**Lead**
Um episodio de forte carga simbolica e racial marcou um ato politico realizado na tarde desta quinta-feira, 25 de outubro de 2026, em Brasilia. Durante uma manifestacao de apoio ao senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ), um de seus apoiadores foi filmado conduzindo um homem negro por uma corrente presa ao pescoco, em uma cena que remete diretamente ao periodo da escravidao no Brasil. O fato ocorreu na Esplanada dos Ministerios, em frente ao Congresso Nacional, e rapidamente se espalhou por aplicativos de mensagem e redes sociais, provocando indignacao e pedidos de investigacao por parte de organizacoes de defesa dos direitos civis.
**Contexto**
O ato em questao foi convocado por grupos de apoio ao senador Flavio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, e contou com a presenca de centenas de pessoas. O objetivo declarado era demonstrar forca politica em meio a uma semana de discussoes no Congresso sobre pautas ligadas a seguranca publica e a revisao de leis penais. Durante a manifestacao, um homem branco, identificado por testemunhas como um dos organizadores do evento, foi visto segurando uma corrente metalica que estava enrolada no pescoco de um homem negro. O homem negro, que nao teve o nome divulgado ate o momento, aparentava estar constrangido e era conduzido como se fosse um animal ou um prisioneiro.
Imagens gravadas por outros manifestantes e jornalistas presentes mostram o homem negro sendo puxado pela corrente enquanto o apoiador sorria e acenava para a multidão. A cena foi imediatamente comparada a praticas de escravidao e ao periodo colonial brasileiro, quando pessoas negras eram tratadas como propriedade e submetidas a correntes e castigos publicos. A Policia Legislativa da Camara dos Deputados foi acionada, mas nao houve registro de detencoes no local. O senador Flavio Bolsonaro nao estava presente no momento do ocorrido, segundo sua assessoria, que afirmou que o parlamentar "repudia qualquer ato de violencia ou discriminacao".
Entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Movimento Negro Unificado (MNU) ja anunciaram que vao protocolar representacoes junto ao Ministerio Publico Federal e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos. A coordenadora do MNU, Maria Julia da Silva, afirmou em nota que "o ato e uma afronta a toda a historia de luta do povo negro e um crime de racismo explícito". A Policia Civil do Distrito Federal informou que abriu um procedimento para apurar os fatos e identificar todos os envolvidos.
**Analise**
O episodio ocorre em um momento de intensa polarizacao politica no Brasil, onde simbolos e gestos sao frequentemente utilizados como ferramentas de provocacao ou afirmacao ideologica. A imagem de um homem negro acorrentado por um apoiador de um politico de direita nao e apenas um ato isolado de violencia simbolica, mas um reflexo de tensoes raciais profundas que persistem na sociedade brasileira. Especialistas em relacoes raciais apontam que a cena e um exemplo do que chamam de "necropolitica" — a exposicao publica e a naturalizacao da violencia contra corpos negros como forma de intimidacao e controle.
Para alem do impacto imediato, o caso pode ter consequencias politicas significativas. O senador Flavio Bolsonaro, que ja enfrenta investigacoes em outros âmbitos, agora ve seu nome associado a um ato de racismo explícito, mesmo que nao tenha participado diretamente. A oposicao ja anunciou que vai cobrar explicacoes na Comissao de Direitos Humanos do Senado e pode pedir a abertura de uma CPI para investigar a conduta de apoiadores em atos publicos. Por outro lado, aliados do senador tentam minimizar o ocorrido, classificando-o como "uma brincadeira de mau gosto" ou "um ato isolado de um apoiador exaltado".
O Brasil, que foi o ultimo pais das Americas a abolir a escravidao, em 1888, ainda lida com as consequencias estruturais desse passado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) mostram que a populacao negra e a maioria entre as vitimas de violencia policial, desemprego e encarceramento em massa. Nesse contexto, a imagem de um homem negro sendo conduzido por uma corrente em plena Esplanada dos Ministerios nao e apenas um choque moral, mas um sintoma de uma sociedade que ainda nao superou o racismo institucionalizado.
**Fontes**
- Imagens e relatos de jornalistas presentes no ato, veiculados por portais como G1 e UOL. - Nota oficial da assessoria do senador Flavio Bolsonaro, divulgada a imprensa. - Comunicado do Movimento Negro Unificado (MNU) sobre a representacao ao Ministerio Publico. - Informacoes da Policia Civil do Distrito Federal sobre a abertura de procedimento investigativo. - Dados do IBGE sobre desigualdade racial no Brasil, disponiveis em publicacoes oficiais do instituto.
Por Renan Filho · 2026-10-25