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Ato em apoio à reeleição de Lula reúne militantes no Rio, mas sem presença do petista

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-13

Manifestação organizada por movimentos populares e partidos aliados ocorreu neste domingo em Copacabana, com discursos de líderes políticos e ausência do ex-presidente, que segue em agenda institucional em Brasília.

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Cerca de milhares de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocuparam, na manhã deste domingo, o calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro, em um ato político convocado por centrais sindicais, movimentos sociais e partidos da base aliada. O evento, intitulado “Lula de novo, com a força do povo”, teve como objetivo demonstrar apoio à reeleição do petista em 2026, mas contou com a ausência do próprio presidente, que permaneceu em Brasília para uma agenda institucional. A manifestação, que ocorreu sem incidentes, foi marcada por discursos de lideranças políticas e pela presença maciça de bandeiras vermelhas e camisas do PT, em um cenário de clima de festa e reafirmação de lealdade ao governo federal.

**Contexto**

A realização do ato ocorre em um momento de intensa articulação política para as eleições do próximo ano. O presidente Lula, embora não tenha comparecido, enviou uma mensagem em vídeo que foi exibida em um telão montado no palco principal. Na gravação, o petista agradeceu o apoio e destacou os avanços de seu governo, como a queda do desemprego e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), sem, no entanto, fazer menção direta à sua candidatura. A ausência do presidente foi justificada pela assessoria como uma decisão de “não misturar o calendário institucional com o político”, já que Lula participaria, na segunda-feira, de uma reunião com governadores do Nordeste para discutir obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O evento no Rio foi organizado por entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a União Nacional dos Estudantes (UNE), além de partidos como PT, PCdoB e PSOL. A escolha de Copacabana, um dos cartões-postais da cidade, não foi aleatória: a região é historicamente palco de grandes manifestações políticas, tanto de esquerda quanto de direita, e a intenção dos organizadores era ocupar um espaço simbólico para contrapor a imagem de que o governo perdeu força nas ruas. A Polícia Militar do Rio de Janeiro estimou a presença de aproximadamente 15 mil pessoas, enquanto os organizadores falaram em 40 mil — números que não puderam ser confirmados de forma independente.

Entre os discursos, o presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, foi uma das principais oradoras. Em sua fala, ela criticou a gestão do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e do governador Cláudio Castro (PL), a quem acusou de “abandono da segurança pública” e de “perseguição política” a movimentos sociais. A declaração gerou reação imediata nas redes sociais, com apoiadores do governo estadual classificando a fala como “eleitoreira”. Também estiveram presentes os ministros da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e da Igualdade Racial, Anielle Franco, que reforçaram a importância da unidade da base para as eleições municipais de 2024 e para o pleito presidencial de 2026.

**Análise**

A realização do ato sem a presença física de Lula revela uma estratégia calculada do Palácio do Planalto. Ao evitar o palanque no Rio, o presidente busca preservar a imagem de estadista, acima das disputas partidárias, especialmente em um momento em que o governo enfrenta desafios na aprovação de pautas econômicas no Congresso. A mensagem em vídeo, no entanto, deixa claro que Lula não abre mão do protagonismo político, mas prefere dosar sua exposição pública para não desgastar a narrativa de que está focado na gestão. Essa postura, contudo, pode ser interpretada por setores da base como um distanciamento perigoso, que abre espaço para que adversários ocupem as ruas com discursos mais agressivos.

Do ponto de vista da segurança pública, o evento transcorreu sem ocorrências graves, o que é um alívio para as autoridades locais. A ausência de confrontos, no entanto, não elimina o temor de que atos políticos de grande porte se tornem alvo de ataques isolados, como já ocorreu em outras capitais. A Polícia Federal e a Polícia Militar montaram um esquema especial de monitoramento, com drones e agentes infiltrados, mas a sensação de normalidade pode ser enganosa. O Rio de Janeiro, que vive uma crise de violência urbana, com recordes de homicídios e roubos, vê com preocupação a aproximação do calendário eleitoral, que historicamente aumenta a tensão entre grupos rivais.

A manifestação também serve como um termômetro para a popularidade do governo Lula entre os movimentos sociais. A presença de lideranças do MST e da UNE, que têm sido críticas a alguns rumos da política econômica, indica que a base ainda está mobilizada, mas com ressalvas. A fala de Gleisi Hoffmann, ao atacar governos estaduais, sugere que o PT pretende transformar as eleições municipais de 2024 em um plebiscito sobre o governo federal, o que pode polarizar ainda mais o cenário político. Resta saber se a estratégia de Lula de se manter distante das ruas será eficaz para consolidar sua reeleição ou se abrirá espaço para que o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu principal adversário, capitalize com eventos próprios.

**Fontes**

As informações deste artigo foram baseadas em relatos de participantes, transmissão ao vivo do ato pelas redes sociais oficiais do PT, comunicados da Polícia Militar do Rio de Janeiro e declarações públicas de autoridades presentes, como Gleisi Hoffmann e Alexandre Padilha. Dados sobre o efetivo de segurança foram fornecidos pela assessoria da PMERJ. Não foram utilizadas fontes anônimas ou informações não verificáveis.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.