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Economia

Esquerda descobre a fé: ato em SP usa Nossa Senhora Aparecida para esconder ausência de agenda econômica

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-27

Manifestação de grupos progressistas na capital paulista adota discurso religioso após disputa simbólica pela padroeira. Para o FORTIS NEWS, o apelo à religião não substitui o debate sobre impostos, inflação e livre mercado.

Contexto

Em São Paulo, um ato de grupos de esquerda adotou tom religioso para tentar se aproximar da devoção popular a Nossa Senhora Aparecida. O movimento ocorre em meio a uma disputa simbólica sobre a padroeira do Brasil e revela um dado constrangedor para o campo progressista: a falta de agenda econômica. Em vez de apresentar propostas para reduzir o desemprego, controlar a inflação e diminuir o tamanho do Estado, a manifestação recorreu ao apelo espiritual como atalho político.

A estratégia não surpreende apenas pelos sinais religiosos. Surpreende porque setores do mesmo campo político passaram anos tratando a fé cristã como expressão de atraso ou como obstáculo às suas pautas. Agora, diante da rejeição popular ao projeto de poder, descobrem que o brasileiro não vive só de narrativa. O brasileiro trabalha, paga imposto, empreende quando pode e busca consolo na fé. Mas o verdadeiro teste de qualquer discurso é a coerência.

Análise FORTIS

A liberdade religiosa é um dos pilares de uma sociedade livre. O liberalismo conservador reconhece o papel das igrejas e da fé na formação moral do povo. Não somos contra a presença da religião no espaço público. Somos contra o uso eleitoral do sagrado. Quando a esquerda adota Nossa Senhora Aparecida como pano de fundo para um ato político, ela não demonstra fé. Demonstra oportunismo.

A pergunta central é econômica. O Brasil sofre com uma das maiores cargas tributárias do mundo. O empreendedor é sufocado por burocracia e instabilidade jurídica. A inflação corrói o poder de compra dos mais pobres. O Estado cresce, gasta mal e cobra mais. Nesse cenário, a esquerda não oferece uma agenda de crescimento. Oferece retórica. A invocação da padroeira não reduz um único imposto. Não gera um único emprego. Não traz segurança para quem investe.

A história do catolicismo no Brasil está ligada à construção da nação. A devoção a Nossa Senhora Aparecida atravessa classes sociais e regiões. Essa riqueza cultural não deve ser usada como instrumento de um partido. A fé é anterior ao Estado e não se submete ao calendário eleitoral. Quando políticos tentam sequestrar símbolos religiosos, ofendem os fiéis e corrompem o debate público. A verdade, que deve estar acima de qualquer narrativa, não aceita esse tipo de manipulação.

Há também uma contradição doutrinária. A Doutrina Social da Igreja Católica valoriza o princípio da subsidiariedade: as comunidades, famílias e empresas devem resolver seus problemas antes da intervenção estatal. Esse princípio é muito mais próximo do livre mercado e do Estado mínimo do que do coletivismo. Se a esquerda quer falar com o público cristão, deveria explicar por que defende o aumento de tributos e o controle estatal da economia, que empobrecem as famílias. Mas não explica. Prefere a imagem da santa ao debate honesto.

Um Estado laico, no bom sentido, não hostiliza a fé. Ele garante que o poder público não se aproprie da religião. O que vimos em São Paulo é o oposto: uma tentativa de usar a fé para legitimar um projeto que não tem respostas econômicas. Isso não é conservador e não é liberal. É parasitismo político.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.