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Na manhã desta segunda-feira, um vídeo impressionante começou a circular nas redes sociais: a asa de um avião da Latam Airlines pegava fogo durante a corrida de decolagem no Aeroporto Internacional Jorge Chávez, em Lima, Peru. As imagens, capturadas por passageiros de dentro da aeronave e por observadores na pista, mostram chamas visíveis na borda da asa direita enquanto o avião ainda ganhava velocidade. A tripulação interrompeu a decolagem e acionou os procedimentos de emergência, e todos os ocupantes foram evacuados em segurança. O incidente, embora sem vítimas, reacende o debate sobre a confiabilidade da frota da companhia e a eficácia dos sistemas de prevenção de incêndios a bordo.
**Contexto**
A Latam Airlines, uma das maiores do continente, opera uma frota mista de Airbus e Boeing. O modelo envolvido no incidente, segundo informações preliminares, seria um Airbus A320neo, aeronave moderna que já enfrentou problemas com seus motores Pratt & Whitney em outras ocasiões. O fogo na asa, no entanto, não está necessariamente ligado ao motor: pode ter origem em vazamento de combustível, falha elétrica ou até mesmo atrito com a pista. Vídeos amadores mostram labaredas saindo da região do flap, o que sugere um possível superaquecimento de componentes hidráulicos ou elétricos.
O Aeroporto Jorge Chávez é um dos mais movimentados da América do Sul, e a Latam tem uma base operacional significativa no Peru. A companhia já havia sido alvo de críticas no passado por atrasos e cancelamentos, mas incidentes com fogo em plena decolagem são raros. Em 2023, um voo da Latam no Brasil precisou retornar ao aeroporto após fumaça na cabine, mas sem chamas externas. Desta vez, a gravidade das imagens — com chamas visíveis por vários segundos — coloca a empresa sob escrutínio.
A Agência Nacional de Aviação Civil do Peru (DGAC) informou que abriu uma investigação. A Latam, por sua vez, emitiu uma nota padrão afirmando que a segurança é prioridade e que a aeronave passará por inspeção. Até o momento, não há detalhes sobre a causa exata. O que se sabe é que o voo LA-2218, com destino a Cusco, foi abortado antes da rotação, e os 186 passageiros e 6 tripulantes desembarcaram pelas escadas de emergência.
**Análise**
Este episódio não é apenas um susto para quem estava a bordo. Ele expõe fragilidades sistêmicas na aviação comercial latino-americana. Primeiro, a manutenção preventiva: a frota da Latam, especialmente os A320neo, tem histórico de problemas nos motores, mas o fogo na asa pode indicar negligência em checklists de pré-voo. Segundo, a comunicação de risco: se o fogo começou antes da decolagem, por que a tripulação não percebeu mais cedo? O vídeo mostra que as chamas já estavam visíveis quando o avião acelerava, o que sugere que o alarme de incêndio pode ter demorado a soar ou que a visibilidade da cabine para a asa é limitada.
Do ponto de vista regulatório, a DGAC peruana e a Agência Nacional de Aviação Civil brasileira (ANAC) precisam agir com transparência. A Latam opera voos diários entre Brasil e Peru, e a confiança do passageiro é frágil. Em um mercado onde a concorrência com a Gol e a Azul é acirrada, um incidente como esse pode afastar clientes. Além disso, a viralização do vídeo — já com milhões de visualizações — força a empresa a responder de forma mais contundente do que um simples comunicado.
A opinião pública, alimentada por imagens dramáticas, tende a exigir respostas rápidas. Mas o verdadeiro problema é estrutural: a aviação civil na América Latina sofre com falta de investimento em infraestrutura de manutenção, fiscalização insuficiente e pressão por redução de custos. A Latam, que passou por recuperação judicial nos Estados Unidos entre 2020 e 2022, pode ter cortado gastos em áreas críticas. O fogo na asa é um alerta de que a segurança não pode ser sacrificada no altar da eficiência financeira.
**Fontes**
- Vídeos compartilhados nas redes sociais (Twitter, Instagram, TikTok) mostrando o incêndio na asa da aeronave Latam durante decolagem no Aeroporto Jorge Chávez, Lima, Peru. - Comunicado oficial da Latam Airlines sobre o incidente, divulgado em seu site e perfis oficiais. - Informações preliminares da Dirección General de Aeronáutica Civil do Peru (DGAC) sobre a abertura de investigação. - Relatos de passageiros publicados em veículos de imprensa peruanos, como El Comercio e RPP Noticias. - Dados históricos de incidentes com a frota Airbus A320neo, disponíveis em relatórios da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) e do National Transportation Safety Board (NTSB).
Por Renan Filho · 2026-10-19