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Politica

Boulos reúne lobby anti-militar para sabotar modelo de excelência nas escolas públicas

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-22

Em encontro fechado com entidades historicamente alinhadas à esquerda, o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) articula ofensiva contra as escolas cívico-militares, modelo que já reduziu evasão e violência em diversos estados. O movimento ignora evidências e prioriza ideologia.

O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) promoveu, na última quarta-feira, um painel restrito com representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE), da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O objetivo declarado, segundo nota divulgada pelo próprio parlamentar em suas redes sociais, foi "construir uma frente ampla contra a militarização das escolas públicas". O encontro ocorreu em um auditório na Câmara dos Deputados, sem transmissão ao vivo e com acesso controlado.

A reunião acontece em um momento em que o programa de escolas cívico-militares, instituído pelo governo federal em 2019 e ampliado por gestões estaduais, acumula resultados positivos mensuráveis. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) indicam que, nas unidades participantes, a taxa de abandono escolar caiu em média 40% e os índices de violência registraram redução superior a 60% nos dois primeiros anos de implantação. Apesar disso, Boulos e as entidades convocadas classificam o modelo como "autoritário" e "incompatível com a democracia".

Por que isso importa. O Brasil enfrenta uma crise crônica na educação básica. Segundo o último PISA, o país ocupa a 53ª posição em leitura entre 79 nações avaliadas, e a taxa de jovens de 15 a 17 anos fora da escola chega a 12%, conforme o IBGE. As escolas cívico-militares surgiram como uma alternativa concreta para disciplinar o ambiente escolar e resgatar o foco no aprendizado, combinando gestão militar com currículo civil. O modelo não impõe doutrinação — ao contrário, exige respeito à hierarquia e às regras, algo que qualquer instituição que preza pela liberdade individual deveria defender.

A ofensiva de Boulos, portanto, não é um debate técnico. É uma cruzada ideológica contra qualquer estrutura que desafie o monopólio pedagógico da esquerda. Em declaração à imprensa após o painel, o deputado afirmou que "escola não é quartel" e que "a presença de militares na educação representa um risco à formação crítica dos alunos". A fala ignora que a formação crítica pressupõe, antes de tudo, um ambiente onde se possa aprender sem medo de agressões ou de interrupções constantes — algo que as escolas convencionais, em regiões periféricas, raramente oferecem.

Análise FORTIS. A reunião de Boulos com a UNE, a CNTE e o MST revela o verdadeiro incômodo: a perda de influência sindical e partidária sobre o currículo escolar. As escolas cívico-militares são geridas por profissionais que não se curvam a greves políticas nem a pautas identitárias impostas por grupos organizados. O modelo prioriza meritocracia, disciplina e resultados — valores que o establishment educacional brasileiro trata como tabu. Enquanto isso, a CNTE, que esteve presente no encontro, defende abertamente a "escola sem partido" como um perigo à democracia, mas não hesita em usar a máquina pública para promover agendas partidárias.

O cálculo político de Boulos é claro: ao se aliar a entidades que historicamente boicotaram reformas educacionais baseadas em evidências, ele tenta construir uma narrativa de resistência para as eleições de 2026. O PSOL, partido do deputado, vê nas escolas cívico-militares um símbolo do governo Bolsonaro que precisa ser apagado, independentemente dos resultados. A estratégia, no entanto, esbarra em um fato incômodo: pesquisas de opinião realizadas pelo Datafolha em 2023 mostraram que 67% dos brasileiros aprovam o modelo, inclusive entre eleitores autodeclarados de esquerda.

Contraponto. Os críticos argumentam que a presença de militares na educação estimula a obediência cega e inibe a criatividade. Em artigo publicado no site da UNE, a entidade afirma que "as escolas cívico-militares preparam alunos para serem soldados, não cidadãos". A acusação é retórica e carece de comprovação. Nos estados onde o programa foi implementado, como Goiás e Distrito Federal, o desempenho em matemática e português nas provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) superou a média estadual. Alunos dessas escolas também apresentaram menor índice de reprovação.

Outro ponto levantado pelos opositores é o custo adicional do modelo, que exige infraestrutura e pagamento de militares da reserva. Mas o argumento ignora que o custo por aluno em escolas cívico-militares é, em média, apenas 15% maior que o das escolas regulares, enquanto o retorno em redução de violência e evasão gera economia futura para o sistema prisional e de assistência social. Trata-se de investimento, não de gasto.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.