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A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) inicia uma nova legislatura com uma composição significativamente alterada. A bancada evangélica, que nos últimos anos exerceu influência considerável no parlamento estadual, sofreu uma perda expressiva de representantes. Dos 24 deputados estaduais que compunham o bloco na legislatura anterior, 12 não conseguiram se reeleger nas eleições de outubro de 2026. O resultado representa um revés para o segmento, que viu sua força numérica ser reduzida pela metade em uma das casas legislativas mais importantes do país.
**Contexto**
A bancada evangélica na Alesp era considerada uma das mais organizadas e atuantes do Brasil. Nos últimos quatro anos, o grupo pautou debates sobre temas como liberdade religiosa, educação domiciliar (homeschooling) e políticas de combate à discriminação religiosa. A atuação do bloco, no entanto, também gerou controvérsias, especialmente em relação a projetos que tratavam de direitos LGBTQIA+ e do ensino de gênero nas escolas.
A derrota de 12 deputados evangélicos não foi um fenômeno isolado. Analistas apontam que a renovação na Alesp foi impulsionada por uma combinação de fatores. O primeiro deles é o desgaste natural de mandatos longos, com alguns parlamentares ocupando cadeiras há mais de uma década. O segundo fator é a mudança no perfil do eleitorado paulista, que demonstrou maior abertura para candidaturas ligadas a pautas ambientais, de mobilidade urbana e de transparência pública. O terceiro fator, não menos importante, foi a fragmentação partidária, que diluiu o poder de fogo de legendas tradicionais e abriu espaço para novas lideranças.
Entre os derrotados estão nomes que ocupavam posições de destaque na Mesa Diretora e em comissões permanentes da Casa. A saída desses parlamentares altera o equilíbrio de forças e pode impactar a tramitação de projetos de interesse do segmento religioso. A nova composição da Alesp conta com uma bancada evangélica reduzida a 12 deputados, o que obriga o grupo a buscar novas alianças para manter relevância nas votações.
**Análise**
A perda de força da bancada evangélica na Alesp não significa, necessariamente, o fim de sua influência política no estado. O segmento ainda conta com representantes experientes e com capilaridade em diversas regiões de São Paulo. No entanto, a redução numérica impõe desafios concretos. Sem o número de cadeiras necessário para obstruir pautas ou aprovar projetos com facilidade, o bloco precisará negociar com outras forças políticas, como o centrão e partidos de esquerda, para avançar em sua agenda.
O resultado eleitoral em São Paulo também ecoa uma tendência observada em outras assembleias legislativas do país. Em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, a bancada evangélica também sofreu perdas, embora em proporções menores. Especialistas apontam que o fenômeno está ligado a uma maturação do eleitorado evangélico, que passou a cobrar resultados mais concretos de seus representantes, em vez de apenas alinhamento ideológico. A insatisfação com a atuação de alguns parlamentares, acusados de negligência com pautas sociais e de corrupção, também contribuiu para a renovação.
Para o governador de São Paulo, a nova configuração da Alesp pode representar tanto uma oportunidade quanto um desafio. Com uma base aliada mais fragmentada, o chefe do Executivo estadual terá que construir maiorias pontuais para aprovar projetos estratégicos, como o orçamento anual e reformas administrativas. A ausência de uma bancada evangélica forte, por outro lado, pode facilitar a aprovação de pautas consideradas progressistas, como a ampliação de políticas de diversidade e a regulamentação de atividades econômicas ligadas ao entretenimento.
**Fontes**
As informações sobre a composição da Alesp e o resultado das eleições de 2026 foram obtidas junto ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) e ao site oficial da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Dados sobre a atuação da bancada evangélica na legislatura anterior foram extraídos de reportagens dos portais UOL, G1 e da Agência Brasil, além de análises publicadas pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) e pelo Centro de Política e Economia do Setor Público (FGV Cepesp).
Por Renan Filho · 2026-10-07