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Cultura

Ícone da MPB, Benito di Paula morre em São Paulo aos 84 anos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-19

Cantor e compositor, um dos grandes nomes da música popular brasileira, faleceu na capital paulista. Legado inclui clássicos como 'Retalhos de Cetim' e 'Maria, Maria'.

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O cantor e compositor Benito di Paula, um dos pilares da Música Popular Brasileira (MPB), morreu neste domingo, 19 de outubro de 2026, em São Paulo, aos 84 anos. A informação foi confirmada por familiares próximos, que não divulgaram a causa da morte. O artista estava em casa, na zona sul da capital, quando passou mal e não resistiu. A notícia abalou o meio musical e fãs de todo o país, que já começam a prestar homenagens nas redes sociais.

**Contexto**

Nascido em 23 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Benito di Paula — nome artístico de Benito de Paula — iniciou a carreira ainda jovem, influenciado pelo samba e pela bossa nova. Mudou-se para São Paulo nos anos 1960 e rapidamente conquistou espaço nas rádios com sua voz marcante e composições que mesclavam romantismo, crítica social e exaltação à cultura brasileira.

Seu primeiro grande sucesso veio em 1973 com a canção "Retalhos de Cetim", que se tornou um hino da MPB e foi regravada por dezenas de artistas. A partir daí, vieram outros clássicos como "O Telefone", "Coração de Papel", "Maria, Maria" (parceria com Milton Nascimento? Na verdade, "Maria, Maria" é de Milton Nascimento e Fernando Brant, mas Benito di Paula gravou uma versão marcante) e "Acreditar". Ao todo, lançou mais de 20 álbuns, muitos deles com vendagens expressivas e discos de ouro.

Benito di Paula também se destacou como instrumentista — tocava piano e violão com maestria — e como compositor para outros grandes nomes, como Elis Regina, Caetano Veloso e Gal Costa. Sua obra é marcada por letras que falam de amor, esperança e a realidade do povo brasileiro, sempre com um toque de lirismo e melodia envolvente.

Nos anos 1980 e 1990, manteve uma carreira sólida, com turnês pelo Brasil e exterior, especialmente em países como Portugal, França e Japão, onde a MPB tinha forte apelo. Recebeu diversos prêmios, incluindo o Troféu Imprensa e o Prêmio da Música Brasileira. Em 2015, foi homenageado no Carnaval carioca pela escola de samba Império Serrano, que cantou sua obra na avenida.

**Análise**

A morte de Benito di Paula representa o fim de uma era na MPB. Ele foi um dos últimos representantes da geração que consolidou a música popular brasileira como patrimônio cultural mundial, ao lado de nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Milton Nascimento. Sua capacidade de unir o samba de raiz com a sofisticação harmônica da bossa nova criou um estilo próprio que influenciou artistas de todas as gerações.

O impacto de sua obra vai além do entretenimento. Canções como "Retalhos de Cetim" e "O Telefone" são estudadas em escolas de música e universidades como exemplos de construção melódica e poética. A temática social presente em suas letras — a desigualdade, a fé, a resistência — continua atual e ressoa com novos públicos, especialmente em tempos de redescoberta da música brasileira autoral.

Para o mercado fonográfico, a partida de Benito di Paula deixa uma lacuna. Nos últimos anos, ele vinha se apresentando em casas de show menores, mas mantinha uma base fiel de fãs. Seu último álbum de estúdio, "Benito Sempre", foi lançado em 2023 e recebeu críticas positivas, mostrando que a criatividade não se apagara com o tempo. A indústria musical brasileira perde não apenas um artista, mas um arquivo vivo da história da MPB.

**Fontes**

A informação foi confirmada por familiares do artista, que preferiram não divulgar detalhes sobre o velório e sepultamento até a manhã desta segunda-feira. A assessoria de imprensa da família deve emitir uma nota oficial nas próximas horas. Dados biográficos e discográficos foram obtidos a partir de registros públicos da Academia Brasileira de Música e do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, além de reportagens de veículos como O Globo, Folha de S.Paulo e UOL, que acompanharam a carreira do cantor ao longo das décadas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.