 indica que a vantagem de Lula nas periferias caiu de 28 pontos para 14 pontos percentuais em relação a 2022. A van não está conseguindo reverter a tendência.
**4. Qual a crítica liberal a essa abordagem?** A crítica central é que a van promete mais do mesmo: estado grande, impostos altos e controle centralizado. O liberalismo defende que a periferia se desenvolve com menos burocracia, mais segurança jurídica e liberdade para empreender. A van de Boulos é o símbolo de um modelo fracassado.
**5. O que o eleitor periférico pensa de verdade?** Segundo entrevistas realizadas pelo Instituto Locomotiva (2025, encomendadas por associações comerciais), 71% dos moradores de periferia acreditam que “o governo gasta mal o dinheiro público”. A van, para muitos, é um gasto supérfluo em uma campanha que poderia ser mais enxuta.
Por Renan Filho · 2026-09-27