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Atlético-MG lidera ranking de endividamento entre clubes brasileiros; veja o panorama

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-22

Levantamento divulgado nesta semana aponta o Galo no topo da lista de dívidas do futebol nacional, com valores que ultrapassam a casa dos bilhões. Estudo revela cenário preocupante para a saúde financeira das agremiações.

**Lead**

O Atlético-MG é o clube brasileiro com a maior dívida registrada entre as principais agremiações do país, segundo levantamento atualizado divulgado na última terça-feira. O estudo, que reúne dados de balanços financeiros de 2025 e projeções para 2026, coloca o clube mineiro à frente de outras equipes tradicionalmente endividadas, como Botafogo e Cruzeiro. O valor total devido pelo Galo, considerando passivos trabalhistas, fiscais e com fornecedores, supera a marca de R$ 2 bilhões — o maior montante já registrado na história do futebol brasileiro para um único clube.

**Contexto**

A dívida atleticana é resultado de uma combinação de fatores que incluem investimentos pesados em contratações nos últimos anos, reformas estruturais na Arena MRV e um desempenho esportivo abaixo do esperado em competições de alto retorno financeiro, como a Copa Libertadores e o Campeonato Brasileiro. Embora o clube tenha mantido receitas relevantes com patrocínios e vendas de jogadores, o fluxo de caixa não tem sido suficiente para amortizar o endividamento acumulado.

O ranking, elaborado por consultoria especializada em gestão esportiva com base em dados públicos e auditorias independentes, destaca que o cenário não é exclusivo do Atlético-MG. Botafogo, que recentemente viveu um período de estabilização após a SAF (Sociedade Anônima do Futebol), ainda carrega um passivo significativo, estimado em cerca de R$ 1,5 bilhão. Na sequência aparecem Cruzeiro, Corinthians e Vasco, todos com dívidas que ultrapassam a faixa de R$ 1 bilhão.

A análise do estudo aponta que as dívidas dos clubes brasileiros somam, no total, algo em torno de R$ 12 bilhões, um número que reflete décadas de má gestão financeira, falta de planejamento de longo prazo e dependência de receitas voláteis, como vendas de atletas e premiações esportivas.

**Análise**

O cenário exposto pelo levantamento acende um alerta para a sustentabilidade do futebol nacional. O Atlético-MG, em particular, enfrenta o desafio de equilibrar ambições esportivas com responsabilidade fiscal. A diretoria do clube, sob a presidência de Sérgio Coelho, tem buscado alternativas como a renegociação de dívidas com credores e a venda de ativos, mas o caminho para a recuperação é longo e exige mudanças estruturais.

Especialistas consultados para o estudo sustentam que a adoção de SAFs, modelo já implementado por clubes como Botafogo e Cruzeiro, pode ser uma solução viável para reduzir o endividamento. O modelo permite a entrada de investidores privados com capital externo, o que pode ajudar a quitar passivos e profissionalizar a gestão. No entanto, a transição esbarra em questões políticas internas e na resistência de setores ligados ao associativismo tradicional.

Outro ponto de atenção é o impacto das dívidas no desempenho esportivo. Clubes fortemente endividados frequentemente perdem competitividade por não conseguirem investir em elencos de alto nível ou manter jogadores de destaque. O Atlético-MG, por exemplo, já teve que negociar atletas importantes nos últimos anos para gerar receita, o que reduziu a qualidade do time e resultou em campanhas medianas no cenário nacional.

O ranking também ressalta a importância de políticas públicas e regulatórias para o setor. A Lei da Responsabilidade Fiscal do Esporte, sancionada há alguns anos, tem ajudado a impor limites e transparência, mas a fiscalização ainda é insuficiente. Uma nova rodada de regulamentação, com incentivos para a redução de passivos e punições mais severas para a má gestão, é vista como essencial pelos analistas.

Se nenhuma medida efetiva for tomada, a tendência é que o endividamento se torne crônico, afetando não apenas os clubes envolvidos no levantamento, mas também o equilíbrio competitivo de todo o futebol brasileiro.

**Fontes**

O levantamento utilizou dados públicos de balanços financeiros, relatórios de auditoria externa e informações de fontes oficiais como o Conselho Fiscal de cada clube. A consultoria responsável pelo estudo, que preferiu não ter seu nome divulgado publicamente, baseou suas análises em documentos encaminhados à CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e à Receita Federal. Os valores apresentados são sujeitos a revisão e não refletem necessariamente o posicionamento oficial dos clubes envolvidos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.