**Lead**
Nas últimas semanas, dois importantes vizinhos do Brasil — Argentina e Chile — protagonizaram reviravoltas eleitorais que chamaram a atenção de analistas políticos. Em ambos os países, candidatos que haviam ficado atrás no primeiro turno conseguiram reverter o quadro e vencer a segunda rodada de votação, em um movimento que muitos interpretam como um sinal de insatisfação popular com o establishment político. O fenômeno, observado de perto por partidos e estrategistas brasileiros, ocorre a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, marcado para 26 de outubro de 2026.
**Contexto**
Na Argentina, o segundo turno realizado em junho de 2026 consolidou uma virada que já vinha sendo desenhada nas pesquisas de intenção de voto das últimas semanas do primeiro turno. O candidato que havia terminado a primeira rodada em segundo lugar conseguiu angariar o apoio de partidos derrotados na primeira fase e atraiu eleitores indecisos com um discurso centrado em mudanças profundas na economia e no combate à inflação. O resultado final reverteu uma vantagem de quase dez pontos percentuais que o líder inicial havia construído ao longo da campanha. Dados oficiais do tribunal eleitoral argentino indicam que a participação no segundo turno foi a mais alta dos últimos vinte anos, sugerindo um engajamento cívico incomum.
No Chile, a virada ocorreu em setembro passado, durante o segundo turno das eleições regionais e legislativas, que acabaram servindo como termômetro para a política nacional. Embora o pleito não fosse presidencial, o resultado reverberou fortemente: coalizões que haviam ficado atrás no primeiro turno conseguiram inverter o placar em várias regiões-chave, incluindo a Região Metropolitana de Santiago. O fenômeno foi atribuído a uma rejeição tardia a propostas consideradas radicais por parte de alguns setores do eleitorado, especialmente entre os mais jovens e os moradores das periferias. Especialistas locais apontam que a virada chilena foi a mais ampla desde o plebiscito constitucional de 2023.
Do outro lado da Cordilheira, o Brasil observa esses movimentos com atenção. O país realiza neste domingo (26) o segundo turno da eleição presidencial, e o cenário de incerteza é similar ao observado nos vizinhos. Segundo pesquisas de intenção de voto divulgadas por institutos nacionais — e cujos números exatos não são replicados aqui por questões editoriais —, a vantagem do candidato que liderou o primeiro turno, em 5 de outubro, diminuiu significativamente ao longo das últimas semanas. A diferença atual, de acordo com as mesmas fontes, está dentro da margem de erro, o que torna o resultado imprevisível.
**Análise**
Para analistas de política internacional consultados por veículos de imprensa de todo o continente, as viradas na Argentina e no Chile compartilham um padrão que pode se repetir no Brasil. O primeiro fator comum é a elevada rejeição ao nome que saiu na frente no primeiro turno. Na Argentina, o candidato que venceu a primeira rodada carregava altos índices de desaprovação entre eleitores moderados, o que permitiu que seu adversário unisse forças com partidos de centro. No Chile, a coalizão que liderava inicialmente foi considerada por muitos como demasiadamente alinhada a interesses corporativos, abrindo espaço para uma aliança alternativa que prometia renovação.
O segundo ponto de convergência é a força do voto útil e da mobilização de última hora. Em ambos os países, a reta final da campanha foi marcada por um aumento expressivo de adesões de candidatos derrotados no primeiro turno a um dos dois polos da disputa. Essa dinâmica, conhecida por reduzir o número de opções e concentrar votos, foi decisiva para reverter o cenário. No Brasil, fenômeno semelhante vem sendo observado: partidos que ficaram fora do segundo turno declararam apoio a um dos finalistas, e a tendência de movimentação de última hora tem sido acompanhada de perto por institutos de pesquisa.
O terceiro fator é o contexto econômico e social. Tanto Argentina quanto Chile enfrentam desafios de inflação, emprego e desigualdade que geraram um eleitorado mais volátil e propenso a mudar de voto no intervalo entre os turnos. O Brasil, que vive situação macroeconômica igualmente delicada — com inflação persistente e crescimento abaixo do esperado —, oferece terreno fértil para que uma virada aconteça.
**Fontes**
As informações sobre as viradas eleitorais na Argentina e no Chile foram baseadas em reportagens de veículos de imprensa como o jornal Clarín, o El Mercurio e a agência de notícias Associated Press, além de dados oficiais disponíveis nos sites dos tribunais eleitorais de ambos os países. Os dados sobre as eleições brasileiras têm como referência pesquisas de intenção de voto realizadas por institutos como Datafolha, Ipec e Quaest, cujos números específicos foram ocultados em respeito às diretrizes editoriais do FORTIS NEWS. Análises políticas foram extraídas de artigos publicados por centros de estudo como a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).
Por Renan Filho · 2026-10-25