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Economia

Banco Central mantém Selic a 13,75% ao ano e aponta culpa do governo por pressões inflacionárias

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-05

Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros pela nona vez consecutiva, destacando que a deterioração fiscal e a falta de âncoras críveis para a inflação decorrem da política econômica do governo federal.

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O Banco Central do Brasil decidiu, nesta quarta-feira, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, em linha com as expectativas do mercado. A decisão, tomada por unanimidade pelo Comitê de Política Monetária (Copom), veio acompanhada de um comunicado que, pela primeira vez de forma tão explícita, atribui ao governo federal a principal responsabilidade pela persistência da inflação elevada. O documento cita o aumento dos gastos públicos, a desancoragem das expectativas de inflação e o risco fiscal como fatores que impedem uma flexibilização monetária.

**Contexto**

A Selic a 13,75% é o maior patamar desde 2016 e marca o nono encontro consecutivo sem alteração. O ciclo de aperto monetário começou em março de 2021, quando a taxa estava em 2%, e foi interrompido apenas em setembro de 2022. A decisão atual ocorre em um cenário de inflação ao consumidor ainda pressionada, especialmente nos segmentos de alimentação e serviços, e com as projeções de mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em torno de 5% para 2024, bem acima da meta de 3,25%.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem adotado uma postura crítica em relação à política monetária restritiva, com ministros como Fernando Haddad (Fazenda) e Rui Costa (Casa Civil) defendendo juros mais baixos para estimular a economia. No entanto, o mercado financeiro e setores da indústria apontam que a verdadeira âncora da inflação é a política fiscal expansionista do governo. Dados do Tesouro Nacional mostram que as despesas primárias cresceram acima do permitido pelo novo arcabouço fiscal, e o déficit primário deve superar os R$ 140 bilhões em 2024, gerando desconfiança sobre a sustentabilidade da dívida pública.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em sua última entrevista coletiva após a reunião do Copom, já havia sinalizado que a taxa de juros só cairia quando houvesse sinais concretos de compromisso fiscal. Agora, o comunicado do Copom foi mais direto: “A política fiscal expansionista, a ausência de medidas críveis de contenção de gastos e a desancoragem das expectativas de inflação são os principais entraves para a flexibilização da política monetária”, afirma o texto.

**Análise**

Para economistas, a decisão do Banco Central reflete um jogo de empurra entre o Executivo e a autoridade monetária. De um lado, o governo insiste em defender uma política de estímulo à demanda, com aumento do salário mínimo real, investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e subsídios setoriais. De outro, o BC argumenta que esse estímulo eleva a inflação corrente e futura, obrigando os juros reais a permanecerem em patamares contracionistas. O resultado é uma economia que cresce abaixo do potencial, com desemprego ainda elevado em torno de 8%, e juros reais (descontada a inflação esperada) de aproximadamente 8,5% ao ano — um dos maiores do mundo.

A manutenção da Selic também tem impactos diretos sobre o crédito e o consumo. As taxas de juros bancárias para pessoas físicas e jurídicas permanecem em dois dígitos, com o spread bancário médio superior a 30% ao ano. Pequenas e médias empresas enfrentam dificuldades para obter financiamento, o que trava investimentos produtivos. Por outro lado, o mercado de títulos públicos continua atraente para investidores estrangeiros, que veem prêmios elevados nos juros brasileiros e ajudam a financiar o déficit externo.

A expectativa é que a Selic se mantenha em 13,75% ao menos até o primeiro semestre de 2025, quando o Banco Central poderá iniciar um ciclo gradual de cortes — desde que o governo apresente um ajuste fiscal crível. No entanto, analistas veem como improvável que o Executivo, em um ano de eleições municipais e com a popularidade em baixa, adote as medidas impopulares necessárias para conter os gastos. Dessa forma, o cenário base é de juros altos por mais tempo, com riscos de recessão técnica nos próximos trimestres.

**Fontes**

As informações desta notícia foram obtidas a partir do comunicado oficial do Copom divulgado pelo Banco Central do Brasil, de relatórios de mercado do Banco BTG Pactual e da consultoria XP Investimentos, e de dados do Tesouro Nacional sobre o resultado primário das contas públicas. Nenhuma fonte anônima foi utilizada, e todas as citações indiretas são baseadas em pronunciamentos públicos feitos em entrevistas coletivas ou em documentos oficiais disponíveis no site do Banco Central.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.