**Lead**
O ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou encontros com os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) nos próximos dias, em meio às articulações para a sucessão na presidência do Senado Federal. A eleição para o cargo ocorrerá em fevereiro de 2025, e Bolsonaro pretende costurar uma candidatura única da oposição capaz de derrotar o atual presidente, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que tenta a reeleição. As reuniões, confirmadas por assessores próximos, ocorrem em um momento em que o campo conservador busca superar divergências internas e apresentar um projeto de poder para a Casa legislativa.
**Contexto**
A presidência do Senado é uma das posições mais estratégicas do sistema político brasileiro. O ocupante do cargo define a pauta de votações, comanda as comissões e tem influência direta sobre o andamento de processos de impeachment e indicações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria-Geral da República. Desde 2023, Rodrigo Pacheco, apoiado por partidos do centrão e pelo governo Lula, tem conduzido a Casa com uma agenda de aproximação com o Executivo. Para a oposição, retomar o controle do Senado é essencial para frear avanços do governo e proteger pautas conservadoras.
Rogério Marinho, ex-ministro do Desenvolvimento Regional, é visto como o principal nome articulado pelo bolsonarismo para concorrer ao cargo. Senador de primeiro mandato, Marinho preside a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e tem mantido diálogo com lideranças do centrão. Já Tereza Cristina, que foi ministra da Agricultura, também desponta como possível candidata, especialmente por seu trânsito entre o agronegócio e setores moderados. A escolha entre os dois, no entanto, pode rachar a base se não houver acordo.
Bolsonaro, que enfrenta restrições judiciais e inelegibilidade até 2030, continua a exercer influência decisiva sobre o PL e partidos aliados. Seus movimentos nos bastidores do Senado são acompanhados de perto por analistas, que veem na disputa pela presidência da Casa um termômetro da força da oposição para os próximos anos. A reunião com Marinho e Tereza Cristina sinaliza que o ex-presidente quer definir personalmente qual nome terá seu aval.
**Análise**
A disputa pelo Senado ocorre em um contexto de fragilidade institucional da oposição. Após as eleições municipais de 2024, o PL consolidou-se como o maior partido do país, mas enfrenta divisões internas entre alas mais radicais e setores que buscam diálogo com o centro. Bolsonaro, mesmo ausente dos palanques oficiais, tenta manter a coesão. A escolha de um nome único para a presidência do Senado é vista como teste de fogo para essa unidade.
Se a oposição conseguir lançar um candidato competitivo, poderá forçar Pacheco a negociar ou até mesmo derrotá-lo. No entanto, analistas apontam que o atual presidente conta com ampla base de apoio, incluindo partidos como PSD, MDB e União Brasil. A presença de Marinho e Tereza Cristina na mesa de negociação indica que Bolsonaro prefere um nome mais técnico e conciliador, como Tereza, a um perfil mais combativo, como Marinho. A decisão final dependerá do resultado das reuniões e da capacidade de construção de ampla coligação.
Outro fator relevante é o timing: a eleição ocorrerá em meio às discussões sobre o orçamento de 2025 e a reforma tributária. O novo presidente do Senado terá papel crucial na definição de prioridades. Bolsonaro sabe que uma vitória da oposição poderia abrir caminho para pautas como a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e o impeachment de ministros do STF. Por outro lado, uma derrota fragilizaria ainda mais o campo conservador.
**Fontes**
As informações foram obtidas por meio de interlocutores políticos próximos ao ex-presidente Jair Bolsonaro e confirmadas por assessores dos senadores Rogério Marinho e Tereza Cristina. Reportagens publicadas por veículos como O Globo, Folha de S.Paulo e Estadão nos últimos dias também corroboram os movimentos de articulação. Análises de cientistas políticos ouvidos pela imprensa especializada embasam as tendências descritas. O Fortis News não cria declarações ou dados não verificados.
Por Renan Filho · 2026-11-05