**Lead**
A União Nacional dos Estudantes (UNE) promoveu, nesta quarta-feira, um ato público em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reunindo centenas de estudantes no centro do Rio de Janeiro. A manifestação, que teve concentração na Cinelândia e seguiu até a Praia de Botafogo, foi organizada como parte da campanha “Estudante com Lula”, que mobiliza jovens de universidades públicas e privadas em todo o país. O evento ocorre em um momento de intensa polarização política, com a disputa eleitoral se aproximando do segundo turno.
**Contexto**
A UNE, fundada em 1937, é a principal entidade representativa dos estudantes universitários brasileiros e historicamente se posiciona em debates políticos nacionais. Nos últimos meses, a organização tem intensificado atividades de mobilização, incluindo debates, plenárias e atos públicos, sempre com foco em pautas como ampliação do acesso ao ensino superior, recomposição do orçamento da educação e defesa da democracia. O ato no Rio de Janeiro é o mais recente de uma série de manifestações que ocorreram em capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Salvador.
A escolha do Rio de Janeiro como palco do evento não é aleatória. A cidade concentra algumas das maiores universidades do país, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Além disso, o estado fluminense tem sido palco de intensa disputa política, com pesquisas de opinião indicando um cenário dividido entre os principais candidatos. A UNE busca, com o ato, reforçar a base de apoio jovem ao presidente Lula, que tem entre seus eleitores uma parcela significativa de estudantes.
Durante a manifestação, os participantes carregaram faixas com mensagens como “Lula de novo, com a força do povo” e “Educação não é gasto, é investimento”. Também foram distribuídos panfletos com propostas do atual governo para o setor educacional, como a ampliação do programa Pé-de-Meia, que oferece bolsas para estudantes de baixa renda, e a retomada de obras em universidades federais paralisadas nos anos anteriores. A UNE não divulgou números oficiais de participantes, mas a organização estima que o ato tenha reunido um número expressivo de jovens, com destaque para a presença de calouros e veteranos de cursos de humanas, exatas e saúde.
**Análise**
O ato da UNE no Rio de Janeiro insere-se em um contexto mais amplo de engajamento político da juventude brasileira. Dados de pesquisas eleitorais recentes indicam que o eleitorado jovem, entre 16 e 24 anos, tem mostrado maior inclinação ao voto em Lula, especialmente entre aqueles que frequentam o ensino superior. A mobilização estudantil, portanto, não é apenas um gesto simbólico, mas uma estratégia de campanha para consolidar esse eleitorado e incentivar a participação nas urnas.
Além disso, o evento reforça a pauta da educação como um dos eixos centrais da disputa eleitoral. O governo Lula tem enfatizado a recomposição do orçamento do Ministério da Educação, que sofreu cortes nos governos anteriores, e a retomada de programas como o Fies e o ProUni. Para a UNE, a continuidade dessas políticas é essencial para garantir o acesso e a permanência dos jovens no ensino superior. O ato também serve como um termômetro da capacidade de mobilização das entidades estudantis, que historicamente tiveram papel relevante em momentos de crise política, como nas Diretas Já e no impeachment de 2016.
Por outro lado, a manifestação também expõe a polarização que marca o atual cenário político. Grupos de oposição ao governo Lula organizaram contramanifestações em pontos próximos, embora sem a mesma adesão. A presença de policiais militares no local foi reforçada para evitar confrontos, e o ato transcorreu sem incidentes graves. A UNE, em nota, afirmou que “a democracia se fortalece com a participação popular e o debate de ideias”, e que continuará a promover atividades em todo o país até o dia da eleição.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em comunicados oficiais da União Nacional dos Estudantes (UNE), cobertura de veículos de imprensa como Agência Brasil e G1, e relatos de participantes do ato. Não foram utilizados dados numéricos não verificados ou declarações atribuídas a fontes não identificadas.
Por Renan Filho · 2026-10-07