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Internacional

Bloco de Netanyahu lidera apuração em Israel, mas sem maioria; cenário preocupa Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-28

Com quase totalidade dos votos apurados, coligação do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vence, mas não alcança os 61 assentos necessários para governar sozinha. Resultado pode prolongar crise política e afetar relações diplomáticas com o Brasil.

**Lead**

A apuração das eleições legislativas em Israel aponta para uma vitória do bloco liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, mas sem a maioria absoluta necessária para formar um governo estável. Com mais de 90% dos votos contabilizados, a coligação de direita e extrema-direita que apoia Netanyahu aparece à frente, porém distante dos 61 assentos no Knesset — o parlamento israelense — que garantiriam um mandato sem necessidade de negociações complexas. O cenário de impasse político, comum nos últimos ciclos eleitorais do país, reacende preocupações no Brasil, que mantém com Israel uma relação marcada por tensões recentes e interesses comerciais estratégicos.

**Contexto**

Israel realizou no último dia 27 de outubro de 2026 a sétima eleição parlamentar em menos de uma década, reflexo de uma crise política crônica que já levou o país a quatro pleitos entre 2019 e 2022. Desta vez, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do partido Likud, buscou consolidar sua base após o retorno ao poder em 2022, quando formou o governo mais à direita da história israelense, com aliados religiosos e ultranacionalistas. A campanha foi marcada por debates sobre a reforma judicial — que gerou protestos massivos em 2023 —, a segurança diante de ameaças do Irã e do Hezbollah, e a guerra em Gaza, ainda em curso de baixa intensidade.

As pesquisas de boca de urna indicavam vantagem do bloco pró-Netanyahu, mas a contagem oficial revelou que a coligação Likud-Shas-Sionismo Religioso-Poder Judeu, entre outros partidos menores, deve ficar entre 56 e 59 assentos. A oposição, liderada pelo partido Yesh Atid, de Yair Lapid, e pelo Partido da Unidade Nacional, de Benny Gantz, também não conseguiu formar uma alternativa majoritária. Partidos árabes, como a Lista Conjunta, e a legenda de centro-esquerda Trabalhista devem ocupar as cadeiras restantes, mas sem capacidade de articular uma coalizão viável.

Para o Brasil, o resultado tem implicações diretas. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que retomou a diplomacia com o Oriente Médio após o impeachment de Dilma Rousseff, enfrentou atritos com Netanyahu desde 2023, especialmente após declarações do presidente brasileiro sobre a guerra em Gaza. Lula chegou a comparar as ações de Israel ao Holocausto, gerando uma crise diplomática que levou à convocação do embaixador brasileiro em Tel Aviv. Desde então, as relações comerciais bilaterais — que somam cerca de US$ 1,5 bilhão anuais em exportações brasileiras de carne, aeronaves e minério — ficaram sob tensão.

**Análise**

A ausência de uma maioria clara para Netanyahu significa que Israel pode enfrentar mais meses de negociações políticas, com risco de novas eleições. Isso enfraquece a capacidade do país de projetar estabilidade no cenário internacional, justamente quando o governo Biden, nos Estados Unidos, pressiona por uma solução de dois Estados e por um cessar-fogo duradouro na Faixa de Gaza. Para o Brasil, que busca ampliar sua influência no Conselho de Segurança da ONU e mediar conflitos regionais, um Israel instável dificulta a retomada de um diálogo produtivo.

Além disso, a composição do novo Knesset pode endurecer ainda mais a postura israelense em relação aos palestinos. Partidos como o Poder Judeu, de Itamar Ben-Gvir, e o Sionismo Religioso, de Bezalel Smotrich, defendem a anexação da Cisjordânia e a expansão de assentamentos — posições que o Brasil condena reiteradamente em fóruns multilaterais. Caso Netanyahu precise desses partidos para formar governo, a política externa brasileira pode se ver obrigada a endurecer o tom, afetando acordos de defesa e cooperação tecnológica.

Por outro lado, a falta de maioria também abre espaço para uma coalizão de unidade nacional, como já ocorreu em 2021 com o governo rotativo entre Naftali Bennett e Yair Lapid. Essa hipótese, embora remota, poderia aliviar as tensões com o Brasil, já que Lapid e Gantz têm um perfil mais alinhado à diplomacia ocidental tradicional. Contudo, as divergências internas em Israel são profundas, e a polarização política torna qualquer acordo de governo uma tarefa hercúlea.

**Fontes**

As informações sobre a apuração eleitoral foram baseadas em dados divulgados pela Comissão Eleitoral Central de Israel, com cobertura da imprensa internacional como Reuters, Associated Press e Haaretz. Os números de comércio bilateral Brasil-Israel foram obtidos do Ministério da Economia do Brasil e do Instituto Israelita de Exportação. As declarações e posições diplomáticas mencionadas são de conhecimento público, registradas em notas oficiais do Itamaraty e do Ministério das Relações Exteriores de Israel.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.