**Lead**
O ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou encontro com o senador Rogério Marinho (PL-RN) e com a ex-ministra Tereza Cristina (PL-MS) para discutir o cenário político-eleitoral de 2026, com foco na disputa por uma vaga no Senado Federal. A reunião, que deve ocorrer nos próximos dias em Brasília, ocorre em meio a articulações internas do Partido Liberal (PL) para definir quais nomes disputarão as eleições proporcionais e majoritárias. A informação foi confirmada por assessores próximos ao ex-presidente.
**Contexto**
Rogério Marinho, atualmente senador pelo Rio Grande do Norte, é um dos principais nomes do PL para concorrer ao governo do estado ou tentar a reeleição ao Senado. Já Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura e atualmente deputada federal, é cotada para disputar o Senado por Mato Grosso do Sul. Ambos são aliados históricos de Bolsonaro e integram a ala mais conservadora do partido.
A reunião ocorre em um momento de indefinição sobre a estratégia do PL para as eleições de 2026. O partido, que hoje conta com a maior bancada na Câmara dos Deputados e uma das maiores no Senado, busca consolidar candidaturas que possam ampliar sua influência no Legislativo. A disputa por uma vaga no Senado é particularmente relevante, pois a casa legislativa tem papel central na aprovação de pautas econômicas e nomeações para o STF.
Nos bastidores, aliados de Bolsonaro pressionam por uma definição rápida, já que o calendário eleitoral exige que os partidos realizem convenções até julho de 2026. A reunião com Marinho e Tereza Cristina é vista como uma tentativa de alinhar discursos e evitar rachas internos, especialmente após as recentes movimentações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que também é cotado para disputar o Senado ou a Presidência.
**Análise**
A convocação de Bolsonaro para discutir a disputa pelo Senado sinaliza que o ex-presidente pretende manter-se como principal articulador político da direita brasileira, mesmo após a inelegibilidade imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Embora não possa disputar cargos eletivos até 2030, Bolsonaro continua influenciando as decisões do PL e de partidos aliados, especialmente em estados onde sua popularidade segue alta.
A escolha entre Marinho e Tereza Cristina para compor a chapa ao Senado pode ter impacto direto na correlação de forças no Congresso. Ambos são figuras com forte apelo junto ao agronegócio e às pautas conservadoras, mas representam regiões diferentes do país. Marinho, do Nordeste, pode ajudar a ampliar a presença do PL em uma região historicamente dominada por partidos de esquerda. Já Tereza Cristina, do Centro-Oeste, consolida a base ruralista que já é majoritária no partido.
A reunião também ocorre em um contexto de negociações para a formação de uma federação partidária entre PL, PP e Republicanos, o que poderia alterar significativamente o cálculo eleitoral para o Senado. Se a federação for aprovada, as vagas para a casa legislativa serão disputadas em conjunto, exigindo ainda mais coordenação entre os líderes.
**Fontes**
As informações foram obtidas junto a assessores do ex-presidente Jair Bolsonaro, do senador Rogério Marinho e da deputada federal Tereza Cristina, que falaram sob condição de anonimato por não estarem autorizados a divulgar detalhes da reunião. Dados sobre o calendário eleitoral e as regras de federações partidárias foram consultados no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Por Renan Filho · 2026-11-05