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O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, sofreu uma queda expressiva no primeiro pregão após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento foi o quinto maior recuo percentual desde a implementação do Plano Real, em 1994, segundo dados históricos da B3. Investidores reagiram com forte aversão ao risco diante das incertezas sobre a política fiscal e econômica do novo mandato, que terá início em janeiro de 2027.
**Contexto**
A reeleição de Lula foi confirmada no último domingo, após uma campanha marcada por polarização e debates sobre o rumo da economia. O mercado financeiro já vinha monitorando de perto as propostas do governo, especialmente no que diz respeito ao controle de gastos públicos, à reforma tributária e ao papel do Estado na economia. Nos dias que antecederam o pleito, o Ibovespa já apresentava volatilidade, mas a reação pós-eleição foi mais intensa do que a maioria das projeções.
A queda registrada nesta segunda-feira superou, em termos percentuais, movimentos como os observados durante a crise de 2008, o impeachment de Dilma Rousseff em 2016 e a pandemia de Covid-19 em 2020. Apenas eventos como o crash de 1997 (crise asiática), a maxidesvalorização de 1999, o estouro da bolha das pontocom em 2000 e a crise de 2008 tiveram recuos maiores. O dado coloca o pregão de hoje entre os mais negativos da história recente do mercado de capitais brasileiro.
O volume financeiro negociado também foi elevado, com forte concentração de ordens de venda em ações de empresas estatais e de setores regulados. Papéis da Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras lideraram as perdas, refletindo o temor de maior intervenção governamental. O dólar comercial, por sua vez, disparou, ultrapassando a marca de R$ 6,00 pela primeira vez desde o início do ano, pressionando ainda mais as expectativas inflacionárias.
**Análise**
A reação do mercado não surpreende analistas que acompanham o cenário político-econômico. A reeleição de Lula, embora esperada por parte do eleitorado, trouxe à tona preocupações sobre a continuidade do arcabouço fiscal aprovado em 2023 e a possibilidade de aumento dos gastos públicos sem contrapartidas de receita. Durante a campanha, o presidente sinalizou a intenção de ampliar programas sociais e investimentos em infraestrutura, mas não detalhou fontes de financiamento sustentáveis no longo prazo.
Além disso, a composição do novo Congresso Nacional, que manterá uma maioria de centro-direita, deve gerar embates em torno de pautas econômicas. A falta de clareza sobre a equipe econômica que comandará o segundo mandato também contribui para a incerteza. O mercado aguarda definições sobre o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central, cujos mandatos coincidem com o início do novo governo.
O impacto da queda não se limita ao mercado acionário. A desvalorização dos ativos brasileiros pode encarecer o custo de captação de recursos para empresas e para o próprio governo, além de pressionar a inflação via câmbio. Investidores estrangeiros, que já vinham reduzindo exposição ao Brasil nos últimos meses, podem acelerar a saída de capital, o que agravaria a situação fiscal.
**Fontes**
Dados históricos da B3 (Bolsa de Valores do Brasil); relatórios de corretoras como XP Investimentos, BTG Pactual e Itaú BBA; análise do mercado financeiro publicada por veículos como Valor Econômico e Bloomberg Línea; comunicados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o resultado das eleições.
Por Renan Filho · 2026-10-30